Infeção por VIH: importância da prevenção e do diagnóstico precoce

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Portugal continua a apresentar uma das mais elevadas taxas de prevalência da infeção por VIH, comparativamente a outros países europeus. A prevenção da transmissão do vírus e o diagnóstico precoce da infeção constituem, por isso, atitudes fundamentais.

 

0-ana-filipa-santosArtigo da responsabilidade da Dra. Ana Filipa Santos, Psicóloga Clínica; Centro de Atendimento e Apoio Integrado “Espaço Liga-te” – Liga Portuguesa Contra a Sida

 

No que se refere à situação epidemiológica da infeção por VIH, Portugal tem mantido, nos últimos anos, uma tendência de decréscimo do número de novos casos notificados de infeção, de novos casos de SIDA e de mortalidade associada ao VIH. Não obstante esta tendência, continua a apresentar uma das mais elevadas taxas de prevalência da infeção, comparativamente a outros países europeus.

Infeção crónica de evolução lenta

Atualmente, estar infetado com o VIH significa que se tem uma infeção crónica de evolução lenta, que progressivamente destrói as defesas do organismo, e para a qual ainda não existe cura, mas existe tratamento altamente eficaz no controlo do seu avanço.

De facto, os progressos conseguidos ao nível do tratamento para o VIH alteraram significativamente o panorama da infeção, deixando esta de ser considerada fatal. Embora não seja ainda possível eliminar completamente o vírus do organismo, os medicamentos antirretrovirais disponíveis são muito eficazes na supressão viral e, quando associados a um estilo de vida saudável, permitem melhorar o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas que vivem com o VIH, especialmente daquelas que iniciaram o tratamento numa fase precoce da infeção.

Evitar os riscos de exposição

Para evitar os riscos de exposição ao vírus, é fundamental conhecer as vias de transmissão. O VIH está presente em elevadas concentrações no sangue, nos fluidos sexuais e no leite materno. Deste modo, o vírus pode ser transmitido através de:

  • contactos sexuais desprotegidos com pessoas infetadas (sexo oral, vaginal ou anal);
  • contacto direto de sangue com sangue infetado ou partilha de objetos que contenham sangue infetado (material de injeção, lâminas, escovas de dentes, entre outros); e
  • transmissão vertical (mãe infetada-filho), durante a gestação, parto e amamentação.Assim, é possível prevenir a transmissão do VIH através da utilização correta e consistente do preservativo (masculino ou feminino) e da não partilha de objetos cortantes ou perfurantes que possam conter sangue.

Sintomatologia

Embora algumas pessoas possam não apresentar sintomatologia nas primeiras semanas após a transmissão do vírus, muitas apresentam um quadro clínico de infeção aguda, cujos sintomas são semelhantes aos da gripe. Estes sintomas podem facilmente passar despercebidos ou ser confundidos com outras patologias. Nesta fase inicial, há uma grande multiplicação do vírus no organismo, pelo que o risco de transmissão é mais elevado.

Após esta fase, decorre um período assintomático, que pode durar, em média, 8 a 10 anos. Nesta fase da infeção, bem como em todas as outras, existe o risco de transmissão do vírus a outras pessoas.

Na ausência de tratamento, a infeção evolui naturalmente para uma fase sintomática inicial, em que podem surgir sintomas como cansaço sem razão aparente, perda de peso, falta de apetite e infeções oportunistas. Mais tarde, podem surgir infeções mais graves, como pneumonia e tuberculose, devido à diminuição acentuada das defesas do organismo. Esta constitui a fase mais avançada da infeção e é indicadora de doença (SIDA).

Diagnóstico da infeção

Todas as pessoas que têm dúvidas sobre a possibilidade de estar infetadas devem realizar o teste específico para o VIH. Esta é a única forma de se saber se uma pessoa está realmente infetada. O diagnóstico da infeção mais comum realiza-se através de análises sanguíneas para detetar a presença de anticorpos do VIH.

Contudo, os testes não são fiáveis imediatamente após ter ocorrido a transmissão do vírus. Existe um “período de janela imunológica” que varia consoante o tipo de teste realizado (em regra, entre 8 a 12 semanas). Este corresponde ao intervalo de tempo entre o momento em que a pessoa é infetada e a altura em que é possível detetar a resposta do organismo à infeção (presença de anticorpos específicos contra o VIH). Neste sentido, é aconselhável a realização do teste somente após este período.

Onde efetuar o teste?

Existem diferentes locais onde as pessoas podem realizar o teste do VIH. Podem solicitar ao seu médico de família a prescrição do exame específico; podem, também, dirigir-se diretamente, sem prescrição médica, a um laboratório de análises clínicas ou podem efetuar o teste, de forma anónima e gratuita, num dos Centros de Aconselhamento e Deteção Precoce do VIH (CAD), existentes em diversos pontos do país. É ainda possível realizar o teste ao VIH noutros contextos, nomeadamente em iniciativas de estruturas comunitárias.

Neste âmbito, a Liga Portuguesa Contra a Sida tem em funcionamento, nos Concelhos de Lisboa, Odivelas e Loures, a unidade móvel de rastreios “Saúde + Perto”, que visa facilitar o acesso a aconselhamento, diagnóstico e tratamento do VIH e de outras infeções sexualmente transmissíveis, especialmente das populações com maior risco de exposição a este tipo de infeções. Os rastreios são realizados de forma gratuita e confidencial, sendo disponibilizado aconselhamento pré e pós-teste. Com base nos resultados obtidos, a boa adesão da população e a estreita colaboração com os parceiros sociais, considera-se uma mais-valia este tipo de iniciativa em contexto de proximidade.

Artigo publicado na edição de dezembro 2016 (nº 267)

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