A identificação precoce dos distúrbios do sono e a intervenção personalizada são cruciais para prevenir as consequências a médio e longo prazo.
Artigo da responsabilidade da Prof. Dra. Amélia Feliciano. Pneumologista e especialista em Medicina do Sono nos Hospitais Trofa da Amadora e Loures. Professora na Católica Medical School.
O sono é um estado fisiológico natural e essencial e, por isso, é considerado um pilar da saúde. Durante esse processo fisiológico há uma diminuição da consciência e da atividade motora, e a ausência da perceção do meio envolvente permite um descanso efetivo. Muitas das funções estão lentificadas, mas ainda assim, os vários processos fisiológicos e indispensáveis à vida são regulados de forma homeostática e circadiana.
O QUE É UM SONO SAUDÁVEL?
O sono saudável é aquele em que o ciclo de sono-vigília está adaptado às necessidades individuais, sociais e ambientais, e que promove o bem-estar físico, mental, emocional e social.
No âmbito do sono saudável há a considerar dois aspetos: a quantidade e a qualidade do sono. O sono ocupa cerca de 20-40% do dia, mas a sua duração é diferente ao longo da vida. Esta duração está relacionada com o papel do sono a nível físico, mental, emocional e social, de que se destaca o descanso, o crescimento e a reparação celular, a eliminação de produtos tóxicos acumulados na vigília, o desenvolvimento e preservação da rede neuronal, a preservação de vários processos cognitivos (como concentração, aprendizagem, memória, linguagem e resolução de problemas) e a modulação imunológica.
TEMPO DE SONO
Assim sendo, o sono é um fator fundamental no crescimento e desenvolvimento da criança, mas também ao longo da adolescência, idade adulta e no idoso, revestindo-se de particularidades em cada faixa etária e consoante o género.
Nos primeiros meses de vida, a criança precisa de dormir entre 14-17 horas por dia; na idade pré-escolar, entre 10-13 horas; por volta dos 10 anos, precisa de dormir cerca de 10 horas; e por fim o adulto e o idoso podem precisar de dormir cerca de 7-9 horas.
O tempo que cada pessoa precisa dormir pode sofrer ajuste quando esteve alguns dias a dormir menos (privação do sono), quando tem uma atividade cerebral intensa durante o dia ou em estados específicos, por exemplo durante a doença.
DISTÚRBIOS DO SONO
Os distúrbios do sono, quer no adulto quer na criança, têm aumentado nos últimos anos e atingem cerca de 1/3 da população em geral, ou seja, cerca de 25% das mulheres e 20% dos homens. Estes distúrbios incluídos nas cinco doenças que mais custos comportam, mas a maior parte é tratável, desde que diagnosticada.
O seu aumento é fruto do estilo de vida, da má higiene do sono, da pressão laboral, das múltiplas atividades sociais, do excessivo uso da tecnologia digital, do sedentarismo, dos desequilíbrios alimentares e do problema crescente da obesidade.
Também não menos importante, o consumo de cafeína, tabaco, drogas ou fármacos estimulantes, podem ser responsáveis pelo aumento dos distúrbios do sono nos últimos anos.
De uma forma geral, os distúrbios do sono não diagnosticados e, portanto, não tratados, impactam virtualmente todas as áreas da saúde e bem-estar, quer da criança quer do adulto, e estão na origem das doenças metabólicas (obesidade, diabetes, dislipidemia), cardiovasculares (hipertensão arterial, doença coronária, AVC), psiquiátricas (ansiedade, depressão), no compromisso do desempenho académico e laboral, na disfunção do sistema imunitário, nas relações familiares e sociais problemáticas, e até na segurança.
Leia o artigo completo na edição de março 2026 (nº 369)














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