Doenças cardiovasculares: situação está a melhorar, mas a cruzada continua!

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A mortalidade por doenças cérebro-cardiovasculares atingiu o valor mais baixo desde que há registo. Contudo, apesar da evolução positiva, estas patologias continuam a ocupar o 1º lugar nas causas de mortalidade dos portugueses com idade inferior a 70 anos. Ainda há muito, pois, por fazer!

0Mendes, Dr. Miguel ( HSC)Artigo da responsabilidade do Dr. Miguel Mendes, Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia

 

O coordenador do Programa Nacional das Doenças Cérebro-Cardiovasculares, Dr. Rui Ferreira, anunciou no passado mês de Fevereiro os dados de 2013 referentes à mortalidade por doenças cérebro-cardiovasculares, as quais mantiveram a trajetória de descida, tendo atingindo um valor de 29,5%, que é o mais baixo de sempre.

Apesar desta evolução positiva, as doenças cérebro-cardiovasculares continuam a ocupar o 1º lugar nas causas de mortalidade dos portugueses com idade inferior a 70 anos, à frente dos tumores malignos, que são responsáveis por cerca de 25% da mortalidade no mesmo grupo etário.

MENOS ENFARTES, MAIS AVC

Em Portugal, tal como nos países ditos desenvolvidos, dominam as doenças não transmissíveis como principal causa de mortalidade, com posição cimeira para o grupo das doenças cérebro-cardiovasculares. Contudo, ao contrário da maioria dos outros países, em que a cardiopatia isquémica é a principal causa de mortalidade cardiovascular, em Portugal predomina a doença cerebrovascular, fundamentalmente por acidente vascular cerebral (AVC), que condiciona 2/3 da mortalidade cardiovascular. Comparando as nossas estatísticas com as dos outros países europeus, verificam-se taxas de mortalidade das mais reduzidas por cardiopatia isquémica e das mais elevadas por AVC.

Esta disparidade em relação à Europa pode ser explicada pelo deficiente controlo da hipertensão arterial na nossa população e, em menor grau, pelas baixas taxas de anticoagulação na fibrilhação auricular.

Em todo o caso, é assinalável o caminho percorrido, uma vez que reduzimos os valores de mortalidade cardiovascular, de 44,4% em 1988, para os atuais 29,5%. É de salientar os esforços realizados ao longo de décadas em campanhas de prevenção, educação e consciencialização da população, a ampla disponibilização de cuidados de Saúde, particularmente pela Medicina Geral e Familiar, a maior acessibilidade à terapêutica farmacológica, a emergência médica com as Vias Verdes Enfarte do Miocárdio e AVC, as Unidades de Cuidados Intensivos Coronários e para o AVC, e as Unidades de Cardiologia de Intervenção com capacidade para realizar angioplastia primária 24 horas por dia, 7 dias por semana.

INVESTIR NA PREVENÇÃO

Estudos realizados nos países desenvolvidos, onde também se observou uma evolução positiva na mortalidade cardiovascular, concluíram que a redução da mortalidade foi condicionada pelas medidas preventivas em cerca de 50%, em 40% pelos tratamentos e em 10% por causas não identificadas, o que justifica a necessidade de investir na prevenção, numa mais ampla disponibilização dos tratamentos e no treino dos profissionais de Saúde.

Foram publicados recentemente estudos que concluem que a doença coronária é suscetível de prevenção em 80% dos casos, por intervenção no estilo de vida, através da cessação tabágica, controlo dos fatores de risco cardiovasculares, aumento da atividade física e adoção de uma dieta saudável.

Esta evidência representa um tremendo desafio para a organização e valores da nossa sociedade, que não pode deixar de manter e até aumentar o investimento na educação e no combate à iliteracia em Saúde da população, com especial incidência nas novas gerações, envolvendo a Família e a Escola.

Leia o artigo completo na edição de maio 2016 (nº 261)

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