Com a prevalência da obesidade em ascensão, novas técnicas menos invasivas em evolução e um reconhecimento mais amplo da obesidade como uma doença fisiopatológica que requer terapia primária, o gastrenterologista está a emergir como um ator-chave no tratamento multidisciplinar de pacientes com distúrbios de obesidade e excesso de peso.
Artigo da responsabilidade do Dr. Miguel Afonso. Gastrenterologista. Diretor da Gastroclinic
Tradicionalmente, os gastrenterologistas não se concentravam no tratamento da obesidade, embora já tratassem muitas doenças relacionadas, incluindo refluxo gastroesofágico, doença da vesícula biliar e fígado gordo.
A obesidade tem sido considerada como um fator de risco significativo para as cinco principais doenças malignas do trato gastrointestinal. Com o crescente reconhecimento do papel integral que o trato gastrointestinal desempenha na fisiopatologia da obesidade, esta pode ser vista com maior clareza pelos gastrenterologistas como uma doença digestiva.
Temos conhecimento de que a disfunção no trato gastrointestinal predispõe os indivíduos à obesidade e às suas consequências, como síndrome metabólica e diabetes, e de que a cirurgia bariátrica, ao alterar o trato gastrointestinal, pode ajudar a melhorar o problema da obesidade e diabetes.
LACUNA NO TRATAMENTO
Embora as cirurgias bariátricas e metabólicas, como a gastrectomia vertical e o bypass gástrico em Y de Roux, continuem a ser as estratégias a longo prazo mais bem sucedidas para a perda de peso, apenas uma pequena percentagem de doentes é elegível ou estão dispostos a submeter-se a uma cirurgia invasiva, devido aos riscos e custos associados.
Por outro lado, alterações no estilo de vida e terapias farmacológicas isoladamente são insuficientes para muitos pacientes que não se qualificam para a cirurgia e, como tal, existe uma lacuna significativa na gestão da obesidade.
A lacuna de tratamento resultante inclui dois subconjuntos principais de pacientes: a maioria dos pacientes com obesidade leve a moderada (obesidade grau I e II) que não se qualificam para cirurgia bariátrica e para quem o estilo de vida e as intervenções médicas são inadequadas; e os pacientes qualificados com IMC maior de 40 (ou acima de 35 com comorbidades médicas), mas que não estão dispostas a fazer cirurgia.
TRATAMENTOS ENDOSCÓPICOS
Os métodos endoscópicos menos invasivos surgiram como opções de tratamento eficazes, reversíveis, relativamente seguras e mais acessíveis, representando uma “janela terapêutica” para pacientes que se enquadram nessa lacuna de tratamento da obesidade grau I e II.
Como tal, oferecemos tratamentos mais eficazes para a obesidade do que a intervenção isolada no estilo de vida, mas com menor custo e risco do que a cirurgia bariátrica, e é por isso que estes métodos endoscópicos são adequados para preencher a lacuna existente.
Além disso, os tratamentos endoscópicos podem também ser utilizados como ponte para a cirurgia bariátrica em pacientes com o IMC demasiado elevado.
O gastrenterologista está, desta forma, a emergir como um ator-chave no tratamento multidisciplinar de pacientes com distúrbios de obesidade e excesso de peso.
Leia o artigo completo na edição de maio 2026 (nº 371)














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