Nos últimos anos, a investigação tem demonstrado uma comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro (EIC). Um microbioma equilibrado é essencial para o desenvolvimento e atividade cerebral, e regulação emocional. Já o sistema nervoso central (SNC) regula a maioria do sistema gastrointestinal. A perturbação desta comunicação pode contribuir para o desenvolvimento de doenças neurológicas e gastrointestinais.

Artigo da responsabilidade da Dra. Helga Mendonça. Nutricionista. Docente na Nutrition Academy. Mestre em Nutrição Clínica pela Egas Moniz School of Health and Science. Especializada em Nutrigenética, pelo Nutrigenomics Institute, e em Microbioma Intestinal pela Wageningen University and Research. Certificação internacional «Microbiota mas alla del intestino», pela Eventos Médicos Latam.

 

INTERFERÊNCIAS

A microbiota intestinal apresenta uma composição única, influenciada por diversos fatores, destacando-se para este artigo a alimentação. Uma dieta pobre em fibra e rica em proteína animal e gordura saturada reduz a diversidade da microbiota intestinal, diminui as bactérias benéficas produtoras de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) e promove o crescimento de microrganismos produtores de metabolitos pro-inflamatórios. Ocorre, por isso, desenvolvimento de inflamação e aumento da permeabilidade intestinal, situação esta que pode interferir na comunicação ao longo do EIC.

MODULAÇÃO

O aumento da produção de AGCC é uma das formas mais eficazes de modular positivamente o EIC e a sua produção ocorre através de uma dieta rica em fruta, vegetais, proteína vegetal e ómega-3. Neste contexto, o ómega-3 tem despertado interesse na investigação científica, na medida em que favorece a diversidade e o equilíbrio da microbiota intestinal, promovendo o aumento de bactérias produtoras de AGCC. Devido a este efeito prebiótico, o ómega-3 foi classificado pela International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP) como “candidato a prebiótico”. Os prebióticos melhoram o desempenho cognitivo, reduzem a inflamação e melhoram a produção de neurotransmissores, tendo um benefício no tratamento da depressão, ansiedade, etc.

Dentro dos diferentes tipos de ómega-3 (ALA de origem vegetal; EPA e DHA de origem marinha), os estudos demonstram que EPA e DHA apresentam maior atividade biológica, sendo o DHA o principal ácido gordo presente no cérebro e no sistema nervoso central.

SUPLEMENTAÇÃO COM ÓMEGA-3

A suplementação com EPA e DHA contribui para o aumento da abundância de Bifidobacterium e Lactobacillus (ação anti-inflamatória) e redução de espécies pro-inflamatórias como Deferribacteraceae, Desulfovibrio e E.coli. Permite também aumentar a produção de AGCC. Estes auxiliam o controlo da inflamação sistémica e neuroinflamação através da modulação das funções e estruturas das células do SNC, resultando na modulação da emoção, cognição e perturbações mentais. Concentrações elevadas de AGCC podem induzir a expressão da triptofano 5-hidroxilase 1, enzima envolvida na biossíntese da serotonina e podem afetar positivamente a integridade da barreira hematoencefálica.

Por tudo isto, é importante suplementar com ómega-3 que apresente um baixo valor TOTOX (que deve ser inferior a 26) e com as certificações IFOS e Friend of The Sea.

Cuidar do intestino é também cuidar do cérebro – e o ómega-3 pode ser um importante aliado nesta ligação.

Saiba mais em www.norsan.pt