Alopécia androgenética: causas, diagnóstico e tratamentos

A calvície é uma patologia que afeta grande parte dos homens e um número significativo de mulheres. Sendo a prevenção uma medida essencial, a mesma nem sempre é eficaz. Assim, o único tratamento corretivo eficaz e que permite resultados naturais é o transplante capilar.

Artigo da responsabilidade do Dr. Carlos Portinha

 

 

A queda de cabelo e calvície estão, na maior parte dos casos, associadas a uma doença chamada alopécia androgenética, a qual afeta homens e mulheres em diferentes graus de gravidade.

Para a prevenção da alopécia androgenética ainda não existe um tratamento 100% eficaz, existindo, no entanto, opções terapêuticas com eficácia considerável. O único tratamento reconstrutivo verdadeiramente eficaz para a alopécia androgenética já instalada é o transplante capilar, sendo a técnica FUE (Follicular Unit Extraction) a que apresenta, até ao momento, resultados melhores e mais naturais.

Origem não totalmente conhecida

A alopécia consiste na perda parcial ou total, senil (com a idade) ou prematura, temporária ou definitiva, dos pelos ou cabelos. É uma patologia dermatológica inflamatória crónica comum que afeta os folículos pilosos. A sua origem e subsequente desenvolvimento não são totalmente conhecidos. Porém, é definida como uma desordem autoimune resultante da combinação de fatores genéticos e ambientais.

Geralmente, a alopécia é assintomática, podendo existir irritação da pele, bem como problemas físicos resultantes da perda dos cabelos e pelos. Também pode estar associada a ansiedade ou até mesmo a depressão.

Havendo vários tipos de alopécia, a mais frequente é a alopécia androgenética, mais conhecida como calvície.

Mais comum nos homens

A alopécia androgenética é uma doença classificada pelo CID 10 (Classificação Internacional de Doenças) da OMS e corresponde à perda progressiva do diâmetro, comprimento e pigmentação do cabelo, sendo a forma mais comum de perda de cabelo em ambos os sexos.

É devida à ação das hormonas androgénicas (testosterona e dihidrotestosterona) a nível do couro cabeludo em pacientes com sensibilidade genética para essa influência negativa.

A doença afeta ambos os géneros, sendo mais comum nos homens do que nas mulheres. Aos 30 anos, afeta cerca de 30% dos homens e 3 a 6% das mulheres; aos 50 anos, atinge 50% dos homens e cerca de 20% das mulheres; e acima dos 70 anos, afeta cerca de 80% dos homens e 42% das mulheres. Assim, aumenta a frequência e gravidade com o aumento da idade.

A alopécia androgenética varia também consoante a etnia, sendo a população caucasiana a mais afetada: quatro vezes superior em relação à população africana.

Padrões de perda de cabelo

A alopécia androgenética é definida por um padrão diferente para cada género. O padrão mais comum no género masculino é representado pela Escala de Norwood-Hamilton e apresenta-se como recuo da linha frontal do cabelo num padrão triangular em ambas as entradas, que podem acabar por confluir. Simultaneamente ou até exclusivamente, pode começar a evoluir para a região da coroa, atingindo, nos casos mais graves, toda a região superior do couro cabeludo.

O padrão mais comum no género feminino é apresentado na Escala de Ludwig e corresponde a uma diminuição difusa da região superior do couro cabeludo, com manutenção da linha de cabelo frontal.

Embora estes padrões sejam característicos de cada género, não são exclusivos dos mesmos, podendo ser verificados em ambos os sexos.

A alopécia androgenética é uma doença que pode fazer-se acompanhar de outras doenças e problemas. Sendo o cabelo a proteção natural para o couro cabeludo, a falta deste predispõe a pele desta área para uma maior exposição aos efeitos nefastos dos raios solares, sendo o pior o carcinoma (cancro maligno) da pele de couro cabeludo. Frequentemente, a calvície faz-se também acompanhar de défice de autoestima, ansiedade a até depressão.

Tratamentos

Esta é uma condição progressiva, apresentando habitualmente uma taxa de redução do número de cabelos de 5% por ano.

O tratamento preventivo nem sempre é eficaz e pode passar por fármacos orais, como a Finasterida e a Dutasterida, ou tópicos, como o Minoxidil. No entanto, a eficácia destes tratamentos não é garantida, obriga a tratamento contínuo e acompanha-se de efeitos laterais consideráveis.

Como tratamentos eficazes, em alternativa ou complementaridade aos anteriores, sem que estejam associados a efeitos laterais negativos, aconselha-se o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e a Mesoterapia Nutritiva (cocktail terapêutico com vitaminas e sais minerais, fatores de crescimento, fatores antiandrogénicos, fatores antioxidantes e ácido hialurónico).

O Laser de Baixa Intensidade (LLLT) é também um tratamento com um grau de eficácia considerável, se utilizado de forma contínua e com dispositivos de qualidade comprovada.

Finalmente, é fundamental a lavagem diária do cabelo, com recurso a champôs de qualidade, seguida pela secagem com secador a frio ou baixa temperatura.

Apesar de todos estes cuidados, na maior parte dos pacientes, a calvície progride e a única solução terapêutica eficaz para a reconstrução das áreas afetadas é o transplante capilar.

Transplante: a solução mais eficaz

O transplante capilar é o único tratamento que aumenta substancialmente o número de cabelos. É um processo minimamente invasivo, através do qual unidades foliculares da parte de trás (occipital) e lateral (parietotemporal) do couro cabeludo – zona dadora – são removidas e transplantadas para o local onde há falta de cabelo, na maioria dos casos, a região frontal e superior do couro cabeludo. A escolha destas áreas como dadoras deve-se ao facto de as unidades foliculares destas zonas serem, por características genéticas, resistentes à queda devido a alopécia androgenética e manterem essa vantagem ao serem transplantadas.

A técnica mais eficaz, natural e sem cicatrizes lineares é o transplante capilar pela técnica FUE (Follicular Unit Extraction). Esta técnica consiste na transplantação da unidade folicular (UF) completa, que pode agrupar 1, 2, 3 ou mais folículos, sendo a forma de obter os resultados mais naturais. Apesar de ser uma técnica aparentemente simples, a mesma deve ser executada por equipas de médicos e enfermeiros com treino especializado e experiência para tal.

Trata-se também de um procedimento que tem evoluído muito nos últimos anos, pelo que é importante que se escolha a técnica mais avançada e com recurso à tecnologia mais desenvolvida para tal, como o Dual Extraction Device, que permite o transplante mais rápido e de um maior número de unidades foliculares.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2021 (nº 319)

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