Dieta hiperproteica está na moda… mas será que vale a pena?

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Uma dieta hiperproteica é aquela que, como o nome indica, privilegia um consumo maior de proteínas. Nestas dietas, é dada a prioridade às carnes e lacticínios, sendo excluídos da ementa, praticamente na totalidade, as massas, o arroz, o pão, os doces e a maioria das frutas. É um facto que este tipo de dieta emagrece. Ajuda a perder bastante peso no início. Mas será que é bom? Que preço estamos prontos a pagar para perder 6kg ou mesmo 8kg num mês?

0 Claudia Pacheco2Artigo da responsabilidade da Dra. Cláudia Pacheco, Farmacêutica e licenciada em Nutrição; diretora técnica na Farmácia Penafirme; autora do Blog Canelachic.com

 

Quem segue uma dieta hiperproteica deve ser avisado pelo profissional de saúde que o acompanha dos riscos que daí podem advir. É preciso que todos tenham consciência das consequências que surgem com o passar do tempo.

O consumo de proteínas na alimentação deve contribuir com 10-15% das calorias ingeridas. Quando a ingestão de proteínas ultrapassa as recomendações, a probabilidade dos rins começarem a ser sobrecarregados é muito grande. Começa a haver um aumento da taxa de filtração glomerular (filtração dos rins). O peso e o volume dos rins aumentam e há incremento da predisposição para a formação de cálculos renais (pedras nos rins).

DIETA SAUDÁVEL OU DOENTIA?

Este tipo de dietas restringe as pessoas de consumirem determinados tipos de alimentos, como é o caso da sopa e da fruta. Isto torna-se, no mínimo, estranho. Então, se à partida sabemos que tanto as frutas (ricas em vitaminas e fibras) como as sopas (ricas em vitaminas, fibras e minerais) devem de fazer parte de uma alimentação saudável e equilibrada (frutas cerca de 3 vezes ao dia com casca e legumes cerca de 3-5 vezes ao dia), por que as excluímos? Será isto uma forma de dieta saudável? Ou, pelo contrário, um meio de perder peso de forma doentia?

Os cereais são igualmente retirados por completo neste tipo de dietas. Em substituição do pão do pequeno-almoço, comemos uma omelete, bem como ovos cozidos a meio da manhã e a meio da tarde, para maximizar os resultados, visto estes serem extremamente saciantes. A sério? E depois de atingir os objetivos? Vai passar o resto da vida com este tipo de alimentação? Ou vai voltar a engordar, para retomar a mesma dieta?

DIETAS NAS REDES

Diariamente, vejo postado nas redes sociais listas de compras, muitas delas com imagens, inclusive. E penso: será possível que só comam isto? Que alimentação é esta? Prescrita por alguém? Não acredito! Copiada de amigos ou de vizinhos? Talvez.  As listas incluem maioritariamente: salsichas enlatadas, presunto, ovos, pão integral industrializado, requeijão, gelatinas, o tão na moda queijo QuarK . Cuidadosamente, cheguei a responder e sugerir outro tipo de alimentos… A resposta foi: “A dieta não permite esse tipo de alimento”. Não permite? Então, quer dizer que as dietas agora obrigam-nos a comer de uma forma errada e prejudicial e o correto é eliminar o que faz bem à saúde…

Ainda nas redes sociais, as pessoas queixam-se que começaram a fazer dieta e que estão cheias de tonturas e dores de cabeça, outras sentem náuseas e muita fraqueza e continuam a achar que estão a fazer o melhor para a saúde. Só precisam de aguentar uma ou duas semanas, que depois o corpo habitua-se e passa tudo.  “ O organismo tem de entrar em cetose e assim permanecer para conseguir emagrecer”, afirmam. A cetose nada mais é do que um estado onde a queima de gordura está em níveis altíssimos. Isso ocorre porque o corpo está a ser obrigado a obter energia quase exclusivamente a partir de corpos cetónicos, e não da glicose, a fonte tradicional de combustível para o organismo.

Será que estas meninas, sedentas por perderem peso de uma forma rápida (ainda que a probabilidade de voltarem à estaca zero quando pararem a restrição seja muito elevada), sabem o quão mal estão a fazer ao próprio organismo?

Uma alimentação rica em salsichas, fiambre, presunto e afins promove que os nitritos e nitratos que as constituem sejam transformados em nitrosaminas, substâncias com uma potente ação cancerígena, responsáveis por elevados índices de cancro do estômago, cavidade oral, pulmão, esófago, pâncreas, fígado, nasofaringe e bexiga. Sem esquecer a quantidade elevada de sal que possuem.

Leia o artigo completo na edição de abril 2016 (nº 260)

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