Meningite bacteriana: todas as crianças e adolescentes devem ser vacinados

A meningite bacteriana pode ser fatal ou deixar sequelas que podem ser muito graves. Não há nenhuma forma de prevenir esta doença, exceto pela vacinação, pelo que todas as crianças e adolescentes devem ser vacinados, sempre que possível.

 

Artigo da responsabilidade do Dr. Hugo Rodrigues, pediatra na Unidade Local de Saúde do Alto Minho, em Viana do Castelo, e responsável pelo blog “Pediatria para todos”( www.pediatriaparatodos.com)

 

O cérebro e a medula espinal estão recobertos por uma espécie de “capa”, constituída por três camadas a que chamamos meninges. Para dentro das meninges existe um líquido estéril, ou seja, que não contém nenhum tipo de microrganismo. Se, por algum motivo, houver algum microrganismo que consegue chegar a esse líquido, o nosso corpo desencadeia uma resposta inflamatória para combater “invasão” e, atingindo as meninges, chama-se meningite.

SINTOMAS E PROGNÓSTICOS

A meningite é uma doença pode ser provocada por vírus ou bactérias e, em ambas, os sintomas são bastante semelhantes: pode surgir febre, dor de cabeça, vómitos e um mau estado geral, com prostração e/ou irritabilidade. Para além disso, podem surgir manchas na pele, que aparecem nas primeiras 24 horas de febre e que são sempre um sinal de alarme.

As meningites víricas raramente causam sequelas, pelo que o seu prognóstico é, geralmente, muito bom. Em relação às bacterianas, são muito mais agressivas e a progressão é muito mais rápida. Têm uma mortalidade bastante elevada e também uma grande probabilidade de deixar sequelas nos sobreviventes, razão pela qual é extremamente importante um diagnóstico precoce e um tratamento adequado, que implica sempre internamento, com administração intravenosa de antibióticos.

VACINAÇÃO DEVE SER UMA PRIORIDADE

Se o tratamento for instituído atempadamente, a taxa de cura é elevada; mas se isso não acontecer, o desfecho pode ficar comprometido. Para além de poder ser fatal, há ainda situações em que podem surgir sequelas, como surdez, problemas motores, epilepsia, défice intelectual ou amputações, por exemplo.

A única forma eficaz de prevenir esta doença é através da vacinação: essa deve ser uma prioridade clara. No entanto, é importante esclarecer que não existe uma única vacina contra a meningite, porque a doença pode ser provocada por várias bactérias.

Assim, existem vacinas específicas contra determinadas bactérias potencialmente causadoras de meningite, sendo que no Programa Nacional de Vacinação temos já incluídas as seguintes:

  • Vacina contra o Hemophilus influenzae;
  • Vacina contra o pneumococo;
  • Vacina contra o meningococo C;
  • Vacina contra o meningococo B (foi introduzida em outubro último e abrange apenas as crianças nascidas a partir de 1 de janeiro de 2019).

ADOLESCENTES SÃO TRANSMISSORES

É importante reforçar a ideia de que as crianças nascidas antes de 1 de janeiro de 2019 não estão protegidas contra o meningococo B, que é a bactéria causadora de meningite mais frequente no nosso país e, apesar de o grupo de risco serem as crianças abaixo dos 1-2 anos de idade, não existe nenhuma faixa etária para a qual esse risco seja zero.

Além disso, os adolescentes são também afetados por esta doença e são eles, na maior parte das vezes, os transmissores das bactérias para os bebés. Por esse motivo, é fundamental, sempre que possível, vacinar todas as crianças e adolescentes. Só assim garantimos uma proteção individual adequada contra uma doença potencialmente devastadora.

MENINGOCOCO W: ALTAMENTE AGRESSIVO

Para além do meningococo B, gostaria também de alertar para outro meningococo, que tem aumentado de forma significativa em todos os países europeus, incluindo Portugal. Trata-se do meningococo W, que é altamente agressivo e apresenta uma mortalidade muito elevada, mas que pode também ser prevenido por uma vacina específica. Esta vacina não está contemplada no Programa Nacional de Vacinação, mas pode e deve ser dada a todos os bebés, crianças e adolescentes como proteção individual contra este tipo de meningite.

Leia o artigo completo na edição de janeiro 2021 (nº 312)

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