À entrada de um novo ano, é o momento certo para refletir sobre como podemos – individualmente e enquanto sociedade – transformar a relação entre a alimentação e a saúde, passando das intenções às ações concretas.
Artigo da responsabilidade da Dra. Diana Teixeira. Nutricionista. Professora NOVA Medical School
Nos últimos anos, tornou-se impossível ignorar um facto simples: a forma como nos alimentamos é um dos determinantes mais importantes da nossa saúde. As doenças crónicas – como a obesidade, as doenças cardiovasculares, a diabetes ou alguns tipos de cancro – continuam a crescer em Portugal e no mundo, e grande parte desta carga de doença poderia ser evitada com uma alimentação mais saudável, equilibrada e acessível.
A Organização Mundial da Saúde recorda que as doenças não transmissíveis são responsáveis por mais de 41 milhões de mortes por ano – três em cada quatro mortes em todo o mundo. Entre os vários determinantes, a qualidade da alimentação destaca-se como um dos mais decisivos e modificáveis.
MAIS DO QUE BOAS ESCOLHAS INDIVIDUAIS
Que 2026 seja o ano em que mudamos verdadeiramente a forma como olhamos para a alimentação. Cada vez mais, o mundo reconhece que comer bem não é apenas uma escolha individual e de estilo de vida, mas uma ferramenta poderosa de prevenção e tratamento para muitas doenças com etiologia alimentar, com impacto direto na saúde e nos enormes custos associados às doenças crónicas em Portugal.
Mas o desafio é maior do que promover “boas escolhas individuais”. Exige transformar os contextos em que decidimos o que comer – das escolas aos hospitais, dos supermercados às cantinas – garantindo que alimentos saudáveis são acessíveis, valorizados e fáceis de escolher.
Promover a saúde através da alimentação implica criar condições para que todos possam comer melhor, independentemente do contexto socioeconómico. E isso exige informação credível, ambientes alimentares mais saudáveis e políticas que coloquem a prevenção no centro.
À entrada de um novo ano, é o momento certo para refletir sobre como podemos – enquanto sociedade – transformar a relação entre a alimentação e a saúde, passando das intenções às ações concretas.
NÃO DEIXE QUE O MARKETING ALIMENTAR DECIDA POR SI
Nos últimos anos tem-se tornado evidente um fenómeno preocupante: alguns setores da indústria alimentar recorrem a estratégias semelhantes às usadas pela indústria tabaqueira, criando dúvidas sobre estudos científicos e utilizando publicidade sofisticada e influenciadores digitais para moldar a opinião pública. Esta abordagem pode dar uma falsa sensação de segurança sobre produtos alimentares que, muitas vezes, estão associados a riscos claros para a saúde.
Por isso, é essencial que os consumidores – especialmente numa altura do ano em que muitos procuram melhorar a alimentação – aprendam a distinguir evidência científica de marketing.
As escolhas alimentares não devem basear-se em campanhas publicitárias, tendências nas redes sociais ou recomendações de figuras públicas sem formação na área. Procurar fontes credíveis, como profissionais de saúde, e organizações reconhecidas como a Direção Geral da Saúde, em particular através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (https://nutrimento.pt/), é um passo fundamental para proteger a saúde e evitar que interesses comerciais imponham aquilo que coloca no prato.
ESCOLHA MELHOR OS ALIMENTOS QUE LEVA PARA CASA
Os alimentos ultraprocessados são produtos fabricados industrialmente que contêm vários ingredientes pouco usados na confeção caseira de alimentos, como aditivos, aromas artificiais, corantes, edulcorantes e conservantes.
Exemplos comuns incluem refrigerantes, bolachas recheadas, cereais muito açucarados, refeições prontas, snacks salgados, produtos de charcutaria e outros produtos transformados à base de carne e pescado.
Estes produtos tendem a ser ricos em açúcar, sal e gordura saturada, mas pobres em fibra e nutrientes essenciais (vitaminas e minerais), estando o seu consumo frequente associado a um maior risco de doença metabólica.
Por serem práticos, baratos e fortemente promovidos, estão cada vez mais presentes na alimentação diária, tornando importante aprender a reconhecê-los e a limitar o seu consumo sempre que possível.
Leia o artigo completo na edição de janeiro 2026 (nº 367)














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