Plantas medicinais: mil e uma aplicações

0

Desde a mais remota Antiguidade, os homens utilizam as plantas como remédio para aliviar ou curar as suas doenças. Descubra o mundo das plantas medicinais e saiba como criar a sua própria ervanária caseira.

 

Uma das lendas do Ayurveda, a medicina milenar da Índia, conta que, como prova de seleção, um grupo de aspirantes a curandeiros foi mandado percorrer uma área de 100 km em busca de uma planta que não contivesse qualquer propriedade medicinal. Superou a prova o estudante que regressou sem nada, pois um dos princípios da terapêutica vegetal é que qualquer planta possui virtudes curativas, desde que se saiba usá-la.

De facto, as ervas medicinais desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento da nossa sociedade. Todas as civilizações se valeram delas, ao longo da História, para aliviar todo o tipo de males. Ainda hoje, milhões de pessoas continuam a usar produtos vegetais naturais na sua vida quotidiana.

Cultivar, colher e conservar

A escolha da substância que se deve usar em cada situação está sujeita à influência de fatores como a estação, a constituição e a idade de quem vai tomar o remédio, o seu estado físico e psicológico e, inclusive, a sua capacidade digestiva. A dose quase nunca é fixa e, devido aos milhares de fórmulas possíveis, o mais razoável é consultar um ervanário de confiança, antes de adquirir as ervas.

A forma como se cultiva, colhe e conserva cada erva afeta as suas propriedades finais, pelo que é muito importante prestar a devida atenção a este aspeto.

As plantas medicinais cultivadas em casa devem estar afastadas de fontes de calor excessivo – radiadores, aparelhos elétricos, etc. – e devem plantar-se sempre em terra bem drenada e livre de parasitas, minhocas ou bolor.

Antes de elaborarmos infusões ou decocções com as nossas plantas medicinais “caseiras”, deveremos verificar se estão bem enraizadas e se apresentam boa cor, dois sinais inequívocos de qualidade. Nunca deveremos, por exemplo, usar uma planta atacada por insetos, como o pulgão.

As flores devem colher-se logo que aparecem, para que conservem todas as suas propriedades. Uma vez colhidas, se não forem utilizadas imediatamente, as folhas e os caules devem ser secos num quarto escuro e sem humidade, para serem guardados, de seguida, em potes de vidro escuro, com fecho hermético.

 

 

Um remédio para cada problema

  • Indigestão

Uma infusão de camomila ajudará a ultrapassar o problema.

  • Insónia

Para a insónia, está recomendada uma infusão de qualquer das seguintes ervas: manjerona, flor-de-laranjeira, flor-de-maracujá, salva, papoila, camomila ou tília; ou uma decocção de valeriana.

  • Problemas do fígado

Para o fígado, está indicada uma infusão de sementes de cardo-mariano, fumária, dente-de-leão, boldo ou alecrim. A maioria destas plantas apresenta um sabor amargo, pelo que se recomenda tomar a tisana fria e açucarada com mel de alecrim.

  • Problemas respiratórios

As tisanas de agulhas de pinheiro são as melhores para os problemas respiratórios, pela sua ação balsâmica.

  •  Vómitos

Tomar uma infusão de erva-cidreira, pelas suas propriedades antiespasmódicas e digestivas, pode ser bastante útil.

 

 

Cosmética natural

  • Loção suavizante

Num litro de água a ferver, prepara-se uma infusão com cinco flores de camomila, três punhados de rosas-silvestres, um punhado de malvaísco – alteia –, dois punhados de flor-de-alfazema e um punhado de pétalas de rosa. Deixa-se a macerar, durante três horas, coa-se e pode aplicar-se como uma loção corporal suavizante… e de aroma delicioso.

  • Tónico facial

Leva-se a ferver um litro de água mineral e retira-se do lume. Deixa-se repousar e acrescenta-se 50 gramas de pétalas de rosa frescas. Deixa-se macerar, durante umas três horas e coa-se. O mais adequado para a conservação deste tónico é guardá-lo numa garrafa de vidro escuro.

  • Banho de vapor

Limpe a pele da seguinte forma: acrescente a um litro de água a ferver o sumo de meio limão e duas colheres de alecrim, duas de alfavaca, uma de tomilho e uma de folhas de menta. Cubra o cabelo com uma touca, coloque uma toalha sobre a cabeça e incline o rosto sobre o recipiente, a uns 15 cm de distância, com os olhos fechados, durante um quarto de hora. Depois, lave a cara com água fria. Faça-o apenas uma vez de 15 em 15 dias, para evitar que os óleos naturais da pele se alterem.

  • Champô

Ferva 50g de folhas de hera, num litro de água, durante 10 minutos; depois, coe bem, espremendo as folhas. Acrescente água, até perfazer os dois litros e utilize esta infusão para lavar o cabelo. Lembre-se que, para que o resultado seja eficaz, deve massajar corretamente o couro cabeludo.

Leia o artigo completo na edição de maio 2020 (nº 305)

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here