Cancro da pele: proteção solar e diagnóstico precoce em período de pandemia

O  início do verão, ainda condicionado pelas medidas de proteção recomendadas pela DGS, tornam importante relembrar os cuidados a ter com a exposição solar, desta feita, adaptados à realidade covid-19.

 

Artigo da responsabilidade do Prof. Dr. João Maia Silva, dermatologista no Hospital CUF Descobertas e na Clínica CUF Alvalade. Coordenador da Unidade de Cancro da Pele da CUF Oncologia

 

Pequenos períodos de exposição solar que resultam das atividades diárias habituais, como uma curta caminhada ao Sol, permitirão à maioria das pessoas manter níveis aceitáveis de vitamina D, especialmente durante a primavera e o verão.

Enquanto médico especialista em cancro de pele, recomendo que não se adotem comportamentos de risco com implicações no aumento da incidência de tipo de cancro. Em caso de défice de vitamina D, deve efetuar suplementação oral sob orientação do seu médico assistente, para manter os ossos e os músculos saudáveis.

Em especial, os níveis de vitamina D não devem ser argumento para a utilização de solários. É reconhecido pela OMS que a utilização de solários, mesmo que de forma ocasional, está associado ao aumento da mortalidade por cancro da pele.

Diagnóstico precoce do cancro cutâneo

O cancro da pele pode ser dividido em três categorias: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma maligno.

As estimativas indicam que, por ano, surgem 12.000 novos casos de cancro da pele em Portugal, mil dos quais melanomas, que provocam cerca de 250 mortos anualmente.

Este período é um bom momento para efetuar o autoexame dos sinais, assim como a vigilância dos sinais das pessoas do nosso agregado familiar.

A Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo recomenda que se examine a pele da cabeça aos pés, todos os meses. Basta usar uma luz brilhante, um espelho de corpo inteiro, um espelho de mão, duas cadeiras ou bancos e um secador de cabelo.

Procure algo de novo, diferente ou incomum, na sua pele: um sinal que não existia ou que tenha começado a crescer; um sinal que se tenha modificado ou que seja diferente de todos os outros; uma ferida que não cicatriza. Tire fotos no seu telefone de algo novo e monitorize a respetiva evolução no tempo.

Em caso de suspeita, deve consultar o seu médico assistente ou um dermatologista, que pode examiná-lo e dar as melhores recomendações.

Não deve desvalorizar nenhum destes sinais de alerta. Não deve negar a sua existência. Também não deve deixar de procurar ajuda devido à pandemia. As Unidades de Saúde estão a criar condições para receber em segurança os doentes não-covid, pelo que não deve adiar a sua consulta.

Em caso de cancro da pele, no futuro próximo, a lesão estará maior e será mais difícil de tratar. O atraso no tratamento do cancro cutâneo pode fazer a diferença entre a cura e a morte.

Para mais informações, pode consultar www.apcancrocutaneo.pt.

 

DESTAQUE

Mitos recentes que interessa clarificar

  • A exposição solar, por mais intensa que seja, não previne o contágio por covid-19 nem é tratamento em caso de infeção.
  • A radiação UV não deve ser usada para desinfetar as mãos, sob risco de provocar irritação da pele.

 

DESTAQUE

Dicas para uma correta proteção solar

  • Devemos evitar a exposição solar, na medida do possível, entre as 11h e as 16h. Se estamos expostos, devemos proteger-nos.
  • Na primeira linha de proteção solar temos a procura da sombra e utilização de roupas de proteção.
  • As roupas de proteção incluem o chapéu de abas largas e os óculos de sol (certifique-se que fornecem 100% de proteção UV) e, sempre que possível, mangas e calças mais compridas.
  • Aplique uma camada generosa de protetor solar 20 minutos antes de sair e novamente quando sair. Desta forma, procura-se garantir que está a aplicar uma quantidade suficiente. A segunda camada de protetor solar também ajuda a cobrir as áreas da pele que, de forma inadvertida, não receberam protetor solar na primeira aplicação.
  • Deve aplicar o protetor solar antes de colocar a máscara facial, sob risco de deixar áreas da face desprotegidas.
  • Deve reaplicar protetor solar regularmente, pelo menos, a cada duas horas. Deve manter este cuidado mesmo estando a usar máscara.
  • Utilize um protetor solar adaptado à sua pele, em especial se tiver alguma condição que possa agravar ou que esteja associada a intolerância a alguns tipos de cremes. Este cuidado ainda se torna mais importante em período de utilização de máscara facial.
  • Recomendamos, no mínimo, um SPF 30, com boa proteção UVA.
  • Se estiver a praticar exercício ou a suar enquanto trabalha, deverá reaplicar o protetor solar com maior frequência, pois é fácil remover ou limpar o protetor solar nessas circunstâncias.
  • Se não estiver a usar um chapéu de abas largas, não se deve esquecer de aplicar protetor solar em áreas como orelhas, nuca e em áreas de calvície. Estas áreas, muitas vezes descuradas, são uma localização frequente do cancro da pele.

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