Largue o tabaco!

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Numerosos estudos, em todo o mundo, já demonstraram que o consumo de tabaco é responsável pelo aparecimento e desenvolvimento de doenças graves. São conhecidas três dezenas de patologias diferentes que têm o tabaco como foco de desenvolvimento, entre elas o cancro do pulmão, a bronquite e os enfisemas.

 

A nicotina é considerada a grande responsável pela dependência tabágica, ao criar no fumador níveis de habituação tendencialmente mais elevados. O consumo de tabaco é um problema que afeta cada vez mais pessoas, sendo responsável por 10 a 15% da mortalidade, em geral. O número de fumadores assume proporções assustadoras, aproximando-se dos mil milhões, em todo o mundo. Na Europa, o fumo do tabaco é responsável por quase dois milhões de mortes anuais.

Em Portugal, as estatísticas indicam que cerca de 20% da população portuguesa é fumadora, numa proporção de três homens por cada mulher. É um facto que os homens têm vindo a fumar cada vez menos, embora ainda sejam os mais fumadores. Por outro lado, a taxa das mulheres fumadoras tem vindo a aumentar.

O cancro é a segunda causa de morte em Portugal e, dos vários tipos de cancro que contribuem para este ranking fatal, o cancro do pulmão e outros cancros relacionados com o consumo do tabaco são os seus principais contribuidores. De acordo com um relatório do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, uma pessoa morre a cada 50 minutos, em Portugal, vítima de doenças relacionadas com o hábito tabágico.

O consumo global de cigarros tem vindo a aumentar, desde que os cigarros manufaturados foram introduzidos no início do século XX. E o número de fumadores irá crescer, sobretudo, devido ao aumento da população mundial. Os cigarros matam cerca de metade dos indivíduos que fumam durante a sua vida. Metades desses morrerão entre os 35 e os 69 anos.

Nenhum outro produto de grande consumo tem um tão elevado nível de perigosidade como os cigarros, superando o número de mortes provocado pela SIDA, drogas, acidentes de viação, homicídios e suicídios.

Iniciação na adolescência

A grande maioria dos fumadores inicia o consumo de tabaco na adolescência. Na União Europeia, o pico da iniciação tabágica ocorre entre os 13 e os 15 anos. Atualmente, a experimentação e uso de cigarros, incluindo os eletrónicos e outros produtos de tabaco, pelos adolescentes e jovens está a sofrer um crescimento exponencial. Mais de metade dos jovens que experimentam fumar tornam-se dependentes. Quanto mais precoce é a iniciação e mais frequente é o uso de tabaco, maior é o risco. Portanto, adiar a iniciação tem, só por si, um valor preventivo.

Por outro lado, o uso do tabaco pode funcionar como porta de entrada nas drogas ilegais. A este respeito, alguns estudos sugerem que o uso do tabaco constitui um maior risco para o futuro uso de drogas ilegais do que a ingestão de álcool. O uso de tabaco associa-se, também, a outros comportamentos de risco para a saúde e pode funcionar como indicador da tendência para outros comportamentos desviantes.

Cerca de 90% dos fumadores fuma todos os dias, podendo ser considerados dependentes do tabaco. Nestes casos, deixar de fumar é muito difícil: cerca de 70% dos fumadores declara que gostaria de deixar de fumar, mas apenas alguns o conseguem.

Por este conjunto de razões, controlar o tabagismo e as suas consequências passa, obrigatoriamente, pela prevenção primária dirigida aos jovens, procurando evitar a iniciação e a habituação tabágicas.

Malefícios do tabaco

Os fumadores têm, em média, menos 10 anos de vida que os não-fumadores. Isto porque as substâncias absorvidas destroem alguns órgãos importantes, ao mesmo tempo que fragilizam o organismo em relação a vírus e a doenças oportunistas.

A doença mais vulgar associada ao consumo do tabaco é o cancro. Este pode ocorrer não apenas nos pulmões, mas também na laringe, na faringe ou na boca. Os problemas respiratórios também se agravam, podendo surgir bronquites crónicas ou enfisemas, e ficando os fumadores mais suscetíveis a gripes e constipações. O sistema cardiovascular é, igualmente, afetado, na medida em que tabagismo constitui um risco cardíaco, favorecendo o aparecimento da angina de peito e do enfarte do miocárdio.

Mas estas são apenas as doenças mais conhecidas, pois a lista de problemas de saúde associados ao tabaco é extensa. Eis mais alguns exemplos:

  • envelhecimento precoce, com o aparecimento de rugas e cabelos brancos;
  • a tosse crónica também é bastante vulgar entre os fumadores e, na maior parte dos casos, indicia problemas respiratórios mais graves;
  • o cheiro do tabaco é bastante desagradável e bastante difícil de retirar das roupas e das casas, mas também leva a uma diminuição das capacidades olfativas;
  • os dentes também sofrem as consequências do tabaco, enfraquecendo e ficando amarelados;
  • o fumo aumenta o risco de doenças reumáticas;
  • o tabaco pode causar a infertilidade, tanto em homens como em mulheres, ocasionando ainda outras doenças do aparelho reprodutor.

Esta extensa lista de doenças contribui, certamente, para que um fumador pense duas vezes no seu hábito e equacione os custos e as consequências para a saúde que o vício provoca.

Leia o artigo completo na edição de janeiro 2020 (nº 301)

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