Distúrbios da tiroide: esclarecimentos e recomendações

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Nos últimos anos, o conhecimento sobre os distúrbios da tiroide tem vindo a aumentar, interesse motivado pela sua importância fundamental na saúde e bem-estar. Em particular, o tratamento do hipotiroidismo é hoje muito eficaz, embora exija alguns cuidados.

 

Artigo da responsabilidade da Dr.ª Maria João Oliveira, médica endocrinologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho

 

A tiroide é uma pequena glândula que pesa apenas cerca de 15 a 25g e está localizada na face anterior da base do pescoço. Tem a forma de uma borboleta, com dois lobos unidos pelo istmo, cada um num dos lados da traqueia.

É  uma glândula endócrina porque as duas hormonas que produz – T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina) – são secretadas diretamente para o sangue. É através da corrente sanguínea que as hormonas vão chegar a todas as células, tecidos e órgãos. Ajudam a utilizar a energia, mantêm a temperatura corporal, permitem o crescimento e desenvolvimento na criança e o funcionamento normal do coração,  cérebro, músculos e outros órgãos.

APORTE EM IODO

Um aporte adequado em iodo é fundamental para a síntese de hormonas tiroideias. O iodo está presente nos peixes e mariscos provenientes do mar, no leite e derivados e nalguns vegetais (no entanto, a sua concentração nestes últimos depende do teor em iodo do solo onde são cultivados). A alimentação deve ser variada com estes alimentos em concentração equilibrada.

Se se suspeitar de um défice de iodo, pode também optar-se por usar sal iodado, não esquecendo, no entanto, que o uso excessivo de sal é prejudicial para a saúde. Em Portugal, e porque se provou que existia um défice de iodo durante a gravidez, as mulheres devem tomar um suplemento de iodo no período antes da conceção, durante toda a gestação e na amamentação

DOENÇAS RELATIVAMENTE FREQUENTES

As doenças da tiroide são relativamente frequentes. Pensa-se que entre 5 a 10% dos portugueses tenha alguma forma de doença da tiroide, embora não se conheçam os números exatos em Portugal. As mulheres são cerca de 10 vezes mais afetadas do que os homens.

Sabe-se que quando a glândula tiroideia funciona mal, o funcionamento dos outros orgãos pode também não ser normal. A tiroide, por sua vez, é estimulada por outra hormona – a TSH (hormona tireoestimulante) – que é produzida numa glândula, a hipófise, que se localiza na base do cérebro, por detrás do nariz.

O funcionamento da tiroide é muito fácil de avaliar. Através de uma simples análise ao sangue, que doseia a TSH e a T4, é possível saber se a tiroide trabalha ou não normalmente.

Há algumas circunstâncias nas quais é importante que o médico requisite uma análise à função da tiroide, designadamente nos seguintes casos: na mulher que pretende engravidar ou após o início da menopausa; no doente com diabetes; nas pessoas submetidas a radiação da cabeça ou pescoço ou que façam tratamento com determinados fármacos; no caso de algumas síndromes genéticas, como a trissomia 21 ou a síndrome de Turner; na criança que não se desenvolve; e em caso de demência ou alterações psiquiátricas.  Sempre que surjam sinais ou sintomas que possam sugerir uma doença da tiroide, o médico deve estar atento e requisitar esta análise.

As duas alterações da função da tiroide são o hipertiroidismo e o hipotiroidismo. Este é cerca de 10 vezes mais frequente que o primeiro.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2018 (nº 286)

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