O rastreio mamográfico, o conhecimento da história familiar, as medidas preventivas de estilo de vida, uma compreensão mais profunda da doença e os novos tratamentos, com opções cada vez mais personalizadas, constituem motivos de esperança na luta contra o cancro da mama.
Artigo da responsabilidade do Dr. Paulo Cortes. Oncologista. Coordenador do Centro de Oncologia Hospital Lusíadas Lisboa
Em Portugal, o cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres. Estima-se que, anualmente, surjam cerca de 7.000 a 7.500 novos casos, de acordo com dados recentes do Registo Oncológico Nacional (2020).
Em relação à média de idades, o cancro da mama é mais frequente em mulheres com mais de 50 anos, sendo que o pico de incidência ocorre, geralmente, entre os 55 e os 65 anos. No entanto, pode afetar mulheres mais jovens, embora seja menos comum antes dos 40 anos.
RASTREIO MAMOGRÁFICO É ESSENCIAL
A deteção precoce através do rastreio mamográfico é essencial para aumentar as possibilidades de sucesso no tratamento.
A maioria dos casos de cancro da mama é descoberta em consultas de rotina ou durante exames de rastreio, como a mamografia, antes de os sintomas aparecerem. Isso é particularmente verdadeiro em mulheres que seguem regularmente as recomendações de rastreio. O rastreio precoce permite detetar tumores quando ainda estão pequenos e em fases iniciais, o que aumenta as possibilidades de cura.
Por outro lado, uma percentagem de mulheres descobre que tem cancro da mama após notar sintomas. Os sinais mais comuns incluem: nódulo na mama ou na axila, geralmente indolor; alterações na pele da mama, como vermelhidão ou retração; alterações no mamilo, como inversão ou secreção anormal; mudança no tamanho, na consistência ou na forma da mama.
Contudo, muitas vezes estes sinais surgem em estágios já mais avançados da doença. Por isso, o rastreio regular é fundamental para detetar o cancro antes que os sintomas se manifestem.
IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA FAMILIAR
A maioria dos casos de cancro da mama não é hereditária, mas sim esporádica, causada por uma combinação de fatores ambientais, hormonais e de estilo de vida, além do envelhecimento.
Estima-se que apenas cerca de 5% a 10% dos casos de cancro da mama estejam relacionados com mutações genéticas herdadas, particularmente nos genes BRCA1 e BRCA2. Mulheres que herdam mutações nestes genes têm um risco significativamente maior de desenvolver cancro da mama ao longo da vida e, no caso de BRCA1, também cancro do ovário.
Embora a maioria dos casos de cancro da mama não esteja diretamente ligada a uma mutação genética herdada, a história familiar pode, ainda assim, ser um fator de risco importante. Se várias mulheres da mesma família tiveram cancro da mama, especialmente em idades jovens, ou se houve casos de cancro de ovário, pode ser um indício de predisposição hereditária.
Nestes casos, pode estar indicado fazer testes genéticos para identificar possíveis mutações e, se o resultado for positivo, discutir medidas preventivas, como um acompanhamento mais frequente, com exames individualizados, ou até opções cirúrgicas preventivas.
MAIS CASOS EM MULHERES JOVENS
É verdade que, nos últimos anos, tem-se observado um aumento no diagnóstico de cancro da mama em mulheres mais jovens, o que pode levar à impressão de que a idade já não é um fator tão determinante. No entanto, a idade continua a ser um fator de risco importante, já que o risco de desenvolver um cancro da mama aumenta significativamente após os 50 anos.
O diagnóstico em idades mais jovens parece estar relacionado, principalmente, com uma história familiar de cancro e com mutações genéticas sobretudo nos genes BRCA1 e BRCA2.
Por outro lado, fatores hormonais, tais como a toma de anticoncetivos orais, a idade de gestação, mudanças no estilo de vida e fatores ambientais também podem contribuir.
A obesidade, que tem aumentado globalmente, é outro fator de risco importante para o cancro da mama, especialmente após a menopausa. O excesso de tecido adiposo produz mais estrogénio, uma hormona que pode estimular o crescimento de certos tipos de cancro da mama.
O consumo de álcool está igualmente associado a um aumento do risco de cancro da mama, mesmo em pequenas quantidades. A exposição a certos poluentes ou químicos podem interferir nos sistemas hormonais e aumentar a suscetibilidade ao cancro.
ACESSO AO RASTREIO
Em Portugal, existem rastreios de cancro da mama disponíveis em todo o país, incluindo áreas do interior, graças a programas de rastreio de base populacional promovidos pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) em colaboração com entidades regionais, como as Administrações Regionais de Saúde (ARS) e a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC). As unidades móveis de rastreio têm sido uma estratégia eficaz para atingir as populações mais remotas. Tem sido feito um esforço contínuo para assegurar que as mulheres em todo o país tenham acesso ao rastreio do cancro da mama, independentemente de viverem em áreas urbanas ou rurais.
SINTOMAS A QUE É PRECISO ESTAR ATENTA
As mulheres devem estar atentas a uma série de sintomas de cancro da mama que podem indicar a necessidade de uma avaliação médica mais detalhada. É importante ressaltar que muitos desses sinais e sintomas podem ser causados por alterações benignas, mas a deteção precoce é essencial para o sucesso no tratamento, pelo que, qualquer alteração significativa deve ser comunicada ao médico.
Se notar algum desses sinais ou sintomas, é importante consultar um médico o mais rapidamente possível para realizar exames adicionais, como mamografias ou biópsias, que podem confirmar ou descartar a presença de cancro:
- Nódulo na mama ou na axila, geralmente indolor;
- Alterações na pele da mama, como vermelhidão, espessamento ou retração;
- Alterações no mamilo, como inversão ou secreção anormal;
- Mudança no tamanho, na consistência ou na forma da mama.
- Dor na mama ou no mamilo.
Leia o artigo completo na edição de outubro 2026 (nº 375)














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