A dermatite seborreica afeta, sobretudo, o couro cabeludo e outras áreas ricas em glândulas sebáceas. Embora não tenha uma cura definitiva, pode ser controlada com um diagnóstico correto, tratamento adequado e cuidados de manutenção.

Artigo da responsabilidade do Dr. Carlos Portinha. Médico e diretor clínico do Grupo Insparya
A dermatite seborreica é uma doença inflamatória comum, de evolução crónica e recidivante. Surge, sobretudo, em regiões da pele com maior atividade das glândulas sebáceas, como o couro cabeludo, a linha de implantação do cabelo, as sobrancelhas, os sulcos junto ao nariz, a zona atrás das orelhas, a barba e a parte superior do tórax. No couro cabeludo, a sua forma mais ligeira pode manifestar-se apenas como caspa.
Apesar de ser benigna, pode causar desconforto, prurido e impacto na imagem e na qualidade de vida. Importa também esclarecer dois equívocos frequentes: não é contagiosa e não resulta, por si só, de falta de higiene.
Porque aparece?
Não existe uma causa única. A evidência disponível aponta para uma combinação de fatores: a atividade das glândulas sebáceas, alterações da barreira cutânea, a resposta imunitária individual e a interação com microrganismos que fazem parte da flora normal da pele, em particular leveduras do género Malassezia. Estas leveduras estão presentes na pele de muitas pessoas sem provocar doença; na dermatite seborreica, existe uma resposta inflamatória desregulada à sua presença e aos lípidos do sebo.
A predisposição individual tem um papel importante. O stress, a fadiga, as alterações de temperatura e humidade e alguns produtos cosméticos irritantes podem favorecer as exacerbações. Muitas pessoas notam períodos de melhoria seguidos de novas crises, razão pela qual o tratamento deve contemplar não só o controlo do episódio agudo, mas também a prevenção das recidivas.
Quais são os principais sintomas?
A apresentação varia de pessoa para pessoa e consoante a zona afetada. Os sinais mais habituais são a descamação branca ou amarelada, seca ou com aspeto oleoso; vermelhidão ou alteração da cor da pele; comichão, ardor ou sensibilidade; e placas mal delimitadas nas zonas mais oleosas. No couro cabeludo, as escamas podem ficar presas aos fios de cabelo e tornar-se mais visíveis na roupa.
Caspa ou dermatite seborreica?
A caspa é geralmente considerada a manifestação mais ligeira deste espectro no couro cabeludo, dominada pela descamação e sem inflamação marcada. Quando existem vermelhidão, prurido importante, placas ou envolvimento de outras zonas da face e do corpo, é mais provável estarmos perante dermatite seborreica.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é habitualmente clínico, tendo em conta o aspeto das lesões, a sua localização e a evolução ao longo do tempo. Na maioria dos casos, não são necessários exames complementares.
Ainda assim, existem outras doenças que podem produzir descamação, vermelhidão ou comichão semelhantes, entre as quais a psoríase, a dermatite atópica, a dermatite de contacto, a rosácea e algumas infeções fúngicas do couro cabeludo. Uma avaliação médica é particularmente importante quando o quadro é intenso, persistente ou atípico.
Como tratar a dermatite seborreica?
O objetivo do tratamento é reduzir a proliferação de Malassezia, controlar a inflamação, remover a descamação e prolongar os períodos sem sintomas. A escolha depende da idade, da localização, da intensidade do quadro e da resposta a tratamentos anteriores. Por se tratar de uma doença recorrente, é frequente ser necessária uma fase de controlo e, depois, uma estratégia de manutenção.
No couro cabeludo, os champôs anticaspa ou antifúngicos constituem uma das principais opções. Podem incluir substâncias ativas como cetoconazol, ciclopirox ou sulfureto de selénio; quando existem escamas espessas, podem também ser úteis formulações queratolíticas, por exemplo com ácido salicílico.
Para serem eficazes, estes produtos devem ser aplicados diretamente no couro cabeludo, não apenas no cabelo, e permanecer em contacto durante o tempo indicado. A frequência e a duração devem respeitar o folheto e a orientação do médico especialista.
Os casos extensos, muito resistentes ou com impacto significativo podem exigir uma abordagem diferente e, raramente, terapêutica sistémica. Essa decisão deve ser individualizada por um dermatologista ou por um médico com experiência em patologia do cabelo e do couro cabeludo.
Cuidados que ajudam a prevenir novas crises
A lavagem regular do couro cabeludo, com a frequência adequada ao tipo de cabelo e à atividade sebácea, ajuda a remover sebo, escamas e resíduos. Deve preferir-se água morna, massagem suave com as pontas dos dedos e um enxaguamento cuidadoso. Raspar, arrancar as escamas ou coçar repetidamente agrava a inflamação e aumenta o risco de pequenas feridas e infeção secundária.
A manutenção é tão importante como o tratamento da crise. Depois de os sintomas melhorarem, o médico pode recomendar a utilização periódica de um champô ou produto antifúngico para reduzir a probabilidade de recidiva. Dormir o suficiente e controlar o stress não substituem o tratamento, mas podem ajudar a diminuir um fator desencadeante reconhecido por muitas pessoas.
A dermatite seborreica provoca queda de cabelo?
A dermatite seborreica não é, por si só, uma causa habitual de alopécia permanente, porque não destrói o folículo piloso. No entanto, a inflamação intensa, o ato de coçar e a acumulação de escamas podem favorecer quebra dos fios de cabelo ou uma queda transitória.
Se existir diminuição persistente da densidade, queda em placas, dor no couro cabeludo ou ausência de recuperação após o controlo da inflamação, é importante investigar outras causas de queda capilar.
Champô recomendado
Recomendo o champô No Grease aos pacientes com dermatite seborreica ou com tendência para uma produção excessiva de oleosidade. A sua ação anti-seborreica ajuda a remover o excesso de sebo, a purificar o couro cabeludo e a reduzir a acumulação de resíduos que pode favorecer a descamação e o desconforto. Pode ser utilizado regularmente como parte da rotina de manutenção, embora os casos mais intensos de dermatite devam ser avaliados por um médico e deva ser prescrito um tratamento para realizar em clínica, como a Mesoterapia MesoHAir+ Insparya, ou o PRP (Plasma Rico em Plaquetas).
Quando procurar ajuda médica?
Deve procurar avaliação médica se os sintomas não melhorarem com cuidados adequados, se forem muito extensos ou recorrentes, se interferirem com o sono ou o quotidiano, ou se surgir dor, secreção, crostas espessas, feridas, sinais de infeção ou queda de cabelo localizada.
Também é recomendável confirmar o diagnóstico antes de iniciar repetidamente corticoides ou antifúngicos, uma vez que doenças diferentes podem exigir tratamentos distintos.
Com uma abordagem individualizada, a maioria das pessoas consegue controlar eficazmente a descamação, a comichão e a inflamação. Reconhecer os primeiros sinais, tratar as exacerbações de forma precoce e manter os cuidados indicados é a melhor estratégia para reduzir a frequência e a intensidade das crises.
Nota: este artigo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.
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