As mudanças de temperatura típicas do outono e a maior circulação de vírus tornam importante cuidar das defesas do organismo. Nos seniores, esta atenção é particularmente relevante: a resposta imunitária pode tornar-se menos eficaz com a idade, aumentando a vulnerabilidade, não só a infeções respiratórias, mas também a outras doenças.
Com a chegada do outono, as alterações bruscas do clima e a maior permanência em espaços fechados marcam o início de um período em que o organismo é particularmente desafiado. É também uma altura do ano em que aumentam a circulação de diversos agentes infecciosos e a incidência de problemas de saúde que podem afetar de forma mais significativa as pessoas com maior vulnerabilidade. Entre elas estão os seniores, para quem preservar a capacidade de resposta do sistema imunitário assume uma importância acrescida.
REFORÇAR AS DEFESAS
Falar em “reforçar as defesas” não significa, necessariamente, estimular o sistema imunitário a qualquer custo. O objetivo é garantir que o organismo dispõe das condições necessárias para funcionar adequadamente. O sistema imunitário é uma rede complexa de células, tecidos, órgãos e mecanismos que trabalham em conjunto para reconhecer e combater agentes potencialmente nocivos, ao mesmo tempo que ajudam a controlar processos inflamatórios e a manter o equilíbrio do organismo.
À medida que envelhecemos, este sistema sofre alterações. A chamada imunossenescência pode traduzir-se numa resposta imunitária menos eficiente, tornando algumas infeções mais difíceis de combater e aumentando o risco de complicações. Por isso, nos seniores, a prevenção deve assumir um papel central e começar muito antes de surgir a doença.
MAIS DO QUE PREVENIR GRIPES
Quando se fala na importância das defesas do organismo durante o outono, é frequente pensar sobretudo em constipações, gripe ou outras infeções respiratórias. Estas são, de facto, relevantes, mas estão longe de ser a única preocupação. Um sistema imunitário comprometido ou uma resposta imunitária menos eficaz pode ter impacto na capacidade do organismo para enfrentar diferentes tipos de infeções e recuperar de uma doença.
Uma infeção que num adulto saudável pode ter uma evolução ligeira, num sénior pode, em determinadas circunstâncias, provocar consequências mais importantes. Infeções urinárias, infeções da pele, infeções gastrointestinais ou outras doenças de natureza infeciosa podem exigir uma atenção especial, sobretudo quando existem doenças crónicas, fragilidade ou outras condições que aumentem a vulnerabilidade.
Além disso, a saúde imunitária não deve ser analisada isoladamente. O envelhecimento está frequentemente associado à presença de doenças crónicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias ou doença renal, que podem condicionar a resposta do organismo perante uma infeção. Uma doença aguda pode, por sua vez, descompensar uma condição que estava controlada, desencadeando um ciclo de perda de autonomia, internamento e recuperação prolongada.
É por isso que cuidar das defesas do organismo significa também cuidar da saúde global. Manter as doenças crónicas devidamente acompanhadas, cumprir a medicação prescrita, manter consultas e rastreios, efetuar as vacinas recomendadas e estar atento a alterações no estado de saúde são medidas tão importantes como adotar hábitos de vida saudáveis.
ALIMENTAÇÃO: A PRIMEIRA LINHA DE DEFESA
Uma alimentação equilibrada constitui uma das bases para o normal funcionamento do sistema imunitário. O organismo necessita de energia, proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes para assegurar a produção e atividade das células envolvidas na resposta imunitária.
Frutas e hortícolas variados, leguminosas, cereais integrais, peixe, ovos, carnes e outras fontes de proteína, frutos oleaginosos e gorduras de boa qualidade podem contribuir para uma alimentação diversificada. A variedade é particularmente importante porque diferentes nutrientes desempenham funções distintas no organismo.
Entre os micronutrientes associados ao normal funcionamento do sistema imunitário encontram-se, por exemplo, as vitaminas A, C, D e B6, bem como o ácido fólico, a vitamina B12 e minerais como o zinco, o ferro, o selénio e o cobre. Isto não significa, contudo, que tomar doses elevadas destes nutrientes vá automaticamente “fortalecer” as defesas. O benefício é mais evidente quando existe uma ingestão inadequada ou uma deficiência nutricional.
Nos seniores, esta questão merece atenção adicional. A diminuição do apetite, alterações do paladar e do olfato, problemas de mastigação ou deglutição, dificuldades económicas, isolamento social e determinadas doenças ou medicamentos podem contribuir para uma alimentação insuficiente ou pouco variada. Em alguns casos, a pessoa pode ingerir quantidade suficiente de alimentos, mas não obter todos os nutrientes de que necessita.
A avaliação individual por um profissional de saúde pode, nestas situações, identificar carências e orientar estratégias adequadas.
Leia o artigo completo na edição de outubro 2026 (nº 375)













