Diabetes no pós-confinamento: o desafio da perda de peso

Agora, que estamos todos a voltar à normalidade, é importante que todos aqueles que têm excesso de peso e uma percentagem de gordura corporal excessivamente elevada se preocupem em perder peso e em perder gordura de forma saudável e sustentada.

 

Artigo da responsabilidade da Dra. Joana Gagliardini Graça. Médica especialista em Medicina Geral e Familiar, especialista em Medicina do Trabalho, pós-graduada em Medicina Estética, prescritora do Método PronoKal. Responsável pela Medicina Geral e Familiar na GP Médicos Clínica.

 

 

 A diabetes mellitus é uma doença crónica cada vez mais frequente na nossa sociedade e a sua prevalência aumenta muito com o avançar da idade, atingindo tanto homens como mulheres. É uma doença metabólica de etiologia múltipla, caracterizada por uma hiperglicemia crónica por alterações no metabolismo dos hidratos de carbono, lípidos e proteínas, resultantes da deficiente secreção ou ação da insulina, ou de ambas.

A diabetes mellitus, por provocar em estado de hiperglicemia constante, apresenta consequências nefastas para o organismo, a curto e longo prazo.

COMPLICAÇÕES VÁRIAS

As complicações da diabetes mellitus são várias:

Complicações microvasculares (lesões dos vasos sanguíneos pequenos): retinopatia, nefropatia e neuropatia;

Complicações macrovasculares (lesões dos vasos sanguíneos grandes): doença coronária, doença cerebral, doença arterial dos membros inferiores e hipertensão arterial;

Complicações neurológicas, macro e microvasculares (incluem alterações de vasos sanguíneos pequenos, grandes e de nervos): disfunção sexual, pé diabético e predisposição para infeções mais frequentes e tendencialmente mais graves.

Desta forma, a diabetes é uma doença que se associa a elevada morbilidade e mortalidade.

DOENÇA SUBDIAGNOSTICADA

De acordo com dados recentes, Portugal é o país da União Europeia que apresenta mais pessoas com diabetes. Em 2018, a prevalência estimada da diabetes na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos (7,7 milhões de indivíduos) foi de 13,6%. Isto significa que mais de 1 milhão de portugueses neste grupo etário tem diabetes, dos quais 56% já diagnosticados e 44% ainda não diagnosticados.

Por se tratar de uma doença relativamente silenciosa, é fundamental que os profissionais de saúde tenham uma atitude diagnóstica pró-ativa. Conhecendo-se os fatores que predispõem a esta patologia associada a tanto sofrimento, é importante que se invista de forma sustentada no combate ao excesso de peso e obesidade, sedentarismo e dietas hipercalóricas.

A ESTRATÉGIA MAIS EFICAZ

Os sucessivos confinamentos a que toda a população foi sujeita em consequência da pandemia da covid-19 levaram muitos portugueses a terem uma vida mais sedentária e uma tendência para refeições mais frequentes e calóricas, o que se traduziu no aumento de peso.

Tendo em conta esta relação tão íntima entre excesso de peso/obesidade e diabetes, uma das estratégias mais eficazes para evitar ou atrasar a evolução desta doença é a perda de peso. Uma perda de peso que se pretende saudável e deve ocorrer sem défices nutricionais, pelo que deverá ser acompanhada por orientação médica.

No doente diabético, tão importante como a toma do seu medicamento antidiabético, é a mudança de estilo de vida. O doente diabético é uma peça fundamental no seu próprio tratamento, devendo realizar uma dieta com controlo restrito de ingestão de hidratos de carbono e realizar exercício físico moderado. A primeira impede estados de hiperglicemia (situação altamente prejudicial para as células do corpo) e aumento de peso; e a segunda irá impedir o aumento de peso e melhorará a sensibilidade das células à ação da insulina.

Leia o artigo completo na edição de novembro 2021 (nº 321)

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