Fibrilhação auricular e AVC: relação de muito perigo

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A fibrilhação auricular é uma arritmia potencialmente grave, pelo que deve ser detetada o mais precocemente possível, permitindo o estabelecimento de um tratamento adequado.

 

Pelo Prof. Miguel Castelo-Branco, Médico especialista de Medicina Interna e membro da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral.

 

O nosso coração é uma fantástica bomba que ao longo da vida assegura que o sangue é distribuído a todas as partes do corpo, variando a atividade em função das necessidades do organismo: bombeia mais quando é necessário, quando por exemplo fazemos algum esforço, e menos quando o organismo descansa.

Para a distribuição para os tecidos do corpo usa uma rede de tubos, os vasos sanguíneos, sendo que os que saem do coração chamam-se artérias e os que regressam ao coração chamam-se veias. No meio ficam os vários órgãos do corpo, com uma rede de finíssimos tubos, tão finos que receberam o nome de capilares (embora ainda sejam mais finos que os cabelos).

Em conjunto, o sistema circulatório assegura que todo o corpo recebe o sangue indispensável à vida das células, levando os alimentos e o oxigénio e trazendo de volta os resíduos para serem eliminados. Chama-se circulatório porque, de facto, o sangue circula regressando ao ponto de origem em cada volta.

FUNCIONAMENTO NORMAL

Uma das características que o coração tem é a de ser ele próprio a determinar o número de vezes que bombeia, isto é, que se contrai. Isto porque a função da bomba cardíaca é desempenhada por um músculo especial, o miocárdio, que está organizado criando umas cavidades: as aurículas e os ventrículos, onde o sangue circula e que, pela presença de comportas (as válvulas), asseguram a circulação num único sentido.

Portanto, o músculo cardíaco contrai e, ao fazê-lo, espreme o sangue que tem no seu interior e fá-lo circular; e depois o músculo relaxa, deixando o sangue preencher as cavidades. Faz isto à volta de 70 vezes por minuto[1], de uma forma muito regular.

Cada “bombada” faz o sangue circular e é responsável por um impulso que se sente ao palpar as artérias do corpo e que normalmente é rítmico, isto é, o intervalo entre cada pulso é habitualmente regular.

Dentro do coração, também existe um padrão: primeiro contraem as aurículas e depois os ventrículos, assegurando que o sangue circula com a máxima eficácia e evitando que fique parado em zonas mais recônditas do coração. Toda esta atividade é coordenada por tecido especializado dentro do miocárdio, que se dedica à geração automática de impulsos e à sua transmissão dentro do coração, assegurando um padrão de ativação a que se segue a contração e consequente bombeamento.

Esta introdução é feita para explicar o funcionamento normal do coração e poder falar de um problema que o afeta, mas que pode ter consequências muito nefastas noutros órgãos e, designadamente, no cérebro. Falo especificamente numa arritmia, a fibrilhação auricular. E porquê falar desta arritmia? Pela sua frequência e pelo seu potencial nefasto.

[1]              Este número varia de pessoa para pessoa, podendo ser mais baixo em pessoas que estão em muito boa forma física e atletas e mais alto noutras.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2017 (nº 275)

 

 

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