Aparelho digestivo, o gastrenterologista e os portugueses

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Estima-se que um terço dos portugueses venha a necessitar de um gastrenterologista durante qualquer período da sua vida.

 

Pelo Prof. Rui Tato Marinho, Vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia; Diretor do Serviço de Gastrenterologia e Hepatologia, Centro Hospitalar Lisboa Norte

 

Há quem diga que a especialidade de Gastrenterologia é muito complexa. São muitos órgãos, a dispersão é muito grande. Hoje, até é difícil encontrar aquele gastrenterologista que saiba a fundo de todos os órgãos. Vamos contar essas estruturas: esófago, estômago, intestino delgado, cólon, fígado, vias biliares, vesícula biliar, pâncreas, veias hemorroidárias. Quase uma dezena.

Enquanto que o cardiologista tem apenas um órgão como imagem de marca, o gastrenterologista tem que dispersar essa imagem por quase uma dúzia de órgãos.

Factos e Números

Qual a relevância dos gastrenterologistas e das doenças do aparelho digestivo: ninguém gosta de ter diarreia, prisão de ventre, hemorroidas, ficar amarelo (icterícia), vomitar sangue, ter azia, refluxo, pedras na vesícula, dor abdominal, etc. Como se depreende, não são sintomas nada agradáveis. Mas ainda há mais.

Estima-se que um terço dos portugueses venha a necessitar de um gastrenterologista durante qualquer período da sua vida.

Vejamos os factos e números. Qual a relevância das doenças dos vários órgãos que constituem o aparelho digestivo?

Das 10 principais causas de morte dos portugueses, um terço delas dizem respeito a órgãos digestivos: cancro do estômago, cancro cólon, doenças do fígado (cirrose e cancro do fígado). Um terço dos cancros são do aparelho digestivo, são aqueles que a chamamos “Big Five” (esófago, estômago, pâncreas, cólon, fígado), sendo responsáveis por 10% das mortes dos portugueses. Dois dos cancros de pior prognóstico (pâncreas e fígado) tem a ver com a Gastrenterologia; e 95% estão mortos ao fim de uma ano. Relativamente estes cancros, estima-se que venhamos a assistir ao seu aumento nos próximos 30 anos, o que traz um desafio muito grande à nossa prática diária. O número de mortos por cancro do pâncreas duplicou nos últimos 25 anos e, em Portugal, está quase a ultrapassar o da mama: 1551 e 1798, respetivamente, em 2017.

Leia o artigo completo na edição de maio 2019 (nº 294)

 

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