Um terço dos portugueses sofre de alergia: rinite alérgica, conjuntivite alérgica e asma alérgica, que se intensifica na primavera. Que podem eles fazer?
Artigo da responsabilidade da Dra. Sofia Pinto Luz. Médica coordenadora de Imunoalergologia do Hospital CUF Cascais. Criadora da Plataforma Online @Senhora_Alergia
A primavera traz sol, mas também oferece alergias respiratórias. De facto, esta época do ano pode ser muito complicada para quem sofre de alergia a pólenes.
Viver agarrado a lenços de papel, não parar de espirrar, pingar do nariz e tê-lo sempre entupido: tantas pessoas se identificam com estas características. Queixas que podem ser muito incomodativas e extremamente condicionantes.
SINTOMAS TRATÁVEIS
Uma boa parte da população parece aceitar viver com alergia respiratória na primavera, afetando enormemente a sua qualidade vida, tomando irregular e pontualmente anti-histamínicos sem prescrição médica e vivendo conformados com sintomas que são tratáveis, se procurarem um médico especialista em alergias, o imunoalergologista.
Além disso, nem todas a pessoas sabem que se deve mesmo tratar a rinite alérgica, de forma a esta não evoluir para asma alérgica.
OS VERDADEIROS “CULPADOS”
Em todas as épocas polínicas, os sintomas de alergia voltam a aparecer… E, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não são os dentes-de-leão nem o “algodão-dos-choupos” os maiores responsáveis pelos sintomas de alergia na primavera. Curiosamente, estes grãos de pólen são grandes demais para entrar no nosso sistema respiratório.
As partículas de pólen que causam verdadeiramente reações alérgicas não são visíveis a olho nu. Os pólenes que surgem de março a junho e que mais frequentemente causam alergia na primavera são os das gramíneas. O pólen da árvore da oliveira é o pólen de árvores maior causador de alergia respiratória na Península Ibérica.
Quanto às ervas, a Parietaria judaica é a que causa mais frequentemente alergia. Esta erva é comumente chamada de alfavaca-de-cobra e causa sintomas alérgicos em duas alturas do ano: abril/maio e em setembro/outubro.
Contudo, é preciso lembrar que, apesar dos incómodos que provocam, os grãos de pólenes na primavera são transportados pelo vento, dando continuidade à vida de grande parte das espécies de flora, tendo um papel extremamente importante na natureza.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Nos últimos anos, tornou-se extremamente complicado prever as épocas de polinização de cada árvore ou planta, pois o clima tem mudado bastante.
A chuva funciona como um sistema lavante da atmosfera, ao reduzir a concentração de pólenes no ar. Com a paragem da chuva e o retorno do calor, há um aumento súbito dos níveis de pólen no ar. Em Portugal, a chuva de fevereiro e março tem sido associada ao atraso do início da temporada polínica.
Recorrentemente, ouvimos alertas sobre a fraca qualidade do ar em Portugal, devido à chegada de poeiras provenientes do norte de África. Este aumento das concentrações de partículas de poeira na atmosfera agrava os sintomas de alergia pré-existente, causando irritação da via respiratória e irritação ocular.
VACINA DA ALERGIA
Para quem sofre de rinite alérgica ou não usa medicamentos e aceita viver com sintomas alérgicos ou, então, toma muitos anti-histamínicos, o tratamento pode passar por imunoterapia específica com pólenes, a chamada “vacina da alergia”.
As “vacinas das alergias” são muito uteis, pois fazem, não só diminuir os sintomas alérgicos, mas também reduzem bastante o uso de medicamentos. Além disto, tem sido provado, que esta imunoterapia previne que um doente com rinite alérgica acabe, ao longo das várias primaveras, a adquirir asma alérgica.
Leia o artigo completo na edição de abril 2026 (nº 370)














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