Gosto de pensar que falar de saúde é, cada vez mais, falar de escolhas do dia a dia. Pequenas decisões, consistentes, que refletem uma mudança importante: deixámos de olhar para a saúde apenas quando algo não está bem e passámos a integrá-la, de forma ativa, na nossa rotina.
Artigo da responsabilidade da Dra. Mafalda Quelhas. Medical & Scientific Affairs Manager, Nestlé Health Science Portugal
É neste contexto que os suplementos alimentares têm vindo a ganhar espaço em Portugal. Já não são encarados como soluções pontuais ou restritas a perfis específicos, mas sim como aliados numa abordagem mais preventiva e consciente. O crescimento do mercado – cerca de 10% no último ano – é apenas o reflexo mais visível desta transformação.
Esta evolução está diretamente ligada a um aumento da literacia em saúde. Hoje fala-se mais (e melhor) sobre temas como a importância de conservar a massa muscular, o equilíbrio do microbioma intestinal, o impacto do stress no organismo ou a importância de envelhecer com qualidade de vida. São conversas que deixaram de estar limitadas ao consultório e passaram a fazer parte do quotidiano.
Há uma mudança clara no perfil de quem procura estes produtos. Há consumidores muito informados, com objetivos concretos, mas também muitos que simplesmente querem sentir-se melhor e cuidar de si de forma preventiva. Em comum, há uma exigência crescente: querem perceber o que estão a consumir, porquê e com que base científica.
E essa exigência é um dos sinais mais positivos desta evolução. Leva-nos, enquanto indústria, a ser mais transparentes, mais rigorosos e mais responsáveis. A ciência não pode ser apenas um argumento, tem de ser o ponto de partida. É esse compromisso que este setor deve garantir através de processos exigentes e de uma forte ligação à investigação científica.
Ao mesmo tempo, acredito que ainda que as marcas têm um papel importante na forma como ajudam as pessoas a navegar este universo. A informação tem de ser clara, acessível e útil. Seja numa farmácia, num supermercado ou online, a experiência deve facilitar decisões informadas, sem ruído nem complexidade desnecessária.
Mais do que uma tendência de consumo, o crescimento dos suplementos alimentares reflete uma mudança cultural. A saúde passou a ser entendida como um equilíbrio que se constrói ao longo do tempo, e não apenas como a ausência de doença.
Esse é talvez o ponto mais relevante a reter desta reflexão: promover a consciencialização para o autocuidado, aliando alimentação, o exercício físico e o sono como pilares fundamentais para o nosso equilíbrio. Nutrir o nosso corpo e dar-lhe as ferramentas e os ingredientes necessários para ganhos em saúde a curto e longo prazo. Não tem de ser algo reativo ou complicado. Pode e deve começar nas escolhas simples que fazemos todos os dias, com mais informação, mais consciência e, acima de tudo, mais responsabilidade.














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