Chega ao fim do dia com a sensação de ter as pernas mais pesadas e cansadas que o normal? Esse desconforto, aparentemente simples, pode indicar algo mais profundo no funcionamento do seu corpo.

Artigo da responsabilidade da Profª Ana Ricardo. Personal Trainer e Group Trainer do Holmes Place Tejo

Com a colaboração da Dra. Tayrine Filgueira. Personal Trainer do Holmes Place Tejo, com doutoramento em Biologia Aplicada à Saúde

A sensação de pernas pesadas, acompanhada de inchaço, formigueiro e fadiga no final do dia, é uma queixa frequente, que prejudica significativamente o bem-estar diário. Longe de ser apenas um mero cansaço passageiro, este poderá ser o sintoma inicial mais comum da doença venosa crónica (DVC).

A DVC ocorre quando as válvulas das veias dos membros inferiores perdem a sua eficiência, dificultando o retorno do sangue ao coração e resultando na sua acumulação (estase venosa). Situação agravada numa era marcada pelo sedentarismo e por longas horas na mesma posição, seja à secretária ou de pé. Compreender o papel terapêutico do exercício físico tornou-se um foco central da medicina vascular preventiva.

ESTUDOS CONFIRMAM

Para que o sangue vença a força da gravidade e suba das pernas até ao peito, o corpo humano depende de um mecanismo engenhoso: a chamada bomba muscular da perna (os músculos gémeos). Na comunidade médica, este sistema é frequentemente apelidado de “segundo coração”. Sempre que caminhamos, a contração destes músculos comprime as veias profundas, ejetando o sangue de forma dinâmica para cima.

A literatura científica tem demonstrado inequivocamente que a ineficiência desta cadeia muscular agrava a DVC. Investigações publicadas no Journal of Vascular Surgery reforçam que programas de exercícios estruturados melhoram significativamente a fração de ejeção venosa (a capacidade de bombear o sangue) e diminuem a pressão venosa nos membros inferiores.

Estudos demonstram que o treino isotónico (atividades físicas que envolvem movimento articular e contração muscular) e a mobilidade ativa do tornozelo, não apenas reduzem a pressão deambulatória, como também atenuam o processo inflamatório crónico responsável pela dor.

EXERCÍCIOS FUNDAMENTAIS

Para contrariar ativamente os sintomas da doença venosa crónica, a evidência clínica destaca três exercícios fundamentais:

FLEXÃO PLANTAR (elevações do calcanhar) – Ficar em pontas dos pés repetidas vezes ao longo do dia. É um exercício simples que ativa diretamente o “segundo coração”.

CAMINHADA DIÁRIA – A passada rítmica ativa continuamente a musculatura das pernas, promovendo um fluxo sanguíneo saudável.

EXERCÍCIOS AQUÁTICOS – A natação ou a hidroginástica são altamente recomendadas. A própria pressão hidrostática da água atua como uma meia de compressão natural, favorecendo o retorno venoso, sem impacto articular.

TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR

O tratamento da doença venosa crónica é multidisciplinar, envolvendo frequentemente meias elásticas de compressão e, sob aconselhamento médico, terapêutica venoativa.

Contudo, o movimento continua a ser a base incontornável da saúde vascular. A adoção de exercícios diários não é apenas uma medida de alívio passageiros ou estético: é uma intervenção cientificamente comprovada para travar a evolução clínica da doença e devolver, de forma duradoura, a leveza às suas pernas.

Leia o artigo completo e veja os exercícios na edição de junho 2026 (nº 372)