Terapia da arte: símbolos do inconsciente

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A terapia da arte baseia-se na crença de que a experiência física pode ser expressa através de imagens, quer sejam os rabiscos de uma criança ou a obra de um escultor. Assim como o psicanalista dá importância ao sonho, o terapeuta da arte dá importância à imagem.

 

A terapia da arte tem as suas raízes em várias disciplinas, nomeadamente a psicanálise, a psiquiatria e a educação visual e tecnológica. Utilizada, primeiro, como uma ferramenta de diagnóstico nos hospitais psiquiatras, foi reconhecida, mais tarde, como um tratamento independente.

Existe um número de princípios-chave na sua prática. Reconhece-se que o valor terapêutico da arte produzida é mais importante do que o estético. É importante, na medida em que a capacidade artística é menos importante do que a capacidade de beneficiar da terapia da arte.

O que é fundamental na terapia da arte é a crença de que a capacidade de fazer marcas é virtualmente universal e que esta pode tornar-se numa linguagem simbólica, capaz de ser compreendida. A terapia da arte acredita que existem aspetos de nós mesmos que estão por detrás da nossa consciência e que estes podem ser alcançados através de símbolos que são dados a conhecer pelo nosso inconsciente. Na terapia da arte, o veículo para esta expressão simbólica é o desenho feito pelo paciente.

Materiais

Pode ser usado qualquer material para se exprimir os sentimentos. Os mais usuais são as tintas, o lápis, o carvão, o papel, o cartão e o barro. Nalguns casos, pode ser usado um número mais vasto de meios, permitindo que o trabalho seja mais experimental, num sentido mais lato. Poderá haver a oportunidade de trabalhar em grande escala ou de criar usando material que não está normalmente associado às convencionais aulas de desenho.

De uma maneira ou de outra, o importante não é usar uma grande quantidade de materiais de arte, mas a experiência de criar, no contexto de uma relação segura e terapêutica, com um terapeuta que possa ir, ao longo do tempo, compreendendo a linguagem visual, os temas recorrentes e o seu significado simbólico, em cada indivíduo.

Relação com o terapeuta

A relação com o terapeuta é fundamental para progredir. É o terapeuta que cria as condições físicas e psicológicas com as quais o paciente poderá sentir-se, com o tempo, suficientemente à vontade para exprimir emoções fortes. Através da capacidade de manutenção dessa relação e dos próprios desenhos, cria-se a oportunidade de exprimir sentimentos, que possam ser vistos normalmente como sendo demasiado ameaçadores, quer sejam positivos ou negativos. Sentimentos de amor e ódio, desejo e agressão, raiva, medo e dor, podem ser contidos com a terapia da arte.

Numerosas aplicações

A terapia da arte tem numerosas aplicações e é utilizada em muitos grupos de doentes. Nestes incluem-se os doentes que sofrem de doenças mentais graves, homens e mulheres reclusos, adultos e crianças com dificuldades de aprendizagem, idosos, pessoas incapacitadas de falar e doentes em fase terminal. É, contudo, cada vez mais utilizada em pessoas que procuram apenas aumentar o seu próprio nível de autoconhecimento e que querem resolver, de um modo criativo, as dificuldades das suas vidas.

A terapia da arte é feita em grupo ou individualmente e cada uma destas formas tem vantagens. Quando se faz em grupo, a própria dinâmica do grupo é parte integrante do trabalho terapêutico e as aprendizagens individuais sobre como ele ou ela funciona em situação de grupo. Há menos atenção individual, mas há uma grande sensação de não estar sozinho. Existe a possibilidade de dar e receber. Na terapia individual, há privacidade total e atenção exclusiva, sem se precisar de esperar ou partilhar a atenção do terapeuta. As sessões em grupo são, normalmente, mais longas do que as individuais.

Diferentes escolas

Existem diferentes escolas de terapia da arte, algumas humanistas e outras psicanalíticas. Alguns terapeutas dirigem e estruturam a sessão para o doente; outros não dirigem e apenas trabalham de acordo com as necessidades momentâneas.

Outra diferença diz respeito à conceção que cada terapeuta tem da importância da imagem artística, dentro da relação terapêutica. O mais usual entre os terapeutas é utilizar a imagem artística como um meio de comunicação, completado com as palavras.

Leia o artigo completo na edição de outubro 2019 (nº 298)

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