COVID-19: o problema dos falsos positivos e outras questões relevantes

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É importante chamar a atenção para o problema dos testes falsos positivos, pois é uma realidade que pode desencadear uma série de procedimentos com uma cascata de custos económicos e pessoais incomensuráveis. E há outras questões que também não devem ser ignoradas.

 

Artigo da responsabilidade da Dra. Ivone Mirpuri, Médica Patologista Clínica; Especialista em Medicina Antienvelhecimento, pela World Society of Anti-Aging Medicine; Especialista em Hormonologia, pela International Hormone Society; Certificação em Medicina Antienvelhecimento, pelo Cenegenics,  Nevada University, USA

 

 

 

Continuamos a não saber muito sobre a COVID-19, mas o conhecimento está a evoluir a “passos largos”.  Assim, tudo o que eu expressar neste artigo, nada tem a ver com opiniões pessoais, mas com aquilo que diariamente investigo e estudo, baseado em  bibliografia e bases de dados de publicações médicas, com algum critério de publicação, e obviamente com a racionalidade própria.

SINTOMAS MAIS FREQUENTES

Todas as pessoas, penso eu, já sabem quais os sintomas a que devem estar atentas. Ainda assim, recordo: sintomas típicos são tosse, febre ou febrícula, muitas vezes menos de 37,5º C, e dor de garganta. Sintomas menos típicos são a perda de olfato ou paladar, dores no corpo, cansaço, tonturas, diarreia, tremores e sensação geral de que algo não está bem.

O período mais contagioso, segundo a maioria dos estudos, é de cerca de 2 dias antes até 14 dias depois de surgir a sintomatologia, quando parece que a carga viral é, de facto, mais elevada (carga viral é o número de partículas virais por mL de amostra e reflete a replicação no indivíduo).

Sabemos que há doentes que permanecem sem quaisquer sintomas no decurso da “doença” – são os verdadeiros assintomáticos –, mas a grande maioria apresenta sinais atípicos e nem os valoriza. E, por isso, é necessário reconhecê-los para que se possa proteger e proteger os outros.

A verdade é que o SARS-Cov-2 é considerado altamente contagioso e ainda não conhecemos a sua dose infecciosa, ou seja a quantidade de vírus necessária para a infeção. O doente pode libertar poucas partículas e ser altamente infeccioso (dose infecciosa baixa) ou libertar muitos vírus no ambiente, sendo que a propagação da infeção está condicionada pela quantidade do inóculo de quem emite e pela imunidade de quem recebe.

Chamamos pré-sintomáticos aos que vão desenvolver a doença, mas que no momento do diagnóstico são ainda assintomáticos. Muitos destes apresentam sinais e sintomas atípicos. Chamamos sintomáticos aos que apresentam já sinais e sintomas no momento do diagnóstico.

Toda a revisão bibliográfica referiu que o facto de ser sintomático, assintomático ou pré-sintomático não tem a ver com a quantidade de carga viral no organismo. Isto significa que, apresentando a mesma carga viral, o doente pode ser assintomático, pré-sintomático ou apresentar sintomas graves.

Alguns estudos referem que é mais fácil o contágio com maior carga viral. Seria lógico, mas isto não está estabelecido, pois mais uma vez tudo depende de quem está no outro lado, a receber a nossa potencial infecciosidade. Daqui que medicina preventiva e reforço de sistema imune são deveras importantes.

INTERPRETAÇÕES ERRÓNEAS

Utentes com testes RT-PCR positivos não significa que sejam infecciosos. Isto faz-me perguntar: se os assintomáticos não contagiam tanto ou não contagiam de todo, segundo alguns trabalhos, como podem ter a mesma quantidade de carga viral que uma pessoa sintomática que é considerada altamente contagiante? A resposta obtém-se no sistema imunitário individual, que consegue “travar” mais depressa a doença e a sua evolução. E acontece porque os testes de PCR detetam partículas do vírus, e partículas do vírus não significam doença, mesmo com altas cargas virais.

Todos devemos perceber isto, para não fazermos interpretações erróneas e tomarmos decisões negativas e desnecessárias, com grande impacto social e económico.

A PCR deteta partículas do vírus, não o vírus na íntegra, o que é necessário para a penetração na célula. Um vírus é uma partícula tão, mas tão pequena, na ordem no nanómetro, que não há filtro que lhe resista. E precisa de um ser vivo para sobreviver, pois vai depender deste para a sua replicação celular, podendo então sair dessa célula e infetar muitas outras.

Leia o artigo completo na edição de novembro 2020 (nº 310)

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