O AVC não fica em casa

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O AVC mantém-se como a principal causa de morte, incapacidade e de anos de vida perdidos em Portugal. Por hora, três portugueses sofrem um AVC, dos quais um morre e um fica com sequelas graves. E a pandemia trouxe desafios adicionais.

 

Artigo da responsabilidade da Dra. Mariana Carvalho Dias, médica neurologista; membro da Sociedade Portuguesa do AVC

 

No último ano, a pandemia covid-19 trouxe desafios adicionais à prevenção e tratamento do acidente vascular cerebral (AVC), nomeadamente dificultando o acesso aos cuidados de saúde, levando a atrasos na deteção dos sintomas e limitando, por isso, as possibilidades de tratamento de alguns doentes. Adicionalmente, dificultou o acesso e continuidade dos cuidados de reabilitação dos sobreviventes de AVC.

CHEGADA TARDIA AOS CENTROS DE TRATAMENTO

A principal preocupação dos especialistas, neste período de pandemia, prendeu-se com a chegada tardia dos doentes aos centros de tratamento de AVC, por receio de infeção pelo vírus SARS-CoV-2.

De acordo com um inquérito nacional de perceções aplicado pela Sociedade Portuguesa do AVC (SPAVC), em 2020, às Unidades de AVC do País, a afluência de doentes aos Serviços de Urgência e Unidades de AVC foi significativamente afetada, tendo diminuído também o número de doentes tratados com fibrinólise e trombectomia mecânica. Esta tendência tem impacto nas taxas de mortalidade e recuperação funcional dos doentes com AVC.

VIA VERDE DO AVC

Se é verdade que deve ser reforçada junto da população a importância do confinamento, é igualmente fundamental lembrar que o 112 deve ser ativado sempre que for identificado um dos sinais de alerta de AVC (face descaída, perda de força no braço/perna ou alteração da fala), de modo a permitir que os doentes sejam orientados para a unidade hospitalar que permite realizar tratamento emergente adequado.

Assim, os doentes com suspeita de AVC não devem recear recorrer aos Serviços de Urgência, porque os hospitais têm circuitos diferentes para os doentes com e sem sintomas de infeção por SARS-CoV-2, dispondo de uma Via Verde específica para os doentes com AVC.

Embora ainda não tenhamos dados concretos do impacto da segunda vaga no acesso aos cuidados de saúde, é necessário continuar a sensibilizar a população para que o AVC seja visto como uma emergência potencialmente tratável, em que cada minuto conta, independentemente da situação de pandemia que vivemos. Tempo é cérebro!

“FAST HEROES 112”

Neste âmbito, as crianças têm um papel particularmente importante como veículos de informação no seio familiar e até na eventual deteção de sinais de alerta em familiares. Pela facilidade de aprendizagem que as caracteriza, são um público prioritário de educação para a Saúde.

Por este motivo, a SPAVC associou-se recentemente à Campanha internacional “Fast Heroes 112”, que conta com o apoio da Organização Mundial de AVC (WSO). Esta iniciativa tem como objetivo “transformar” as crianças, entre os 5 e os 9 anos, nos super-heróis lá de casa, com potencial para salvar vidas das pessoas que sofrem um AVC, nomeadamente dos avôs e avós.

Com a ajuda de atividades lúdicas e interativas, as crianças aprendem a identificar os três sintomas mais comuns do AVC, associando-os imediatamente à necessidade de chamar uma ambulância o mais rapidamente possível, ligando para o número 112.

As atividades educativas estão disponíveis, de forma totalmente gratuita, na página: https://pt-pt.fastheroes.com, podendo constituir uma excelente atividade para realizar em conjunto com os mais novos, tanto em casa como no âmbito escolar.

Leia o artigo completo na edição de maio 2021 (nº 316)

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