Calor e desidratação: um perigo bem real

O organismo é incapaz de produzir por si mesmo os líquidos de que necessita. Se não lhos fornecermos, pode sofrer desequilíbrio hídrico, situação que se conhece por desidratação. As consequências para a saúde são bem sérias.

 

Embora a maior parte do nosso corpo seja constituída por água, não existe um mecanismo eficiente de armazenamento hídrico que nos garanta o equilíbrio constante. Por isso, é indispensável realizar o fornecimento ininterrupto de líquidos, através de alimentos e bebidas.

Uma perda de 1% de líquidos orgânicos provoca sede. Se a perda for de 2%, reduz o rendimento e a resistência. A partir dos 5%, pode produzir-se uma aceleração do ritmo cardíaco, apatia, vómitos e espasmos musculares. Perdas superiores a 10% podem ocasionar perturbações muito graves e inclusive a morte.

A desidratação dá lugar a sintomas incómodos, como cansaço, dor de cabeça, dificuldade de concentração, mal-estar geral, cãibras musculares, sensação de náusea e taquicardia, além de afetar negativamente as funções físicas e mentais e contribuir para piorar algumas doenças.

Além de uma ingestão insuficiente de líquidos, outras causas habituais de desidratação são a diarreia e os vómitos, a sudação excessiva, o uso de determinados fármacos, processos febris ou doenças crónicas.

Importa, igualmente, referir que, ao mesmo tempo que o corpo perde água, perde também sais minerais, como o sódio, cloretos e potássio. Por isso, é importante, não só repor os líquidos, como os sais minerais que ajudam a regular o equilíbrio dos líquidos no corpo humano.

Especificamos, em seguida, as principais perturbações associadas à falta de hidratação.

Cansaço, dor de cabeça e reduzida capacidade de concentração – Sintomas que podem resolver-se com um fornecimento adequado de líquidos.

Obstipação – A água facilita a dissolução dos resíduos dos alimentos e é necessária para expulsar as fezes. Se falta água, estas tornam-se mais secas, duras e difíceis de eliminar.

Concentração da urina – Se há falta de líquidos circulantes, a urina torna-se mais concentrada e densa, o que favorece a formação de cálculos nos rins. Inclusive, podem ocorrer infeções urinárias e cistites.

Acumulação de gordura – Os rins não funcionam adequadamente quando não têm o seu dispor a água suficiente. Em consequência disso, parte do seu trabalho é assumido pelo fígado, de modo que este órgão deixa de garantir integralmente uma das suas tarefas principais, que consiste em transformar a gordura acumulada em energia útil.

Problemas digestivos – Sem líquidos, os alimentos não se dissolvem corretamente, o que implica más digestões, peso no estômago, inchaço e náuseas.

Má circulação sanguínea – A quantidade de sangue que circula pelo organismo é menor, quando há défice de um meio aquoso, pelo que diminui o sangue bombeado em cada batida do coração e o oxigénio recebidos pelas células.

Perturbações respiratórias – As mucosas respiratórias necessitam de humidade para se protegerem das substâncias presentes no ar inspirado (pó, pólen, etc.). Se falta água no corpo, as mucosas secam, provocando outras perturbações.

Acumulação de toxinas – Perante a falta de água, as toxinas deixam de ser adequadamente eliminadas, acumulando-se no organismo e dando origem a perturbações de diverso tipo.

Problemas articulares – As articulações são atacadas por toxinas produzidas pelo próprio organismo.

Pele seca e gretada – Sem líquidos, a pele torna-se mais vulnerável ao envelhecimento e ao aparecimento de rugas.

 Menor rendimento cognitivo – A desidratação afeta o funcionamento do cérebro, provocando uma diminuição da capacidade raciocínio, da concentração e da memória.

Eczemas – As glândulas sudoríparas eliminam uma quantidade de suor suficiente para diluir as toxinas do corpo sem irritar a pele. Com falta de líquidos, o suor torna-se mais concentrado e agressivo, produzindo inflamações na pele, manchas, pruridos e lesões

Golpe de calor

Cerca de metade das pessoas não se hidrata corretamente, o que é especialmente preocupante nas épocas de muito calor. No verão, há maior risco de sofrer o chamado golpe de calor, um estado muito perigoso que, se não for invertido a tempo, pode colocar a vida em risco. A causa pode estar numa exposição prolongada e direta ao sol, sem qualquer tipo de proteção, ou numa atividade física em condições extremas de calor.

A subida excessiva da temperatura corporal faz com que o organismo não consiga adaptar-se e comecem a falhar os mecanismos de regulação. O corpo pode atingir os 40ºC, temperatura à qual a pele se torna seca e avermelhada, ao mesmo tempo que se sente fadiga, sede intensa, cãibras musculares, náuseas e vómitos, que podem culminar com a perda de consciência. O mais importante, nestes casos, é a identificação rápida do problema, seguido de um arrefecimento eficaz.

Leia o artigo completo na edição de julho/agosto 2021 (nº 318)

 

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