COVID-19, depressão e suicídio

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No contexto da atual pandemia, há uma forte tendência para desvalorizar a sintomatologia depressiva. Por sua vez, a depressão é a principal causa de morte por suicídio. No mês em que se assinala o dia mundial da prevenção do suicídio, importa unir esforços e ajudar quem se encontra em sofrimento.

Artigo da responsabilidade da Dra. Marisa Marques, Psicóloga Clínica e da Saúde; Trofa Saúde Hospital de Barcelos e Trofa Saúde Hospital de Braga Norte.

 

A depressão consiste numa perturbação mental muito comum no ser humano. Caracteriza-se por ser uma perturbação emocional persistente, que afeta negativamente a forma como a pessoa se sente, pensa e age. Provoca, por sua vez, sentimentos de tristeza e/ou perda de interesse, nomeadamente nas atividades habituais do quotidiano, e diminui de forma significativa a capacidade funcional da pessoa, quer a nível profissional, quer a nível social.

DIAGNÓSTICO DA DEPRESSÃO

No contexto atual, a existência da pandemia de Covid-19 constituiu uma ameaça para a saúde, tanto a nível físico como psicológico, considerando-se urgente e emergente uma atitude.

De facto, estamos a viver uma situação de instabilidade emocional significativa, em que os sentimentos de angústia, tristeza, depressão, raiva, medo, bem como outras alterações, dominarão o nosso dia a dia. Como consequência, prevê-se que, haverá uma forte tendência a desvalorizar a sintomatologia depressiva, uma vez que a mesma terá poderá ser confundida com a tristeza e esgotamento, o que dificultará o diagnóstico da depressão.

CAUSA DE 800 MIL SUICÍDIOS

A depressão é o “trilho doloroso” que induz a um sofrimento intenso, conduzindo em casos extremos ao suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015, cerca de 300 milhões de pessoas tinham diagnóstico de depressão. Em Portugal, a realidade não é diferente da situação mundial: estima-se que haja cerca de um quinto da população (22,9%) com sintomatologia depressiva.

Atualmente, sabe-se que a depressão é considerada a doença que mais contribui para as mortes por suicídio, com um índice bastante elevado: falamos de 800 mil situações por ano, em todo o mundo.

Apesar de ainda ser um assunto tabu da nossa sociedade, o suicídio encontra-se entre as 10 principais causas de morte em Portugal e em todo o mundo. No nosso país, anualmente, suicidam-se cerca de 1000 pessoas. No entanto, desde o início da pandemia, o número de suicídios aumentou drasticamente, assunto que está nas primeiras páginas dos jornais, tal como os números de infetados por COVID-19.

No entanto, é mais fácil olhar para o lado e mascarar esta realidade, do que nos comprometermos.

DEVER DE ESTAR ATENTO

Todos temos o dever de estar atentos e informados sobre a depressão e as suas consequências, para unir esforços e ajudar quem se encontra em  sofrimento. Por isso, todas as atitudes são preciosas quando se suspeita que alguém possa estar depressivo e com pensamentos suicídas.

O importante, numa primeira fase, é tentar entender o que está a acontecer e quais os sentimentos associados. Não tenha medo de perguntar à pessoa porque se sente triste, deprimida e se está a pensar em suicídio (desistir de algo).

Sendo que é improvável, para não dizer impossível, que a depressão passe por si só, torna-se fundamental que o primeiro passo seja aceitar que precisamos de ajuda e, consequentemente, procurar ajuda dos profissionais de saúde mental (psicólogos e psiquiatras).

A DEPRESSÃO PRECISA SER TRATADA

A depressão, tal como as doenças físicas, precisa de ser tratada. Em todos os casos, o recurso à psicoterapia é fundamental e, em casos mais específicos, deve-se complementar o tratamento com a utilização de psicotrópicos.

Lembre-se que a grande maioria das pessoas deprimidas melhora substancialmente com um tratamento apropriado. De uma forma geral, os quadros depressivos de intensidade moderada a grave são tratáveis com a conjugação da Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e medicação. Sendo que, em casos ligeiros, serão intervencionados apenas com Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.

Reforço o alerta: se conhecerem alguém que possa ter uma perturbação de humor, o mais importante a ser feito é aconselhar-lhe a procurar ajuda. Não devemos minimizar a depressão, antes pelo contrário, devemos ser ativos na procura de uma resposta.

A saúde mental é um assunto sério: sem saúde mental não há saúde.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2020 (nº 308)

 

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