Pequenos (e grandes) contratempos podem transformar os dias de férias numa experiência bem diferente. Porém, com planeamento, atenção aos detalhes e bom senso, é possível reduzir muitos dos riscos mais comuns.
Artigo da responsabilidade da Dra. Rosália Páscoa. Médica de Família e presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina do Estilo de Vida
As férias representam, para muitos, o momento mais aguardado do ano. São uma oportunidade para abrandar o ritmo, recuperar energias, passar mais tempo com a família e os amigos ou, simplesmente, mudar de cenário.
No entanto, basta um pequeno contratempo para transformar dias de descanso numa experiência bem diferente. A boa notícia é que muitos dos problemas mais frequentes das férias podem ser evitados com alguns cuidados simples. Um pouco de preparação pode fazer toda a diferença.
NÃO SE ESQUEÇA DA SUA SAÚDE HABITUAL
As doenças crónicas não entram em modo de descanso. Quem toma medicação regularmente deve garantir quantidade suficiente para toda a viagem, prevendo alguns dias adicionais para eventuais atrasos.
Sempre que possível, os medicamentos devem acompanhar a pessoa na bagagem de mão, reduzindo o risco de interrupções do tratamento por extravio de malas ou condições inadequadas de conservação.
Pode também ser útil transportar receitas ativas, uma lista atualizada da medicação habitual e dos principais problemas de saúde. Em caso de necessidade de cuidados médicos longe de casa, esta informação pode facilitar a avaliação e o tratamento. Da mesma forma, mantenha facilmente acessíveis os seus contactos de emergência.
A proteção em caso de doença ou acidente durante a viagem é um aspeto que merece particular atenção. Se viajar para outro país europeu, verifique antecipadamente se dispõe de um Cartão Europeu de Seguro de Doença válido. Embora permita o acesso aos cuidados de saúde públicos em muitos países europeus, este cartão não substitui um seguro de viagem nem garante a cobertura de todas as despesas. Conhecer as condições de assistência disponíveis antes da partida pode evitar dificuldades e custos inesperados.
CHEGAR BEM É O MAIS IMPORTANTE
Se a viagem for feita de automóvel, uma breve verificação do estado do veículo antes da partida pode ajudar a prevenir avarias, atrasos e situações de risco. Quando viajar com crianças, assegure-se de que os sistemas de retenção estão corretamente instalados e são adequados à idade, peso e altura de cada uma.
Adicionalmente, estradas mais movimentadas, percursos desconhecidos e horas prolongadas ao volante criam condições propícias a acidentes. O cansaço continua a ser um dos principais fatores de risco na condução, comprometendo a atenção e os reflexos. Fazer pausas regulares, manter uma boa hidratação e evitar percursos excessivamente longos sem descanso são medidas simples que aumentam a segurança.
Sempre que possível, evite conduzir entre a meia-noite e as seis da manhã e, em viagens longas, considere repartir a condução entre dois adultos.
As férias são também sinónimo de convívio, refeições prolongadas e momentos de celebração, frequentemente com consumo de bebidas alcoólicas. Importa recordar que não existe um nível de consumo de álcool isento de risco para a condução. Mesmo pequenas quantidades diminuem a atenção, aumentam o tempo de reação e prejudicam a capacidade de avaliar distâncias e perigos. No que diz respeito à condução, a única opção verdadeiramente segura é não consumir álcool.
PRAIA, PISCINA E ATIVIDADES AO AR LIVRE
O verão convida a passar mais tempo ao ar livre, em praias, piscinas, rios, lagos e em atividades recreativas.
O afogamento continua a ser uma das principais causas de acidentes graves. Por isso, a vigilância das crianças deve ser constante, mesmo em ambientes aparentemente seguros, já que uma breve distração pode ser suficiente para desencadear uma situação de perigo.
Sempre que possível, opte por praias vigiadas e respeite a sinalização existente. Nas piscinas, a supervisão deve ser permanente e assegurada por um adulto responsável. Não deve ser esquecido que braçadeiras, boias, colchões insufláveis e outros dispositivos recreativos não substituem a vigilância de um adulto nem garantem proteção contra o afogamento.
Em embarcações, desportos náuticos ou outras atividades aquáticas, o uso de colete salva-vidas adequado à idade e ao tamanho da criança constitui uma medida de segurança essencial.
A exposição solar merece igualmente atenção. A exposição excessiva ao sol pode provocar queimaduras, desidratação e aumentar o risco de problemas de saúde a longo prazo. Procure permanecer à sombra entre as 11h e as 17h, período em que a radiação ultravioleta atinge valores mais elevados. Utilize protetor solar adequado ao seu tipo de pele, reaplicando-o regularmente, sobretudo após os banhos ou transpiração intensa. Chapéu, óculos de sol com proteção ultravioleta e vestuário leve constituem, também, importantes medidas de proteção.
Procure beber água regularmente ao longo do dia, sem esperar pela sensação de sede. As necessidades hídricas variam de pessoa para pessoa e são influenciadas por fatores como a idade, o peso, a atividade física e a temperatura ambiente. Tonturas, dor de cabeça, fadiga excessiva ou mal-estar podem ser sinais de desidratação e merecem atenção.
Leia o artigo completo na edição de julho-agosto 2026 (nº 373)














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