Stress pós-traumático: abordagem holística

 

EXISTE UMA FORMA DE STRESS PÓS-TRAUMÁTICO TÃO AMPLA QUE QUASE TODA A GENTE SOFRE DELA, MESMO SEM PERCEBER. MAS NINGUÉM ESTÁ CONDENADO A FICAR PRESO ÀS PARTES DESAGRADÁVEIS DA SUA HISTÓRIA PESSOAL.

 

Artigo da responsabilidade do Dr. José Duarte. Mestre em Biomedicina/Medicina Biológico-Naturista e Medicina Tradicional Chinesa

 

 

 

 

A maioria das pessoas lida com algum tipo de perturbação de stress pós-traumático (SPT). Não se trata apenas da resposta de “lutar ou fugir” face a uma tragédia ou a um trauma de guerra, que é a forma mais conhecida e documentada de SPT.

Existe uma epidemia de SPT oculta. Esta forma SPT é tão ampla que quase toda a gente sofre dela. Deriva das situações desagradáveis com que todos tivemos de lidar, algumas das quais podemos ter esquecido conscientemente, mas não inconscientemente.

FERIDAS DO PASSADO

É normal – e até saudável – termos medo quando a nossa vida ou a de alguém corre perigo, porque esse é um dos mecanismos de autossobrevivência. O medo desencadeia uma resposta de “lutar ou fugir” que enche o corpo de adrenalina, a qual proporciona um aumento de reflexos e força para lidar com a ameaça. Mas uma vez passada a ameaça, podemos experienciar abalos emocionais. É esta a forma clássica de SPT que os profissionais destas áreas reconhecem (psicoterapia, psicologia, psiquiatria).

A somar a isso, temos de juntar as feridas emocionais, tais como: inseguranças, desconfiança, medos, culpa, vergonha, etc. Todas são derivadas das situações e experiências emocionais negativas do passado.

Assim, por exemplo, quando uma pessoa tem medo de se comprometer num relacionamento, está a demonstrar que houve algo no passado que criou um certo tipo de perturbação de stress pós-traumático. Um pai alcoólico e agressivo pode tornar um filho num adulto antissocial ou sem autoestima. A turbulência numa viagem de avião pode levar um indivíduo a não voltar a entrar num avião. Nunca se sabe (sem fazer regressão de memória) que acontecimento no passado da pessoa contribuiu para a sua reação atual.

ACONTECIMENTOS IGNORADOS

Mesmo nos dias de hoje, com técnicas de autoajuda, terapias e uma maior compreensão emocional, a sociedade ainda não está preparada para lidar com nenhum destes agentes que passam despercebidos como causadores do SPT.

Na generalidade, os profissionais de saúde reservam a expressão “perturbação de stress pós-traumático” para as experiências de vida ou de morte. Ao fazerem isso, ignoram muitos outros acontecimentos que, na sombra, influenciam negativamente as nossas escolhas e alteram o tecido de quem somos.

A doença é um agente poderoso, igualmente capaz de desencadear SPT, mas do qual raramente se fala. Imaginemos as pessoas que sofrem de fibromialgia, fadiga crónica ou artrite reumatoide, durante anos e anos.

Por outro lado, muita gente gere mal a relação emocional perante a doença de um ente querido: ver alguém a perder a vitalidade e deixar de conseguir ser autossuficiente pode fazê-la sentir-se também vulnerável e impotente perante a situação, algo que pode ser muito penoso.

Muitas vezes, em consulta, apercebo-me que um paciente sofre de SPT sem saber disso, justificando o seu padecimento com causas que apenas foram o gatilho. Quando estamos atentos, é fácil intuir que comer demasiados doces ou procurar atividades que libertem adrenalina ou sentir-se “suscetível”, “irritadiço”, “frágil” ou “muito sensível”, são sinais de que, a dada altura, aconteceu algo que se arrastou demasiado e, agora, provoca essa reação.

O ACONTECE NO CÉREBRO?

O stress pós-traumático resulta de um desequilíbrio químico no cérebro. Se não existir glicose suficiente armazenada no tecido cerebral, para alimentar o sistema nervoso central, a perturbação emocional pode criar efeitos duradouros. Contradizendo a crença da ciência, a qual defende que os eletrólitos desempenham um papel crucial na saúde cerebral, o que não é totalmente correto, o SPT não acontece devido à perda de eletrólitos, mas sim de glicose – ou à falta desta –, uma vez que é o único alimento das células cerebrais.

