Durante anos, habituámo-nos à ideia de que perder volume no rosto faz parte do envelhecimento. As têmporas afundam. As maçãs do rosto perdem projeção. Os olhos ficam mais encovados. E a explicação parece simples: “é da idade”. Por isso, muitas mulheres recorrem aos preenchimentos para substituir aquilo que acreditam ter perdido. Mas será essa toda a história?
Artigo da responsabilidade de Vânia Luz. Facialista especializada em terapias manuais de rejuvenescimento facial e instrutora certificada de yoga facial
Existe uma pergunta que quase ninguém faz: se estamos apenas a perder gordura, porque é que ao mesmo tempo aparecem bolsas sob os olhos, papada, bochechas de bulldog e um contorno facial cada vez menos definido?
Se a gordura estivesse apenas a desaparecer, o rosto deveria ficar uniformemente mais fino. Mas não é isso que observamos.
O envelhecimento facial caracteriza-se por um fenómeno muito mais complexo. Enquanto algumas zonas parecem esvaziar, outras tornam-se progressivamente mais pesadas.
A gordura facial não é um tecido inerte. É um tecido vivo, organizado em compartimentos separados por septos ligamentares e profundamente dependente da circulação sanguínea, da drenagem, da oxigenação e da qualidade do ambiente onde vive.
Ao longo da vida, acumulamos tensão muscular na testa, à volta dos olhos, nas bochechas, na mandíbula, no pescoço e até no couro cabeludo. Essa tensão altera a dinâmica dos tecidos. Comprime vasos sanguíneos. Dificulta o retorno venoso. Abranda a drenagem. Favorece o aparecimento de fibroses e aderências. E modifica a forma como cada compartimento adiposo é nutrido.
É precisamente aqui que começa uma das alterações mais interessantes do envelhecimento facial.

Os compartimentos sujeitos a maior compressão e pior nutrição tendem a perder qualidade e volume. As células adiposas tornam-se menos saudáveis e essas regiões começam a parecer mais vazias e encovadas.
Em contrapartida, os compartimentos vizinhos podem comportar-se de forma completamente diferente.
As células adiposas têm uma grande afinidade com a água e, quando a circulação e a drenagem ficam comprometidas, esses compartimentos tornam-se mais congestionados. A retenção de líquidos e a estagnação dos tecidos favorecem o aumento do seu volume, criando áreas mais pesadas e inchadas.
É por isso que, muitas vezes, uma mulher perde projeção nas maçãs do rosto e nas têmporas, mas desenvolve simultaneamente bolsas sob os olhos, papada ou bochechas de bulldog.
O problema não é apenas perder gordura. É perder o equilíbrio entre os diferentes compartimentos adiposos do rosto.
Naturalmente, a idade, as alterações hormonais, a genética e a perda de densidade óssea também desempenham um papel importante neste processo. Mas olhar apenas para esses fatores é ignorar uma parte fundamental da história.
A forma como os tecidos vivem, são nutridos e funcionam ao longo dos anos influencia profundamente a maneira como o rosto envelhece.
É precisamente por isso que, na minha prática clínica, não observo apenas a pele. Observo a tensão muscular, a mobilidade dos tecidos, a circulação, as aderências fasciais e a forma como cada compartimento do rosto participa no equilíbrio global da face.
Porque um rosto jovem não é apenas um rosto com mais volume. É um rosto onde os tecidos estão saudáveis, bem nutridos, móveis e em equilíbrio.
Em vez de perguntar “como posso substituir o volume perdido?”, talvez devêssemos perguntar: “Como posso devolver ao meu rosto as condições de que ele precisa para recuperar volume e vitalidade de forma natural?”
Talvez seja precisamente essa mudança de perspetiva que nos permita compreender o envelhecimento facial de uma forma completamente diferente.
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