Secura vaginal, irritação, dor nas relações sexuais e infeções urinárias recorrentes são alguns dos sintomas que podem afetar significativamente a qualidade de vida da mulher nesta fase da vida. Especialista alerta para a importância de reconhecer os sinais e procurar ajuda médica de forma precoce.
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas os sintomas que lhe estão associados continuam, em muitos casos, a ser desvalorizados ou encarados como inevitáveis. Entre eles está a síndrome geniturinária da menopausa (SGUM), uma consequência da diminuição dos níveis de estrogénios que pode ter um impacto significativo no bem-estar físico, sexual e emocional da mulher.
No Dia Mundial da Menopausa, a Dra. Tânia Lima, ginecologista do Centro Materno Infantil do Norte (CMIN) da Unidade Local de Saúde de Santo António, alerta para a necessidade este saber reconhecer os sinais e procurar ajuda atempadamente.
A síndrome geniturinária da menopausa (vagina mais seca, irritada e com prurido) é normal e resulta da diminuição da produção de estrogénio, o que provoca alterações na mucosa vulvo-vaginal e pode dar origem a desconforto, dor durante as relações sexuais e aumento do risco de infeções urinárias. Estima-se que a SGUM afete mais de 60% das mulheres após a menopausa, mas apenas 7%1 fazem tratamento.
“A síndrome geniturinária da menopausa é muito frequente, mas continuamos a ter uma baixa taxa de tratamento. É importante perceber que não estamos apenas a falar de falta de lubrificação da zona genital. O impacto na qualidade de vida das mulheres, assim como nos custos de saúde que advêm das complicações associadas, é muito relevante e deve ser considerado”, explica Dra. Tânia Lima, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia do CMIN, Unidade Local de Saúde de Santo António.
Sintomas começam antes da menopausa
Apesar de estar frequentemente associada à fase pós-menopáusica, a síndrome geniturinária da menopausa pode surgir muito antes, ainda durante a perimenopausa, uma vez que esta condição evolui de forma persistente e progressiva. Durante a perimenopausa, a flutuação da atividade dos ovários pode provocar diminuição da produção de estrogénios circulantes e, consequentemente, dar origem a sintomas de secura vaginal.
“Com a diminuição da ação dos estrogénios, ocorrem alterações na mucosa vaginal, incluindo redução da espessura e da lubrificação, diminuição dos lactobacilos e aumento do pH vaginal. Estas alterações tornam os tecidos menos eficientes e podem contribuir para o aparecimento e progressão dos sintomas”, refere a especialista, que acrescenta ainda ser “importante que as mulheres não esperem pela menopausa para falar sobre estas alterações com o seu médico”.
Da dor nas relações à perda de intimidade
A secura vaginal pode também ter consequências na sexualidade. A dor e o desconforto podem levar à redução da atividade sexual, afetar a líbido, a função sexual e, em alguns casos, levar mesmo à interrupção das relações sexuais. Dependendo da importância que a sexualidade assume para cada mulher ou casal, a secura vaginal pode afetar negativamente a autoestima e a autoimagem da mulher, assim como a própria relação do casal. Por isso, “a dor durante a relação sexual não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento. A dispareunia (dor durante o ato sexual) deve ser um motivo para procurar avaliação médica precoce”, reforça a Dra. Tânia Lima.
Existem opções para melhorar os sintomas
O diagnóstico é clínico e a avaliação ginecológica assume um papel fundamental. Entre as estratégias que podem ser consideradas estão o uso de lubrificantes durante as relações sexuais, recorrer a hidratantes vulvares e vaginais de forma regular e, quando indicado, existe ainda a hipótese da terapêutica hormonal. A adoção de um estilo de vida saudável, a manutenção da atividade sexual e a realização de exercícios de Kegel podem também contribuir para a melhoria dos sintomas.
“Não há razão para a mulher aceitar viver com dor ou desconforto. O tratamento pode ser simples e ter um impacto muito significativo na qualidade de vida. Em média, as mulheres vão viver um terço da sua vida em menopausa e, por isso, é fundamental que possam viver esta fase com qualidade”, sublinha a médica, que acrescenta ainda que “a vergonha tem pouco espaço nos dias de hoje. Os ginecologistas devem, querem e podem ajudar as mulheres a sentirem-se bem também nos seus componentes mais íntimos”.