Então, o que está por detrás daquelas pessoas que parece nada as abalar na vida, autênticos “rochedos”, são as amplas reservas de glicose no cérebro. Em virtude disso, essas pessoas conseguem lidar com muito mais trauma, sem serem afetadas.

VÉU PROTETOR DA GLICOSE

A glicose é um agente bioquímico – ainda desconsiderado – de proteção essencial do cérebro, porque coloca uma espécie de véu protetor sobre esse órgão e tecidos neurológicos sensíveis. A investigação biomédica ainda não conseguiu determinar qual a quantidade de glicose que o cérebro necessita para funcionar em períodos de stress, assim como a quantidade e qualidade da reserva.

O véu protetor da glicose é necessário por dois motivos: primeiro, a glicose é necessária para impedir que as células do cérebro, o tecido celular e os neurónios, fiquem saturados pela natureza ácida e corrosiva da adrenalina e do cortisol, libertados por emoções como a raiva, a frustração, o desespero ou o medo. Segundo, a glicose é necessária no cérebro para controlar as tempestades elétricas que surgem quando ocorre algum trauma, com as cargas elétricas a dispararem em todas as direções, afetando os tecidos cerebrais e as células gliais.

ALTERNATIVAS INVIÁVEIS

Geralmente, as pessoas encaram o açúcar como algo calmante. O problema é que, no mundo atual, há demasiados açúcares, que não trazem qualquer benefício em termos nutricionais, muito pelo contrário.

Mas, na generalidade, as pessoas viram-se para os doces para apaziguarem as suas feridas. A maior parte delas pensa que tem um problema com a comida e que é particularmente vulnerável às tentações das guloseimas, quando, na realidade está subconscientemente a tentar combater uma carência física-emocional.

Em busca de um antídoto alternativo para o SPT, muitas pessoas começaram a substituir o açúcar pela adrenalina. E são cada vez mais as pessoas viciadas em adrenalina, que saltam de aviões ou empenham-se em desportos radicais, para lidarem com um sofrimento cuja existência não se apercebem. Poder-se-ia apresentar muitos mais exemplos do uso da adrenalina como droga rápida para substituir a glicose.

O problema com estas abordagens é que “o que sobe tem de descer”. Uma alta de açúcar devido à ingestão de dois bolos irá, mais tarde, representar uma descida abrupta. Um pico de adrenalina pode dar força no momento, mas o impulso entusiasmante não perdura e a pessoa volta para casa tão deprimida como antes. Não são essas as verdadeiras soluções para curar as feridas emocionais.

LIBERTAR A MENTE E A CONSCIÊNCIA

Ninguém precisa de ficar preso às partes desagradáveis da sua história pessoal, nem está destinado a viver repetidamente os mesmos padrões do trauma. O que o magoou no passado não tem de voltar repetidamente para assombrá-lo. Ninguém tem de ser definido pelos incidentes da sua vida: existe sempre um caminho em frente.

Com apoio nutricional, uma abordagem à programação neurolinguística e a cura espiritual adequada, pode reclamar, não só a sua vitalidade, mas o direito a viver a sua vida em plena consciência.

Para entender melhor que todas as “resistências” a uma vida plena podem ser afastadas, vamos ver isto pela ótica de uma analogia: imagine-se a trabalhar com um computador que, ao longo do tempo, ficou sobrecarregado com ficheiros antigos, software ultrapassado e cheio de vírus. Foi ficando cada vez mais lento, mas você foi-se adaptando e habituou-se a trabalhar com ele assim. Até que um dia, um familiar ou amigo pede-lhe para fazer uns trabalhos no computador e verifica o quão lento ele está. Para o surpreender, limpa os ficheiros do lixo, atualiza o software e instala um novo sistema antivírus. Quando lhe mostra o que fez no seu computador, você fica surpreendido com a rapidez e a eficiência do mesmo.

É exatamente o que acontece quando libertamos a nossa mente e consciência das feridas de SPT que transportamos. Ao aprender a curar-se, você deixa os traumas para trás e aumenta a sua capacidade operativa, abrindo-se às infinitas possibilidades da vida.

Artigo publicado na edição de dezembro 2021 (nº 322)

 

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