Diabetes: como se caracteriza e combate esta pandemia?

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A forma mais comum da doença está intrinsecamente associada à aquisição de hábitos de vida que conduzem ao excesso de peso e à obesidade, designadamente a alimentação hipercalórica e o sedentarismo. É a estes dois níveis que importa atuar, quer na população em geral, quer na população com risco aumentado de desenvolver diabetes.

Artigo da responsabilidade do Dr. Rui Duarte, Médico diabetologista; Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia

 

 

 

Em 2017, havia 451 milhões de pessoas, com mais de 18 anos, portadoras de diabetes em todo o mundo. As estimativas apontam para que, até 2045, 693 milhões de pessoas vivam com esta doença. Estima-se que 49,7% das pessoas que vivem com diabetes não estejam diagnosticadas e 374 milhões de pessoas tenham intolerância à glicose, o que significa que estão em risco elevado de desenvolverem diabetes em anos próximos.

Os gastos globais em saúde com pessoas com diabetes foram estimados em 850 mil milhões de dólares em 2017, segundo o Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF).

Nos últimos dez anos, na Ásia, nomeadamente na China e na Índia, deu-se uma “explosão” na prevalência da diabetes. Potencialmente, porque estes países passaram da fome para uma relativa abundância de oferta em produtos alimentares processados e em tecnologia moderna.

Será em África e na América Latina que irá aumentar mais a prevalência da diabetes nos próximos anos, segundo a Federação Internacional de Diabetes. Em tribos indígenas americanas, confinadas às suas reservas, a prevalência da diabetes chega aos 40-45% e, em algumas ilhas do Pacífico e nos países árabes, em geral, a prevalência da diabetes atingirá 20% da população.

SITUAÇÃO EM PORTUGAL

Em Portugal, de acordo com os dados do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes, no ano de 2015, estimava-se a existência de 591 a 699 novos casos por dia. A prevalência estimada desta patologia na população portuguesa, com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, é de 13,3%, o que significa que mais de um milhão de portugueses neste grupo etário tem a patologia e que, além disso, dois milhões de pessoas têm pré-diabetes. A prevalência da diabetes, nomeadamente da diabetes tipo 2, na idade adulta é, assim, muito elevada.

Qualquer número acima dos 10% já é preocupante e coloca-nos entre os países ocidentais com a maior taxa da doença. Claro que, quando se aponta para uma prevalência de cerca de 13,3% no Observatório Nacional da Diabetes, estamos a contar, também, com os casos ainda por diagnosticar (a diabetes é, muitas vezes, assintomática, nos estádios iniciais). Mas a prevalência da diabetes conhecida e autorreportada no último Inquérito de Saúde já atingia os 9,8%, o que mostra um número muito elevado de portugueses já com a doença diagnosticada.

Nas pessoas com mais de 60 anos, em particular, temos uma prevalência próxima dos 30% de diabetes. No entanto, isto não significa que a diabetes seja uma doença da senioridade, pois hoje assistimos a muitos casos de diabetes tipos 2 que ocorrem mais cedo, aos 30-40 anos.

Leia o artigo completo na edição de maio 2019 (nº 294)

 

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