Método Baby Led Weaning: a aventura da autoalimentação

O método BLW é uma tendência mundial que veio para ficar. Neste artigo, irei explicar o seu significado, assim como quando é que o bebé está pronto para começar e quais os melhores conselhos práticos para os pais que pretendem seguir este método.

Artigo da responsabilidade da Dra. Ana Catarina Correia. Nutricionista especializada em Nutrição Pediátrica. www.activcare.pt

 

O acrónimo BLW significa Baby Led Weaning ou, muito simplesmente, autoalimentação. Foi um método criado por Gill Rapley, uma antiga enfermeira de saúde pública no Reino Unido. Este é um método de introdução dos alimentos complementares alternativo à diversificação alimentar tradicional, nomeadamente no que respeita à forma como o alimento é oferecido ao lactente.

O método consiste na oferta de alimentos moídos, picados ou aos pedaços, competindo ao lactente comer sozinho, com as mãos, em vez de ser alimentado pelo cuidador, à colher. Por este facto, pode também ser chamado de “autoalimentação”, ou seja, o BLW incentiva a autonomia dos bebés durante as refeições, assim como pressupõe que as refeições sejam realizadas em família.

A hora da refeição deve ser um momento de convívio, boa disposição, tranquilidade e de comunicação em família, sem o “agora vou despachar o bebé para depois comermos nós”.

RODA DOS ALIMENTOS

Contudo, há alimentos que não são adequados a um bebé em processo de maturação e ainda com pouca dentição, pelo que devem ser oferecidos alimentos saudáveis, assim como a forma e o corte dos mesmos devem ser sempre adaptados a esta fase.

Deste modo, é servido um prato ao bebé com alimentos de diferentes grupos da roda dos alimentos, fornecedores de macronutrientes, tais como hidratos de carbono (arroz, massa, batata), proteína (carne, peixe e ovos) e gordura (azeite), bem como micronutrientes, tais como vitaminas e minerais (legumes, leguminosas e fruta).

O bebé vai pegando e familiarizando-se com os diferentes alimentos, nomeadamente a sua cor, cheiro, textura e sabor.

SE OPTAR POR ESTE MÉTODO, A PARTIR DOS QUANTOS MESES POSSO PÔ-LO EM PRÁTICA?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. A partir dessa altura, os pais devem começar a sentar o bebé à mesa com eles e ficar atentos aos sinais de prontidão, os quais surgem habitualmente, entre os 6 e os 9 meses.

É, de facto, nessa altura que o bebé reúne todas as competências de maturação fisiológica, metabólica e neurológica para manipular sozinho os alimentos e ingeri-los em pequenos pedaços.

SINAIS DE QUE O BEBÉ ESTÁ PREPARADO PARA COMEÇAR O BLW

  • O bebé mostra interesse pelos alimentos;
  • Já se senta sem apoio, com uma postura direita, sem ajuda;
  • Consegue comunicar facilmente os sinais de fome e saciedade;
  • Leva vários objetos e brinquedos à boca;
  • Faz o movimento de pinça com os dedos (“garra”);
  • Já perdeu o reflexo de extrusão, um reflexo inato que consiste em rejeitar qualquer alimento, expulsando-o da boca com a língua.

CONSELHOS PRÁTICOS PARA PAIS QUE QUEREM SEGUIR O MÉTODO BLW

  • Espere até o bebé estar pronto: os bebés saudáveis com mais de 6 meses de idade são capazes de se autoalimentarem. No entanto, em algumas crianças, a capacidade de mastigação pode não estar totalmente desenvolvida até aos 9 meses.
  • Informe e discuta com o profissional de saúde que segue a criança sobre qual o melhor método, considerando tanto os riscos como as vantagens.
  • Monitorize com o profissional de saúde que segue a criança os parâmetros de crescimento, especialmente durante os primeiros meses de desmame, e avalie se são necessários suplementos (ferro, vitaminas, oligoelementos…).
  • Preste atenção aos sinais de fome e saciedade da criança e responda prontamente.
  • Ofereça água durante a refeição.
  • Garanta que o bebé nunca é deixado a comer sozinho, sem supervisão.

COMO DEVEM SER PREPARADOS OS ALIMENTOS E QUAIS OS MAIS INDICADOS PARA SE INICIAR O BLW?

  • Escolha uma grande variedade de alimentos, que devem ser gradualmente introduzidos numa maior variedade de texturas, cores e formas.
  • Os alimentos oferecidos devem ser convenientemente preparados, quer em termos de confeção, quer quanto ao tipo de corte. Numa fase inicial, os alimentos poderão ser preparados de forma mais simples, sendo o formato preferencial os palitos grossos (por exemplo, palitos de batata-doce, chuchu, abóbora, cenoura…).
  • Os pais devem evitar a adição de sal até aos 12 meses e de açúcar até aos 24 meses.
  • As refeições devem ser caseiras, sem qualquer alimento processado. A cozedura deve ser apropriada, ou seja, cozinhar até o alimento ficar macio.
  • Inclua alimentos ricos em ferro, como pequenos pedaços de carne vermelha.
  • Deve evitar alimentos duros, especialmente pequenos e de forma redonda, como frutos secos, uvas, cerejas, tomate-cereja, entre outros, devido ao risco de asfixia.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2021 (nº 319)

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