Beber água é a forma mais simples, eficaz e económica de prevenir a formação de pedras nos rins. Mas, por vezes, não é suficiente.
Artigo da responsabilidade do Prof. Dr. Tiago Rodrigues. Coordenador da Clínica de Urologia – Hospital Cruz Vermelha
A litíase urinária, vulgarmente conhecida como pedra no rim, é uma das patologias urológicas mais frequentes em todo o mundo. Estima-se que cerca de 10% da população terá, pelo menos uma vez na vida, um episódio de cólica renal. Em Portugal, esta prevalência segue a mesma tendência dos países ocidentais e tem vindo a aumentar, refletindo as alterações do estilo de vida e da dieta moderna: maior consumo de proteínas animais, excesso de sal, aumento do sedentarismo e, sobretudo, a baixa ingestão de líquidos.
Mas será que beber mais água pode realmente evitar a formação destas pedras? A resposta é clara: sim!
A ingestão adequada de líquidos é, de longe, a medida mais eficaz e comprovada na prevenção da litíase urinária. No entanto, como em quase todas as questões da Medicina, a realidade é um pouco mais complexa e merece uma explicação detalhada.
COMO SE FORMAM AS PEDRAS NO RIM?
Os cálculos urinários são formados por cristais de minerais e sais que precipitam na urina. A urina, embora pareça um líquido homogéneo, é uma solução supersaturada com várias substâncias, como cálcio, oxalato, ácido úrico e outros compostos. Quando a concentração destas substâncias atinge um determinado limite, elas podem cristalizar. Se esses cristais não forem eliminados, começam a juntar-se, formando uma pequena pedra que pode crescer progressivamente.
Existem vários tipos de cálculos, sendo os mais comuns os de oxalato de cálcio. Outros tipos incluem cálculos de ácido úrico, fosfato de cálcio, estruvite (associados a infeções urinárias) e cistina (em casos hereditários).
É importante referir que as pedras podem formar-se no rim e permanecer lá sem provocar sintomas. No entanto, quando migram para o ureter (o tubo que liga o rim à bexiga) e bloqueiam a passagem da urina, causam uma das dores mais intensas conhecidas na prática clínica: a cólica renal.
O PAPEL DA ÁGUA NA PREVENÇÃO
A principal razão pela qual a ingestão de água ajuda a prevenir a formação de cálculos é simples: diluição da urina.
Quando bebemos mais líquidos, produzimos mais urina e essa urina torna-se mais diluída. Uma urina diluída tem menor concentração de sais e minerais, diminuindo a probabilidade de precipitação e formação de cristais.
Estudos clínicos demonstram que indivíduos que ingerem menos de 1 litro de urina por dia têm um risco duas vezes maior de desenvolver cálculos urinários do que aqueles que mantêm uma diurese acima de 2 litros por dia. Por isso, o objetivo não é apenas “beber água”, mas assegurar que essa ingestão se traduz numa urina clara e abundante.
O ideal é produzir cerca de 2 litros de urina por dia, o que normalmente implica ingerir cerca de 2 a 2,5 litros de líquidos diários, ajustando-se em função do clima, da atividade física e da sudorese. Em dias mais quentes ou em situações de maior transpiração, essa necessidade aumenta.
Leia o artigo completo na edição de dezembro 2025 (nº 366)














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