Durante muito tempo, habituámo-nos a associar a flacidez facial à idade e à gravidade. Como se, a partir de certa altura, o rosto começasse simplesmente a “cair” por inevitabilidade.

Mas a flacidez facial não é provocada apenas pela gravidade. A flacidez instala-se quando existem bloqueios no rosto e no corpo que alteram a mobilidade, a circulação e a capacidade natural dos tecidos se manterem saudáveis, elásticos e sustentados.

Artigo da responsabilidade de Vânia Luz. Facialista especializada em terapias manuais de rejuvenescimento facial e instrutora certificada de yoga facial

 

O rosto não envelhece isolado do resto do corpo. O peito, os ombros, a cervical e o pescoço têm uma influência direta na forma como o rosto se apresenta. Quando o peito está fechado, os ombros projetados para a frente e a cervical rígida, a circulação sanguínea e linfática fica comprometida. O rosto recebe menos oxigénio, menos nutrientes e menos estímulo vital. Com o tempo, os tecidos tornam-se mais rígidos, mais presos e menos capazes de responder.

É por isso que trabalhar apenas a pele ou fazer exercícios faciais isolados não é suficiente.

Antes de se trabalhar diretamente a face, é muitas vezes necessário devolver mobilidade aos ombros, abrir o peito, libertar a cervical e tratar o pescoço. Só depois o rosto encontra melhores condições para recuperar elasticidade e sustentação.

Um dos aspetos mais importantes — e menos compreendidos — é que um rosto flácido nem sempre é um rosto “mole”. Muitas vezes, é precisamente o contrário: os tecidos estão duros, presos, aderidos e sem mobilidade. Existem fibroses, zonas de tensão profunda e aderências que impedem os tecidos de deslizar, respirar e reorganizar-se.

Na prática como facialista, é muito comum encontrar bloqueios ao longo da linha do cabelo, no contorno do rosto, nas têmporas, na zona dos olhos, no nariz, nos ligamentos faciais e até nas suturas ósseas. Estas estruturas acumulam tensão ao longo dos anos e condicionam diretamente a forma como o rosto se sustenta.

A linha do cabelo e o contorno do rosto, por exemplo, apresentam frequentemente tecidos extremamente rígidos e aderidos ao osso em pessoas com flacidez facial. Enquanto estas zonas não recuperarem mobilidade e elasticidade, o rosto terá dificuldade em reorganizar-se e recuperar sustentação.

Também os ligamentos, as inserções musculares nos ossos e as próprias suturas ósseas desempenham um papel importante. Quando existe tensão acumulada e fibrose nestas estruturas, o tecido perde flexibilidade, vitalidade e capacidade de resposta.

Por isso, reduzir a flacidez facial exige muito mais do que estimular músculos ou tentar puxar o rosto para cima. Não se trata de “preencher”, esticar ou forçar artificialmente volume e sustentação.

É necessário libertar bloqueios, reduzir fibroses, devolver mobilidade aos tecidos, melhorar a circulação e trabalhar com precisão nas zonas onde o rosto perdeu capacidade de resposta.

Em muitos casos, o trabalho não deve sequer começar no centro do rosto. Pode ser mais importante trabalhar primeiro o pescoço, o peito, as têmporas, a zona ocular, o nariz ou o contorno facial para devolver equilíbrio estrutural e mobilidade aos tecidos.

Nos rostos mais magros, este cuidado é ainda mais importante. Estes rostos tendem a ter menos gordura de suporte, tecidos mais frágeis e maior propensão para tensão. Neles, menos é muitas vezes mais. Movimentos bruscos, estímulos excessivos ou técnicas mal aplicadas podem comprometer ainda mais a qualidade dos tecidos.

A verdadeira abordagem à flacidez facial não passa por forçar o rosto. Passa por compreendê-lo.

Quando entendemos o que está realmente a acontecer nos tecidos — ao nível muscular, fascial, ligamentar, adiposo e estrutural — torna-se possível trabalhar o rosto de forma mais inteligente, profunda e natural.

É nesse trabalho preciso, integrado e respeitador da fisiologia facial que a massagem facial especializada pode fazer uma diferença real, ajudando o rosto a recuperar vitalidade, elasticidade e capacidade natural de sustentação sem recorrer a procedimentos invasivos.

 

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