A saúde ocular continua a ser uma das áreas mais negligenciadas da saúde, o que faz com que muitas patologias oculares evoluam de forma assintomática nas fases iniciais e sejam frequentemente diagnosticadas apenas quando já provocaram danos irreversíveis na visão.

No âmbito do Dia Mundial da Saúde Ocular, importa alertar para três dos principais desafios atuais da saúde visual: a miopia, o glaucoma e as cataratas. Segundo a OMS, “estas patologias estão entre as principais causas de deficiência visual e cegueira em todo o mundo”, reforçando a importância da prevenção, da deteção precoce e do acompanhamento regular da saúde ocular.

Miopia: uma geração que vê cada vez pior ao longe

Nos últimos anos, tem-se observado um aumento significativo da prevalência da miopia, particularmente entre crianças e adolescentes. A evidência científica sugere que este fenómeno está associado à combinação de fatores genéticos e ambientais, como o aumento do tempo dedicado a atividades de visão de perto e a redução do tempo passado ao ar livre, que favorecem o desenvolvimento e a progressão da miopia.

“A OMS lembra-nos que os erros refrativos não corrigidos continuam entre as principais causas de deficiência visual em todo o mundo. Na prática clínica, sabemos que um diagnóstico atempado da miopia e um acompanhamento adequado podem fazer uma diferença significativa na qualidade da visão ao longo da vida, sobretudo quando falamos de crianças e jovens”, afirma Marcelo Filipe, optometrista da GrandOptical. 

Glaucoma: a doença silenciosa que pode roubar a visão

O glaucoma é uma doença ocular crónica que afeta o nervo ótico e uma das principais causas de cegueira irreversível. Embora não possa ser prevenido, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem reduzir significativamente o seu impacto, reforçando a importância da vigilância regular da saúde ocular.

Embora o risco aumente com a idade, fatores como antecedentes familiares, diabetes, hipertensão arterial ou miopia elevada justificam um acompanhamento mais próximo. “O grande desafio do glaucoma é precisamente a sua evolução silenciosa. Esperar pelos primeiros sinais pode significar perder visão que já não será possível recuperar”, alerta Marcelo Filipe.

Cataratas: uma consequência natural do envelhecimento que pode ser tratada

As cataratas são uma das principais causas de diminuição da visão em todo o mundo e resultam da perda progressiva da transparência do cristalino, comprometendo a qualidade da visão. Embora estejam maioritariamente associadas ao envelhecimento, existem fatores que podem acelerar o seu desenvolvimento, tornando fundamental a realização de avaliações regulares da saúde ocular para um diagnóstico atempado e uma intervenção adequada. “Muitas pessoas acreditam que é normal perder visão com a idade e acabam por adiar a ida ao especialista. No caso das cataratas, um diagnóstico atempado permite acompanhar a evolução da doença e planear o tratamento no momento mais adequado, evitando um impacto desnecessário na qualidade de vida”, explica Marcelo Filipe.

Recomendações

Muitas doenças oculares podem ser prevenidas, controladas ou tratadas quando diagnosticadas precocemente. Por isso, os especialistas recomendam:

  • Realizar avaliações regulares da saúde ocular, mesmo na ausência de sintomas;
  • Promover consultas regulares de Optometria em crianças e jovens para detetar precocemente a miopia e controlar a sua progressão;
  • Considerar a utilização de lentes específicas para o controlo da progressão da miopia, sempre que clinicamente indicado;
  • Proteger os olhos da radiação UV com óculos de sol ou lentes fotocromáticas;
  • Fazer pausas regulares durante a utilização prolongada de dispositivos digitais, seguindo a regra 20-20-20;
  • Adotar um estilo de vida saudável, com uma alimentação equilibrada e um bom controlo de doenças como a diabetes e a hipertensão arterial.

“Grande parte das doenças oculares desenvolve-se de forma silenciosa. Esperar pelos primeiros sintomas pode significar perder uma oportunidade importante de preservar a visão. A prevenção e o acompanhamento regular continuam a ser as ferramentas mais eficazes para garantir uma boa saúde ocular ao longo da vida”, conclui Marcelo Filipe.

Fonte: GrandOptical