Seja para alterar aspetos que causam desconforto estético ou por motivos de saúde, sabia que o inverno é considerado a estação ideal para a realização de tratamentos e cirurgias estéticas?

Artigo da responsabilidade do Dr. Manuel Caneira. Coordenador de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética nos hospitais CUF Tejo e CUF Descobertas

 

O inverno é uma estação especialmente indicada para procedimentos estéticos, sobretudo aqueles que exigem um período de recuperação delicado. Nos meses frios, fatores como a menor incidência solar e as temperaturas baixas minimizam os riscos de manchas, irritações e outras possíveis complicações, após tratamentos como peelings, remoção de manchas e cicatrizes, e cirurgias estéticas.

PORQUE É QUE O INVERNO É A ESTAÇÃO ADEQUADA?

Muitos tratamentos estéticos tornam a pele temporariamente mais sensível à luz solar. No inverno, com dias mais curtos e com as pessoas a passarem mais tempo em ambientes fechados, por um lado, é mais fácil evitar a exposição solar direta, prevenindo o aparecimento de hiperpigmentação (manchas).

Por outro lado, a adesão aos cuidados necessários no pós-tratamento e o cumprimento das orientações médicas tendem a ser mais fáceis, na medida em que é menos incómodo usar roupas protetoras ou compressivas, quando necessário.

O clima frio também ajuda a reduzir o edema, vulgarmente conhecido como inchaço, a vermelhidão e o desconforto, comuns após procedimentos mais invasivos, favorecendo uma recuperação mais rápida e confortável. Além disso, a pele regenera melhor, uma vez que tende a manter-se mais estável, produzindo menos oleosidade e suor, o que contribui para resultados mais eficazes e menor risco de infeções.

No que toca aos procedimentos que exigem múltiplas sessões ou que têm resultados progressivos, fazê-los no inverno pode permitir alcançar os efeitos desejados até ao verão – a estação em que o corpo está mais exposto e há uma maior preocupação com a aparência.

PROCEDIMENTOS MAIS APROPRIADOS PARA O INVERNO

Os procedimentos que envolvem alguma forma de agressão controlada à pele são os mais recomendados para o inverno.

  • Peelings químicos – Estes tratamentos utilizam ácidos para remover camadas superficiais da pele, promovendo a regeneração celular e a produção de colagénio. A exposição solar é o principal fator de risco após um peeling, e a menor incidência de raios ultra violeta (UV), no inverno, diminui drasticamente a possibilidade de aparecimento de manchas escuras durante a recuperação. Além disso, a pele nova é extremamente sensível ao sol, pelo que é uma altura adequada para realizar este tipo de procedimento.
  • Tratamentos a LASER – Utilizam energia luminosa para tratar manchas, remover tatuagens, cicatrizes, pelos e pequenos vasos, e promover o rejuvenescimento, através da estimulação de colagénio. Após os procedimentos, a pele fica mais sensível e é necessário evitar o sol. O inverno facilita o cumprimento desta orientação, garantindo uma maior proteção contra os danos causados pelos raios UV e uma cicatrização mais segura, que potenciam os resultados.
  • Tratamentos com luz intensa pulsada – Semelhante ao LASER, a luz intensa pulsada é utilizada para tratar manchas, vasos e a flacidez. A pele tratada deve ser protegida do sol, para evitar complicações.
  • Microagulhamento – Este procedimento estimula a produção de colagénio – proteína fibrosa que dá força e elasticidade aos tecidos – através de microlesões. É usado para tratar cicatrizes de acne, rugas e estrias, e requer cuidados rigorosos com a exposição solar, durante a fase de cicatrização. O inverno facilita o cumprimento destas orientações.
  • Tratamentos para manchas/melasma – Tratam-se de protocolos específicos, muitas vezes envolvendo ácidos e tecnologias de luz, para clarear pigmentações. Como o melasma e outros tipos de manchas são agravados pelo sol, o inverno oferece um ambiente mais controlado e favorável ao sucesso da despigmentação cutânea.
  • Bioestimuladores de colagénio – São substâncias injetáveis que estimulam a produção natural de colagénio, ao longo do tempo. Os resultados são progressivos, isto é, demoram algum tempo a atingir o pico. Começar no inverno possibilita que a pele esteja mais firme e com melhor textura para a estação seguinte.
  • Toxina botulínica e preenchimento com ácido hialurónico – Embora possam ser feitos em qualquer época, o inverno é adequado para combiná-los com outros tratamentos que têm mais restrição solar.

CIRURGIAS MAIS INDICADAS NO INVERNO

No que toca às cirurgias estéticas, as mais procuradas e recomendadas no inverno são aquelas que exigem um tempo de recuperação maior ou o uso de acessórios compressivos. São diversas as que se poderão considerar nesta estação, pela menor probabilidade de complicações no pós-operatório.

  • Lipoaspiração – Remoção de gordura localizada.
  • Abdominoplastia – Remoção do excesso de pele e gordura na região abdominal, frequentemente associada à lipoaspiração.
  • Mamoplastia – Alteração do volume, formato ou reconstrução das mamas.
  • Rinoplastia – Cirurgia de correção estética e/ou funcional do nariz.
  • Blefaroplastia – Cirurgia para remoção de excesso de pele e bolsas de gordura das pálpebras.
  • Ritidectomia facial (lifting) – Tratamento da flacidez do rosto e pescoço.

VANTAGENS

As principais vantagens de planear a sua cirurgia estética para os meses mais frios são, em primeiro lugar, o maior conforto na utilização de acessórios compressivos. Muitas destas cirurgias, como a lipoaspiração, a abdominoplastia e a mamoplastia, exigem o uso de cintas ou sutiãs compressivos, por um longo período pós-operatório. Com o calor, esses acessórios são mais incómodos, podendo causar transpiração excessiva e desconforto térmico. Com o frio, o uso torna-se mais tolerável e confortável.

Além disso, tal como nos tratamentos estéticos que não envolvem cirurgia, o clima frio ajuda na recuperação. As baixas temperaturas tendem a diminuir a dilatação dos vasos sanguíneos e a retenção de líquidos, o que contribui para um menor inchaço e, em alguns casos, até para uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

Outro fator importante é a proteção contra o sol. A exposição ao sol é o maior inimigo da boa cicatrização e da pele recém-tratada, após uma cirurgia estética. A exposição solar direta ou intensa, especialmente no primeiro ano, pode causar hiperpigmentação. No inverno, é naturalmente mais fácil evitar o sol e cobrir as áreas operadas com roupas, facilitando a cicatrização ideal e a redução do risco de manchas.

As roupas típicas do frio também oferecem uma cobertura natural maior. O uso de casacos, calças e roupas mais folgadas ajuda a ocultar pensos, hematomas e inchaços, bem como o uso de malhas compressivas, nos casos em que é necessário, garantindo uma maior discrição durante o período de recuperação.

Fazer o procedimento no inverno possibilita, ainda, que esteja recuperada para a próxima estação quente. Algumas cirurgias exigem meses para que o edema desapareça completamente e os resultados definitivos sejam visíveis. Ao realizar a cirurgia nesta estação, na grande maioria dos casos, terá o tempo necessário para o repouso e para a recuperação antes do verão, podendo aproveitar a praia e as atividades ao ar livre sem preocupações.

Leia o artigo completo na edição de janeiro 2026 (nº 367)