Doença venosa atinge 2 milhões de mulheres em idade ativa

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A doença venosa (sintomas, derrames e varizes) tem uma enorme dimensão. Atinge cerca de 2 milhões de mulheres portuguesas em idade ativa e, de acordo com o cirurgião vascular Dr. Eduardo Serra Brandão, “é altamente incapacitante, nas suas formas mais avançadas, interferindo bastante com a qualidade de vida”.

Prevencao 1autorArtigo com Dr. Eduardo Serra Brandão

Cirurgião vascular e diretor do Instituto de Recuperação Vascular, Lisboa

Se uma mulher começar a sentir, ao final do dia, “sensação de cansaço nas pernas, dor, edema, comichão e cãibras noturnas”, deve procurar o seu médico de família ou um especialista em cirurgia vascular. Além disso, se ainda não engravidou e suspeita que poderá sofrer da patologia, “deve cuidar-se o mais possível”, porque a gravidez é um dos grandes fatores de risco.

SINTOMAS DA DOENÇA VENOSA

São múltiplos os fatores que podem desencadear os sintomas de doença venosa, como as pernas pesadas ou cansadas e, neste sentido, o diagnóstico precoce é fundamental.

Muitas são as pessoas que se queixam de sentir as pernas pesadas ou cansadas. De acordo com o cirurgião vascular, “as pernas cansadas podem ser consequência da doença venosa, que consiste numa anomalia do sistema venoso dos membros inferiores, a qual resulta de uma alteração do retorno do sangue venoso ao coração, desencadeando sintomas de sofrimento das veias. Esta situação origina o aparecimento dos chamados derrames (telangiectasias) e de varizes, e repercute-se na microcirculação capilar, responsável pelas formas mais avançadas da doença, de que são exemplo os eczemas venosos, várias alterações da pele, as flebites e, no seu estado mais grave, a úlcera de perna”.

Segundo explica o cirurgião vascular, são vários os fatores circunstanciais por detrás do aparecimento da doença venosa, “entre os quais se destacam a trombose venosa profunda, os traumatismos, as terapêuticas hormonais femininas, a gravidez e um número considerável de fatores causais, como a obesidade, o ortostatismo prolongado (estar de pé durante muito tempo), a tomada excessiva de calor, a obstipação, o álcool e o tabaco em excesso”. São sobretudo as mulheres as mais afetadas pela doença venosa.

TRATAR O MAIS CEDO POSSÍVEL

Assiste-se hoje a uma maior sensibilização e conhecimento da doença, o que permite o seu diagnóstico precoce – em que se realiza um exame clínico e onde se aplica a técnica ecográfica vascular, de que é exemplo o Eco Doppler a cores.

O Dr. Serra Brandão destaca que “atualmente, os tratamentos são cada vez menos agressivos; além disso os tratamentos paliativos são mais eficazes e os tratamentos preventivos mais frequentes. Quanto aos venoativos, devem selecionar-se os que, para além de outras ações terapêuticas, atuem na origem da inflamação venosa, melhorando com mais eficácia a sintomatologia, evitando, ao mesmo tempo, as situações de dermatite, eczema venoso e úlcera de perna. Em relação à contenção elástica, esta deve ser prescrita caso a caso (meia até à raiz da coxa ou collant) e com compressão suficiente para reduzir os efeitos da pressão venosa nos membros inferiores”.

Para o tratamento dos derrames (telangiectasias) e varizes reticulares, que são de pequeno calibre, a escleroterapia (secagem) e o laser transcutâneo são os mais indicados, afirma. “Quando a indicação é correta e a execução efetuada com rigor, tem excelentes resultados, não só no que respeita aos sintomas, mas também no aspeto estético. No que toca às varizes mais volumosas ou nas dependentes dos sistemas das safenas interna ou externa, a cirurgia é a única solução. Esta pode ser efetuada em regime ambulatório, sob anestesia local ou locorregional, por procedimento endovascular com laser através de fibra ótica ou por resseção das varizes com mini incisões cutâneas, quando a doença se encontra nos estados iniciais”.

O especialista sublinha que “a preocupação dominante do cirurgião vascular nesta patologia é, não só a cura da lesão, mas também o resultado estético. Em situações mais avançadas e mais graves, a cirurgia é mais complicada, requerendo anestesia geral ou intradural, do que decorre a necessidade de internamento hospitalar, geralmente por tempo não superior a 24 horas”.

DESTAQUE

Conselhos úteis

  • Evite permanecer longos períodos parado, de pé. Sempre que possível, alterne esta posição com pequenos intervalos de marcha, ou ponha-se em bicos de pé;
  • Evite tomar banho com água muito quente;
  • Na praia, evite as longas exposições ao sol. Nade ou caminhe à beira-mar;
  • Nos dias mais quentes, massaje as pernas de baixo para cima, com um duche frio, durante cerca de dois minutos;
  • Evite ficar muito tempo sentado ou de pernas cruzadas, sobretudo em cadeiras de rebordo duro. Faça movimentos frequentes com as pernas;
  • Não bloqueie a circulação venosa com jeans muito justos, cintas, ligas, meias com elástico forte ou botas de cano muito apertado;
  • Coma com sensatez, prevenindo a obesidade e a obstipação;
  • Não abuse do álcool nem do tabaco;
  • Use sapatos adequados, optando sempre por modelos com um salto inferior a cinco centímetros, mas evitando os modelos rasos;
  • Faça exercício físico de forma regular, sobretudo marcha, natação, hidroginástica, cardiofitness, ciclismo e golfe;

Durma com os pés elevados cerca de 20 centímetros.

DESTAQUE

Exercícios que estimulam a circulação venosa

Efetue, pelo menos uma vez por dia, durante cerca de 15 minutos, alguns exercícios musculares:

  • Faça movimentos de bicicleta, movendo as pernas energeticamente;
  • Dobre e estenda os dedos dos pés com as pernas ligeiramente levantadas e esticadas (até 20 repetições);
  • Cruze e descruze as pernas no chamado movimento tesoura (entre 10 a 15 repetições);
  • Desenhe pequenos círculos no ar com cada uma das pernas (pelo menos, até 10 vezes);
  • Apoie o pé alternadamente sobre os dedos e o calcanhar;
  • Caminhe sobre os calcanhares;
  • Coloque-se em bicos de pé.

Artigo publicado na Edição de Novembro 2015 (nº 255)

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