Incontinência urinária e cirurgia de ambulatório

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A incontinência urinária é uma situação extremamente comum que, quando ignorada, acaba por ter, mais tarde ou mais cedo, implicações sociais, afetivas, laborais e económicas. Felizmente, a solução cirúrgica, realizada em ambulatório, embora não possa ser aplicada a todos os casos, apresenta taxas de sucesso superiores a 90 por cento.

 

Artigo da responsabilidade da Drª Rosa Zulmira

Ginecologista, interlocutora de Cirurgia de Ambulatório na área da Ginecologia do Centro Integrado de Cirurgia de Ambulatório do Centro Hospitalar do Porto (CICA/CMIN/CHP) e Presidente da Secção de Ginecologia da Associação Portuguesa de Cirurgia de Ambulatório (APCA)

E da Drª Bercina Candoso

Ginecologista no Centro Materno-Infantil do Norte/Centro Hospitalar do Porto (CMIN/CHP), responsável pelo setor da Uroginecologia.

  

Estima-se que cerca de 40% das mulheres portuguesas sofrem ou irão sofrer de incontinência urinária (IU). Como a população está a envelhecer, provavelmente esta percentagem também irá aumentar. As mulheres em maior risco situam-se na faixa etária entre os 45 e os 65 anos.

Mais de 60 milhões de pessoas, em todo o mundo, sofrem de incontinência urinária. Estudos realizados na população portuguesa apontam para a existência de 600 mil incontinentes, nos diferentes segmentos etários. Contudo, pensa-se que apenas 10% da população procura ajuda para este problema.

TIPOS DE INCONTINÊNCIA

Existem dois tipos de incontinência urinária mais frequentes: a INCONTINÊNCIA DE ESFORÇO, que ocorre em circunstâncias de algum tipo de esforço, como tossir, espirrar, correr, saltar, rir ou levantar pesos; e a INCONTINÊNCIA DE URGÊNCIA ou por imperiosidade, que resulta da vontade súbita, inadiável e, muitas vezes, incontrolável de urinar.

Podemos observar, na mesma doente, sintomas comuns aos dois tipos de IU acima referidos e, assim, descrevemos este tipo como INCONTINÊNCIA MISTA.

Particularmente, o quadro de urgência ou imperiosidade pode atingir proporções dramáticas, na medida em que condiciona o dia a dia das doentes, que vivem em função de uma casa de banho por perto

Embora a incontinência urinária de esforço possa ser mais prevalente nas mulheres que tiveram partos vaginais, a própria gravidez, por alterações hormonais e pela ação do útero gravídico sobre os mecanismos de suporte da bexiga, pode ser responsável pelo aparecimento desse tipo de patologia.

Por outro lado, convém saber que a cesariana está associada ao outro tipo de incontinência, a de urgência, estando também relacionada com sintomas inerentes às alterações da enervação da bexiga, que sofreu danos durante a cirurgia: noctúria (acordar com vontade de urinar várias vezes por noite), que tem efeitos muito prejudiciais na qualidade do sono destas mulheres e no descanso necessário a um dia de trabalho; aumento da frequência urinária (necessidade de ir mais do que 8 vezes por dia à casa de banho), o que pode prejudicar o relacionamento em determinados postos laborais.

Outros fatores que podem contribuir para o aparecimento desta patologia são: obesidade, tosse crónica, carregar pesos, prisão de ventre, menopausa, histerectomia prévia (remoção cirúrgica do útero) e fatores genéticos inerentes.

Leia o artigo completo na edição de junho 2016 (nº 262)

 

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