A menopausa pode trazer muitas mudanças para a sexualidade, mas não significa o seu ponto final.

Artigo da responsabilidade da Dra. Sandra Neto. Sexóloga no Espaço Sobre Nós, em Guimarães

 

Há uns tempos, falava com a minha avó e ela contou-me que uma vizinha lhe tinha partilhado que a chegada da menopausa tinha sido, para ela, uma grande satisfação. Finalmente, já não era cobrada pelo marido para ter relações sexuais. A expressão que utilizou foi muito simples: “Secou tudo.” Fiquei muito surpreendida. Mas fiquei ainda mais quando percebi que aquela mulher não era uma exceção.

DESCONFORTO E FALTA DE DESEJO

Durante muito tempo, a menopausa foi entendida como uma espécie de prazo de validade da sexualidade feminina. Como se, quando terminasse a capacidade reprodutiva, terminasse também o desejo, o prazer, a sensualidade e até o direito a querer ser desejada. Hoje, felizmente, sabemos que a realidade é muito mais complexa.

As alterações hormonais que acontecem durante a perimenopausa e a menopausa podem interferir com a sexualidade. A diminuição dos níveis de estrogénio pode provocar alterações nos tecidos vaginais, menor lubrificação, secura, ardor ou dor durante a penetração. O desejo também pode sofrer alterações e fatores como o cansaço, as alterações do sono, a ansiedade ou o próprio desconforto físico podem contribuir para uma menor disponibilidade para a atividade sexual.

E nós sabemos que dor e desejo não costumam ser grandes amigos.

DIFERENTES VIVÊNCIAS

Se o corpo começa a associar a intimidade ao desconforto, é natural que possa surgir evitamento. E aquilo que começou como uma alteração física pode acabar por interferir com a autoestima, com a relação com o próprio corpo e com a relação de casal.

Mas há outra realidade que também precisamos de contar: tu não acabas aqui!

A menopausa não determina o fim da tua sexualidade. E não existe uma forma “certa” de viver a sexualidade nesta fase. Há mulheres que sentem uma diminuição do desejo, outras que mantêm a sua vida sexual sem grandes alterações e outras que descobrem uma sexualidade mais livre, segura e prazerosa.

Para algumas, o fim do medo de uma gravidez ou uma maior autonomia sobre o próprio corpo pode trazer uma sensação de liberdade que não existia anteriormente.

Para outras, porém, as alterações corporais, como o aumento de peso, as mudanças na pele ou na distribuição da gordura corporal, podem dificultar a relação com o próprio corpo. Podemos começar a olhar para ele de fora, a avaliá-lo, a compará-lo, a escondê-lo. E quando nos sentimos desconectadas do nosso corpo, pode tornar-se mais difícil habitá-lo também durante a intimidade.

Leia o artigo completo na edição de outubro 2026 (nº 375)