Todos os anos, milhares de portugueses partem para destinos tropicais em busca de paisagens incomuns, culturas diferentes, praias idílicas e descanso. O que poucos sabem é que a maior parte das doenças que afetam os viajantes são completamente evitáveis – com a informação certa.
Artigo da responsabilidade da Dra. Andreia Castro. Médica de Família com pós-graduação em Medicina do Viajante. Fundadora e CEO da plataforma médica Consulta do Viajante Online
Os portugueses sempre tiveram sede de descoberta. Nos dias que correm, viajar já não é um luxo, mas não nos podemos esquecer de levar na mala algo bastante importante: consciência e preparação.
ANTES DE PARTIR
O erro mais comum é pensar na saúde somente “em cima da hora” ou pior, “quando o azar bate à porta”.
A preparação ideal começa antes da viagem. A Consulta do Viajante é o momento médico por excelência para todas as dúvidas serem colocadas e onde o especialista pode avaliar e enquadrar os fatores de risco do viajante com os do destino, alertando sobre cuidados a ter antes, durante e após, para além da recomendação adequada de tudo o que deve adquirir na farmácia.
Fazer a consulta demasiado cedo pode ser uma desvantagem. As alterações climáticas globais, assim como conflitos armados e outros fatores têm facilitado o surgimento de surtos em locais e dimensões imprevisíveis. O período ideal é 4 a 6 semanas antes de partir, permitindo uma perceção mais realista dos problemas em tempo real. Esse tempo já prevê a toma de vacinas ou antimaláricos, facilitando um aconselhamento tranquilo e garantindo que as vacinas têm tempo para alcançar a sua máxima eficácia, para além de evitar tempos de espera acima da média ou o risco de alguns produtos estarem esgotados.
O que deve fazer por conta própria
Além da Consulta do Viajante, há muito que pode – e deve – fazer por conta própria:
- Informe-se atempadamente sobre as condições do voo e políticas de cancelamento, e verifique a necessidade de obter o Visto;
- Descarregue a App Registo Viajante, do MNE;
- Adquira um seguro de viagem – e atenção às coberturas (ou ausência delas) – caso tenha doenças crónicas ou esteja grávida;
- Se viaja na Europa, não se esqueça de pedir – gratuitamente – o Cartão Europeu de Seguro de Doença no site da Segurança Social;
- Acompanhe as notícias locais no que toca a fatores como o clima, greves ou conflitos.
ÁGUA E ALIMENTAÇÃO
A diarreia do viajante afeta até cerca de 60% dos turistas, dependendo de variáveis como comportamento e suscetibilidade individual, condições no destino e duração da estadia. Não apenas incómoda, pode levar a quadros de desidratação com necessidade de observação hospitalar.
O consumo de água engarrafada e de alimentos bem cozinhados resolve muitos destes problemas logo na sua origem, ao limitar a ingestão de microrganismos e toxinas. Comer na rua não é proibido (aliás, faz parte da experiência de qualquer viagem!), desde que a comida seja preparada com higiene, a quente e servida de imediato. Em qualquer cenário, evitar saladas e descascar a fruta pode ser uma opção sensata.
MOSQUITOS
O mosquito é o animal mais mortífero do mundo, com até 1 milhão de mortes por ano vinculadas à transmissão de doenças de prevalência e gravidade variável.
Conhecer o comportamento dos mosquitos, assim como evitar a sua picada, é essencial: o mosquito Aedes, responsável pela transmissão de dengue, zika, febre-amarela e chikungunya, tem maior atividade durante o dia, enquanto o Anopheles (mosquito da malária) tem maior atividade noturna. Ambas as espécies têm picos de atividade ao amanhecer e anoitecer.
São muitas as estratégias de prevenção: no exterior, repelentes para a pele, inseticidas para tecidos, roupas longas e fluídas quando possível e evitar proximidade com zonas de água parada fazem toda a diferença. Entre paredes, redes mosquiteiras nas janelas, portas e/ou camas e uso de ventoinhas e ar condicionado são aliados importantes.
Risco baixo é diferente de risco zero
Por vezes, as piores surpresas acontecem. O Brasil é dos países do mundo com mais casos de dengue; e onde a febre-amarela continua a ser endémica tal como também acontece em muitos países de África.
O zika pode trazer consequências graves, sobretudo para mulheres grávidas ou que pretendem engravidar.
O chikungunya é uma doença emergente em vários pontos do mundo e a malária, que mata mais de 600 mil pessoas por ano (segundo a OMS), continua a ser desvalorizada e a sua evicção prejudicada por mitos associados aos antimaláricos, perpetuados por más experiências individuais que, muitas vezes, são decorrentes de uso incorreto.
Estas doenças têm tempos de incubação que podem variar de poucos dias a semanas – ou até meses, como no caso da malária.
Leia o artigo completo na edição de julho-agosto 2026 (nº 373)














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