Como o exercício, a alimentação e os nossos hábitos influenciam a saúde dos músculos e dos ossos ao longo da vida.
No Dia Mundial da Osteoporose, a Associação Portuguesa de Osteoporose (APO) chama a atenção para uma fase da vida muitas vezes esquecida quando se fala de saúde óssea: a adolescência.
A maioria das pessoas associa a osteoporose ao envelhecimento. No entanto, a ciência mostra que a saúde óssea começa a ser construída muito antes. É durante a infância, adolescência e início da idade adulta que se desenvolve uma parte importante do capital ósseo, culminando no chamado pico de massa óssea, momento em que os ossos atingem a sua máxima densidade e resistência.
Segundo a International Osteoporosis Foundation, um aumento de apenas 10% na massa óssea máxima durante a juventude pode estar associado a uma redução de cerca de 50% do risco de fratura osteoporótica ao longo da vida.
“A força que construímos hoje acompanha-nos durante décadas. Os jovens reconhecem a importância da proteína e do exercício para os músculos. O que queremos é ajudar a compreender que os ossos também precisam de atenção. Construir osso é tão importante como construir músculo”, afirma Pedro Cantista, presidente da Associação Portuguesa de Osteoporose.
Os ossos não são estruturas passivas: aprendem com os estímulos que recebem
O nosso organismo possui uma extraordinária capacidade de adaptação. Todos os dias, as células recebem sinais daquilo que fazemos: quando nos movimentamos, quando praticamos exercício, quando nos alimentamos ou quando descansamos.
Os especialistas descrevem esta capacidade de resposta como uma forma de “inteligência celular”. Embora não seja um conceito clínico, ajuda a explicar uma realidade simples: os ossos não são estruturas inertes. Adaptam-se aos estímulos que recebem.
Quando corremos, saltamos ou praticamos atividade física, estamos a enviar sinais às células ósseas para que se tornem mais fortes e resistentes. Quando garantimos uma alimentação adequada, estamos a fornecer os nutrientes necessários para essa construção.
Os músculos têm a proteína, os ossos têm o cálcio
A proteína ocupa hoje um lugar central na conversa sobre desempenho físico. A APO quer agora alargar essa conversa e lembrar que um corpo forte não se constrói apenas através dos músculos.
Durante a adolescência, período de rápido crescimento do esqueleto, a International Osteoporosis Foundation recomenda uma ingestão de 1.300 mg de cálcio por dia entre os nove e os 18 anos.
Mas é precisamente nesta fase que muitos jovens ganham autonomia alimentar e substituem alimentos nutricionalmente importantes para o crescimento por refrigerantes, snacks e produtos ultraprocessados.
O leite continua a ser um dos alimentos mais completos para a saúde óssea, fornecendo não apenas cálcio, mas também proteínas de elevada qualidade e outros nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento, como fósforo, iodo e vitamina B12.
Antes do suplemento, está o alimento
Num contexto em que a suplementação ganha cada vez mais protagonismo entre os jovens, os especialistas recordam que os suplementos podem ter lugar em situações específicas, mas não substituem uma alimentação equilibrada e variada.
Tal como o cálcio fornece materiais de construção para o osso, o exercício fornece o estímulo necessário para o seu desenvolvimento e fortalecimento.
No entanto, mais de 80% dos adolescentes não cumprem os níveis recomendados de atividade física, apesar da importância do movimento para a saúde óssea e muscular.
Neste Dia Mundial da Osteoporose, a mensagem da APO é clara: constrói enquanto cresces, protege para te manteres forte.













