Disfunções sexuais: menos preconceito, mais saúde sexual

O Dia Europeu da Disfunção Sexual, que se assinala a 14 de fevereiro, tem como principal objetivo consciencializar as pessoas para a existência de problemas sexuais e das suas consequências, mas também visa contribuir para combater mitos, ideias erradas, falta de informação, medo de procurar ajuda, assim como receios acerca das respostas terapêuticas existentes. 

Artigo da responsabilidade da Profª Drª Patrícia M. Pascoal; presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica; psicoterapeuta, professora universitária e investigadora.

  

Chama-se disfunções sexuais às perturbações da função sexual – nomeadamente do desejo, do interesse, da excitação subjetiva, da excitação fisiológica (ereção e lubrificação), da ejaculação, do orgasmo e da dor/dificuldades na penetração vaginal – sempre que estas perturbações causem sofrimento e mal-estar. Estas perturbações podem ter origem orgânica, psicológica ou mista. Mesmo quando a origem é orgânica, o impacto psicológico e emocional pode ser muito intenso.

Ideias negativas

O Dia Europeu da Disfunção Sexual, que se assinala a 14 de fevereiro, tem como principal objetivo consciencializar as pessoas para a existência de problemas sexuais e das suas consequências, mas também visa contribuir para combater mitos, ideias erradas, falta de informação, medo de procurar ajuda, assim como receios acerca das respostas terapêuticas existentes.

As ideias negativas acerca das disfunções sexuais incluem crenças disfuncionais e rígidas, como, por exemplo: “quem tem um problema destes não vai fazer ninguém feliz”; “não sou uma pessoa normal, as pessoas normais não têm este problema”; “se procurar ajuda vão perceber que sou um/a falhado/a”; “é melhor não falar nisto, nem me envolver, porque só vou criar má reputação”; “a vida assim não tem mais graça”.

Ideias como estas assumem, por vezes, um caráter repetitivo e persistente, sendo até intrusivas, fazendo com que a pessoa fique presa numa bolha e num círculo vicioso de falta de esperança e solidão, não conseguindo perspetivar que uma vida sexual saudável e satisfatória possa existir sem presença da função sexual idealizada. Estes receios são reforçados por mensagens recorrentes, vindas de diferentes fontes acerca do que é uma sexualidade perfeita: jovem, penetrativa, frequente, multi-orgásmica, apaixonada, intensa e com genitais funcionais.

Ajuda especializada

A crença de que os problemas sexuais são insolúveis associa-se a pior saúde mental. As disfunções sexuais, assim como os problemas sexuais, estão associadas a humor deprimido, ansiedade, problemas e insatisfação conjugais, menor satisfação e menor qualidade de vida.

Por isso, é muito importante que as pessoas que se sentem infelizes com a sua vida sexual não escondam as suas dificuldades e falem com quem os pode ajudar (por exemplo, parceiro/a sexual; profissional de saúde).

A procura de ajuda especializada, junto de profissionais com competência específica, assegura uma avaliação cuidada, diagnósticos precisos e intervenções desenhadas à medida das queixas e da sua compreensão, e à medida das circunstâncias de vida de cada pessoa.

Mesmo em casos em que a recuperação ou aquisição da função desejada não é possível, a menorização do sofrimento e o incremento do prazer podem contribuir para uma maior qualidade de vida sexual. Calar e esconder não é solução.

Falemos de sexualidade, mas também dos problemas sexuais. Assim, conseguiremos mais suporte, menos estigma, menos preconceito, mais saúde sexual.

 

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