Doenças cardiovasculares: a “pandemia” que mais mata em Portugal

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É NECESSÁRIO DESENVOLVER CAMPANHAS QUE ESCLAREÇAM A POPULAÇÃO SOBRE A NECESSIDADE DE CONTINUAR A PREVENIR E CONTROLAR AS DOENÇAS CARDIOVASCULARES, QUE SÃO, NA VERDADE, A “PANDEMIA” QUE MAIS MATA EM PORTUGAL.

 

Artigo da responsabilidade do Prof. Dr. Manuel Oliveira Carrageta. Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia

 

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, sendo responsáveis por mais de um terço da mortalidade total. Não podemos ignorar que, antes da pandemia da covid-19, morriam cerca de 100 pessoas por dia, devido a patologia cardiovascular. Neste primeiro ano da pandemia, esse número foi seguramente superior.

Uma grande parte do elevado número de óbitos não-covid em excesso foi causada por doenças com elevada letalidade, tais como o enfarte do miocárdio e o AVC, que são parcialmente evitáveis através do controlo dos fatores de risco. Com mais de 11 milhões de consultas e exames adiados, esses cuidados ficaram comprometidos.

MEDO DA COVID-19

Num estudo realizado pela Fundação Portuguesa de Cardiologia, metade dos doentes cardíacos não procuraram o médico por terem mais medo da covid-19 do que da sua própria doença cardiovascular.

Infelizmente, continua a verificar-se uma baixa procura de apoio médico, pelo que se torna necessário desenvolver campanhas que esclareçam a população sobre a necessidade de continuar a prevenir e controlar as doenças cardiovasculares, que são a “pandemia” que mais mata em Portugal.

Nunca é demais insistir que, no caso de se contrair a infeção por SARS-CoV-2, estar o mais saudável e controlado possível, ao nível do aparelho cardiovascular, ajuda a resistir melhor ao vírus.

Para agravar a atual situação cardiovascular, é bem conhecido que o SARS-CoV-2 pode causar doença vascular e trombótica, provocada pela resposta imunitária com libertação excessiva de citoquinas inflamatórias. Em consequência, os doentes podem vir a sofrer de enfartes do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais e miocardites, as quais, eventualmente, evoluem para insuficiência cardíaca e podem até causar morte súbita.

RISCO ASSOCIADO AO CONFINAMENTO

De referir que o confinamento, com a imobilidade e o isolamento associados, condicionou, quase inevitavelmente, o aumento do peso e a perturbação do metabolismo glicémico.

Por exemplo, estar sentado, uma atividade de muito baixo custo energético, leva a que as células do nosso organismo se tornem resistentes à insulina, o que causa um aumento dos níveis de glucose no sangue. Permanecer sentado por longos períodos leva também a uma redução acentuada da atividade da lipoproteína lipase, uma enzima que causa a diminuição do colesterol HDL e o aumento do colesterol LDL, sendo este o principal responsável pela doença cardiovascular.

Todas estas alterações explicam o aumento do risco de doença cardiovascular associado ao confinamento.

Leia o artigo completo na edição de maio 2021 (nº 316)

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