Doença de Parkinson: o que pode ser feito?

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A doença de Parkinson é uma enfermidade de evolução lenta e progressiva, na qual se perdem os mensageiros químicos, produzidos no cérebro, responsáveis pelo controlo de movimentos. Em Portugal, calcula-se que existam 22 mil pacientes.

 

Em 1817, o médico britânico James Parkinson falou, pela primeira vez, de uma doença cujos sintomas eram a rigidez e o tremor. Parkinson escreveu um ensaio completo sobre a “paralisia trepidante”, no qual assinalou todos os sintomas da doença que tem agora o seu nome. Posteriormente, provou-se que não existe uma verdadeira paralisia, mas sim uma perturbação no controlo dos movimentos voluntários e involuntários.

Segundo a Associação Europeia da Doença de Parkinson, existem aproximadamente 1,2 milhões de pessoas que sofrem desta doença, entre os quais cerca de 22 mil portugueses.

A doença costuma manifestar-se na quinta ou sexta década da vida ou, muito excecionalmente, mais cedo. A sua incidência aumenta com a idade, constituindo esta, só por si, um fator de risco, sendo previsível que o número de doentes aumente, à medida que aumenta a esperança de vida das populações.

O diagnóstico e tratamento da doença de Parkinson são difíceis, sendo recomendável que o médico de família envie o paciente a um neurologista, para confirmação do diagnóstico e tratamento adequado.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Os principais sintomas da doença são tremor, rigidez, acinesia e instabilidade postural. Mas o quadro clínico não se inicia sempre da mesma maneira em todos os doentes. Em 70% dos casos, a doença começa por tremor localizado, geralmente num membro superior, que atinge depois o outro membro do mesmo lado. Este tremor pode ficar confinado a metade do corpo durante meses ou anos, só depois se estendendo ao outro lado. O tremor ocorre quando os membros estão em repouso e desaparece quando o doente executa movimentos. É importante fazer a distinção com o tremor essencial ou benigno, que só aparece durante o movimento e não em repouso.

RIGIDEZ, ACINESIA E DESEQUILÍBRIO

A rigidez é uma dificuldade de relaxação dos músculos. Pode atingir qualquer grupo muscular do tronco ou dos membros. Começa, muitas vezes, só num membro, podendo variar ao longo do dia, ser influenciada pelo humor, pelo stress e por medicamentos.

A acinesia caracteriza-se por atraso na iniciativa motora, refletindo provavelmente um tempo de reação prolongado, execução lenta de movimentos voluntários, dificuldade de alcançar o alvo com um simples e único movimento, fadiga rápida com a execução de movimentos repetidos, incapacidade para executar ações simultâneas (por exemplo, o doente não consegue abotoar um botão enquanto responde a uma pergunta) e incapacidade para executar ações sequenciais.

Ainda outras manifestações de acinesia são o rosto inexpressivo, a diminuição de volume de voz, o aumento excessivo de saliva e a micrografia (letra pequena e tremida). Os familiares descrevem os doentes como estando “parados”.

A instabilidade postural – ou desequilíbrio – está mais vezes presente nos casos com maior tempo de evolução. É um desequilíbrio que se torna patente durante a marcha ou quando o doente muda de direção. O doente adota uma postura encurvada. Uma vez que perde a capacidade de fazer rapidamente uma correção da sua postura, a tendência é cair para diante ou para trás. A instabilidade postural associada à alteração da marcha é usualmente o último dos sintomas  a surgir; é das manifestações da doença a mais difícil de tratar e representa um traço de progressão.

Leia o artigo completo na edição de novembro 2016 (nº 266)

 

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