Viver com cancro da mama metastático

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Como lidam as mulheres após a diagnóstico do cancro da mama metastático, com o fardo emocional de saberem que não existe cura?
Artigo da responsabilidade da Dra. Noémia Afonso, Médica Oncologista

 

A participação das mulheres no programa nacional de rastreio, associado à maior atenção para os sinais de alarme, como alterações do aspeto ou nódulo da mama e escorrência mamilar, levou ao aumento do diagnóstico do cancro da mama em fase inicial. Nesta fase precoce da doença, os tratamentos instituídos têm por objetivo a “cura”. Após o impacto do diagnóstico de cancro e a recuperação física e psicológica associada aos diversos tratamentos, que podem incluir cirurgia, quimioterapia, hormonoterapia e radioterapia, a mulher irá tentar retomar a sua vida familiar, social e profissional.

O esforço associado à fase de tratamento e a inevitável revolução na vida da mulher, desde o seu aspeto físico até ao seu papel na família e sociedade, pode torná-la física e emocionalmente frágil, e justifica todo o apoio psicológico que pode ser necessário durante um período longo de tempo. A continuação da vigilância médica regular, assim como do tratamento hormonal que pode durar vários anos, têm de entrar na sua rotina, aprendendo a mulher a gerir a angústia que acompanha cada avaliação, causada pelo receio de que a doença regresse.

TRISTEZA E ANGÚSTIA

De facto, entre 20 a 30% das doentes com diagnóstico de cancro da mama precoce vêm a apresentar metastização, por vezes, muitos anos após o diagnóstico. Ou seja, a doença, com origem na mama, recorre na forma de lesões – metástases – em órgãos distantes, seja no osso, na pele, no pulmão, no fígado, no cérebro, etc.  Há ainda a acrescentar 5 a 10% das mulheres com cancro da mama que apresentam metástases no diagnóstico.  Para estas mulheres, a vida toma uma forma diferente. Já não enfrentam um diagnóstico de cancro em fase inicial, em que conseguem estabelecer uma perspetiva de tratamento que, mesmo sendo longo, tem um fim à vista.  Agora, as consultas, os tratamentos e os exames vão ser uma constante interminável, com enorme impacto na sua vida. A tristeza e angústia são inevitáveis. O risco de afastamento da família e amigos é elevado.

APOIO DE TODOS

Compete a todos, como sociedade, desenvolver mecanismos para salvaguardar estas mulheres, permitindo que mantenham a sua autoestima e usufruam em cada dia de momentos de felicidade. O apoio à mulher depende fundamentalmente da família ou outros cuidadores próximos. É muito importante a sua disponibilidade, não apenas no que se refere a acompanhamento a idas ao hospital, mas também para contribuir para o bem-estar da doente e seus conviventes. Assim, é necessário reforçar estes cuidadores, possibilitando-lhes apoio psicológico, social e económico.

Na doente com cancro da mama metastático, o tratamento tem por objetivo o controlo da doença, eliminar ou reduzir sintomas, e preservar ou melhorar a qualidade de vida; não se fala de “cura”. A escolha do melhor tratamento, mais eficaz e com menor toxicidade, é uma preocupação constante dos médicos. O maior conhecimento sobre a doença e a sua evolução, assim como o desenvolvimento de mais possibilidades terapêuticas e mais eficazes, levou ao aumento da sobrevivência de algumas destas doentes.

Leia o artigo completo na edição de novembro 2017 (nº 277)

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