Artigo da responsabilidade dos fisioterapeutas Ana Silva, ULS Braga, Catarina Assis, UCC Amarante e Elisabete Matos, Hospital Lusíadas Braga

A fibromialgia, cujo Dia Mundial se assinala a 12 de maio, é uma condição crónica caracterizada por dor muscular generalizada, frequentemente acompanhada de fadiga, alterações do sono, dificuldades de memória e aumento da sensibilidade a estímulos.

Em Portugal, estima-se que esta condição afete cerca de 1,7% da população, podendo atingir valores entre 3% e 4% devido a casos não diagnosticados, o que representa um número significativo de pessoas no país. Afeta maioritariamente mulheres e surge sobretudo em idade ativa, com impacto direto na qualidade de vida e na capacidade de trabalho.

A evidência aponta para alterações na forma como o sistema nervoso processa a dor, o que contribui para a persistência dos sintomas.

Inserido numa equipa multidisciplinar, o fisioterapeuta assume um importante papel, através de intervenções personalizadas, ajuda a reduzir a dor, melhorar a função e promover o bem-estar. O exercício terapêutico é hoje reconhecido como uma das ferramentas mais eficazes no controlo da fibromialgia.

Os exercícios são, assim, o principal instrumento da fisioterapia. Estudos demonstram que programas regulares podem reduzir a dor em cerca de 20% a 30% e melhorar de forma significativa a capacidade funcional e a qualidade de vida.

Outras abordagens, como a terapia manual, podem ajudar no alívio dos sintomas, enquanto a educação postural e as técnicas de relaxamento contribuem para reduzir a tensão muscular e melhorar a forma como o corpo reage à dor no dia a dia.

Os programas mais eficazes combinam diferentes tipos de exercício, nomeadamente:

  • Caminhadas ou exercício aeróbico leve a moderado
  • Exercícios de fortalecimento com carga leve ou peso corporal
  • Alongamentos suaves e progressivos
  • Fisioterapia aquática e/ou hidroginástica
  • Exercícios respiratórios e técnicas de relaxamento

O exercício em meio aquático aquecido, permite reduzir a carga nas articulações e facilitar o movimento, sendo especialmente útil em pessoas com maior sensibilidade à dor.

A fisioterapia tem também um papel importante na superação da cinesiofobia — o medo do movimento — comum nestes doentes. Através de uma progressão segura e orientada, o fisioterapeuta ajuda a restabelecer a confiança no corpo e a reduzir o receio de que o movimento possa agravar a dor.

A prática de exercícios de forma progressiva e adaptada, está associada a melhorias não só na dor, mas também no sono, no humor e na qualidade de vida em geral. Manter a regularidade será um fator-chave.

O papel do fisioterapeuta é orientar este processo, ajustando o plano a cada pessoa e promovendo autonomia na gestão da doença