Cancro da próstata: há um procedimento capaz de destruir as células cancerígenas em poucos minutos

 

Novembro Azul. Novembro é o mês dedicado à saúde do homem, com especial destaque para a prevenção do cancro da próstata.

Artigo da responsabilidade do Dr. José Sanches Magalhães. Licenciado em Medicina pela Universidade do Porto; médico no Hospital de Santo António, entre 1997 e 1998; internato de Urologia no Instituto Português de Oncologia do Porto, de 1999 a 2004; especialista de Urologia no Instituto Português de Oncologia do Porto, desde 2005; médico especialista em Urologia no seu consultório privado, desde 2005.

 

 

 

Há uma técnica que permite tratar o cancro na próstata em cerca de 30 a 90 minutos, através de uma intervenção minimamente invasiva, sendo possível ter alta logo no dia seguinte. Trata-se da eletroporação irreversível – também conhecida por Nanoknife – posta em prática com base na fusão das imagens de ressonância magnética e ecografia e que preserva as funções urinária e sexual.

“São introduzidas agulhas (elétrodos) através do períneo, entre o ânus e os testículos, e entre cada par de agulhas é gerado um campo elétrico de alta intensidade e curtíssima duração, que destrói apenas a membrana celular”, explica José Sanches de Magalhães, urologista com mais de vinte anos de experiência no Instituto Português Oncologia do Porto. “Como não inclui incisões, o tempo de recuperação é bastante reduzido, com menos dor no pós-operatório”, acrescenta.

A Eletroporação Irreversível é uma técnica de terapia focal que preserva as funções da glândula, utilizada no tratamento focal do cancro da próstata localizado e igualmente no tratamento do cancro no pâncreas, nos rins e no fígado, e que está a dar os primeiros passos em Portugal.

É uma técnica que não danifica os tecidos e estruturas adjacentes às lesões, porque em vez de usar calor ou frio extremos, utiliza impulsos elétricos para destruir as células cancerígenas. Por ser um tratamento focal, guiado por tecnologia de fusão de imagens de ressonância magnética e ecografia, permite tratar apenas a zona com doença clinicamente significativa.

“Enquanto as terapias radicais, como a prostatectomia radical  ou a radioterapia, têm efeitos secundários muitas vezes irreversíveis, a terapia focal tem a vantagem de preservar as funções urinária e sexual, para além de ser uma técnica minimamente invasiva e com uma recuperação muito rápida”, explica Sanches de Magalhães.

Atualmente não é ainda disponibilizada no Serviço Nacional de Saúde, sendo portanto um procedimento ainda dispendioso. No entanto, há já subsistemas de saúde a comparticipar quase totalidade do mesmo, ainda que por reembolso da despesa e não adiantamento do valor.

A intervenção – sob anestesia geral – preserva a glândula e “permite minimizar efeitos secundários associados ao tratamento, tais como a disfunção erétil, a impotência sexual ou o risco de incontinência urinária”, indica Sanches Magalhães, fundador do Instituto de Terapia Focal da Próstata, no Porto, onde esta técnica é aplicada.

 

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