Doença venosa crónica não pode ser desvalorizada

Dores nas pernas, pernas inchadas, pesadas e cansadas são sintomas que afetam mais de dois milhões de portuguesas. São sinais de doença venosa crónica. Os doentes têm muitas vezes varizes ou telangiectasias, vulgarmente chamados derrames. Se não tratada, a doença pode evoluir de forma muito negativa, como a úlcera venosa ou a trombose venosa superficial (tromboflebite). Infelizmente, estes sinais tão conhecidos, são frequentemente desvalorizados e vistos como um problema apenas estético. Mas é preciso tratar adequadamente a doença venosa crónica, para que não avance de forma irreversível.

Artigo da responsabilidade da Dra. Joana Ferreira. Especialista em Cirurgia Vascular, membro da Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular

 

Dos primeiros sintomas às complicações

Alguns doentes na fase inicial da doença venosa crónica apresentam queixas (sintomas), mas ainda sem sinais visíveis. Estes pacientes devem ser tratados para melhoria da sintomatologia e para prevenir a progressão da doença venosa.

Telangiectasias (conhecidos por “raios” ou “aranhas vasculares”) e as varizes reticulares fazem parte dos primeiros sinais. As telangiectasias ou varizes telangiectásicas, resultam de confluência de vénulas intradérmicas dilatadas, com menos de 1 mm de diâmetro. As varizes reticulares são veias subdérmicas azuladas e dilatadas, geralmente tortuosas com 1 a 3 mm de diâmetro.

A manifestação clínica mais conhecida da doença venosa são as varizes tronculares (veias dilatadas e tortuosas com diâmetro superior a 3 mm), que afetam cerca de 40% das mulheres portuguesas, mas que também podem ocorrer nos homens.

A doença venosa crónica, tal como o seu nome indica, é uma patologia com caráter evolutivo que, quando não diagnosticada e tratada atempadamente, poderá originar complicações sérias, com limitações claras para o indivíduo e com reais consequências para a sociedade. A doença venosa pode causar alterações na estrutura da pele, como eczema e lipodermatosclerose. A pele perde elasticidade, fica acastanhada e descamativa. Nas fases mais avançadas surge a úlcera venosa, uma ferida na perna causada pela Doença Venosa Crónica, muitas vezes dolorosa e que exige cuidados de penso regulares.

Adicionalmente à evolução previsivelmente gravosa da doença venosa crónica, as varizes podem associar-se às seguintes complicações: trombose venosa superficial (poderá, em algumas circunstâncias, evoluir para trombose venosa profunda, que pode, por sua vez, originar uma embolia pulmonar), varicorragia (hemorragia causada por rotura de uma variz) e úlcera venosa. A trombose venosa superficial, também denominada por “flebite”, consiste na formação de um coágulo dentro da veia. A veia fica dura, vermelha e causa dor.

Como fazer o diagnóstico

É uma doença de fácil diagnóstico. Este é feito através das queixas do doente (história clínica), observando as pernas do paciente (exame objectivo) e, eventualmente, através de um exame complementar de diagnóstico, o eco-Doppler. O eco-Doppler é uma ecografia que permite estudar a função e a morfologia das veias.

Como tratar

A doença deve ser tratada desde as suas fases iniciais. Atualmente, existem várias opções terapêuticas. O tratamento é adaptado à fase da doença e ao doente. É um tratamento personalizado. Alguns pacientes são tratados com medicação para a parede das veias e meia elástica. Outros fazem tratamento com escleroterapia líquida, espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia minimamente invasiva. O médico decide qual é a melhor opção para cada doente. Na maioria das vezes, o doente precisa de uma combinação de tratamentos.

Recomendações:

Mexa-se!

Estar muito tempo parada, em pé ou sentada, é prejudicial. Se tiver que passar muito tempo imóvel faça por andar alguns minutos durante o dia ou faça movimentos circulares com os pés. Melhor ainda, escolha um desporto de que goste e pratique-o regularmente. Caminhadas, ginástica, ciclismo, natação ou golfe são exemplos de exercícios.

Mantenha uma alimentação saudável

Alimentar-se corretamente vai contribuir para controlar o peso e melhorar o funcionamento intestinal. Beba pelo menos 1,5 litros de água por dia.

Evite ambientes quentes

O calor aumenta as queixas de doença venosa crónica. É aconselhável evitar a exposição ao calor excessivo, seja do sol, depilação com cera quente, banhos muito quentes ou sauna. Dê preferência a lugares frescos e ajude as suas pernas com um duche frio, ao fim do dia. Caminhe à beira-mar no verão, por exemplo.

Não fume

O tabagismo está associado a maior incidência de doença venosa crónica e de trombose venosa superficial.

Previna a doença venosa crónica mesmo a dormir

Antes de deitar, experimente fazer movimentos de pedalar. Durma com os pés elevados entre 10 cm a 15 cm em relação ao corpo. Estas estratégias vão melhorar o retorno venoso.

Use meias de compressão

As meias de compressão prescritas pelo seu médico e corretamente adaptadas às suas pernas são fundamentais para alívio das queixas. Use-as, sobretudo se passar muito tempo em pé.

 Cuide da sua pele

Cuidados diários de hidratação da pele são fundamentais, para evitar coceira e lesões cutâneas, que poderão terminar em feridas. Caso tenha uma ferida deverá lavá-la com soro-fisiológico e protegê-la.

Faça massagens às suas pernas

Massagens regulares são fundamentais. E pode fazê-las a si própria: com movimentos circulares ascendentes, ou seja, de baixo para cima. Faça as massagens ao final do dia e vai sentir a diferença.

Dê atenção ao seu corpo

Se há pessoas mais predispostas a desenvolver doença venosa crónica do que outras, também há momentos da vida em que a mulher está mais propensa à doença e aos seus sintomas, como por exemplo na gravidez.

Consulte o seu médico

A doença venosa crónica não deve ser desvalorizada. É um problema de saúde e deve ser tratado. Consulte o seu médico. De acordo com o seu caso, pode necessitar de tratamento com os chamados medicamentos venoativos e cada vez mais existem novas opções que combinam eficácia e facilidade de tratamento.

 

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