A adoção de padrões alimentares plant-based (de base vegetal) tem aumentado de forma significativa nas últimas décadas, motivada tanto por fatores éticos quanto por questões de saúde humana e ambiental.
Artigo da responsabilidade da Dra. Laila Sultan. Nutricionista
O termo “alimentação plant-based” abrange um espetro amplo que inclui dietas ovolactovegetarianas, vegetarianas estritas (veganas) e também padrões flexitarianos. O que todas têm em comum é o facto de privilegiarem alimentos de origem vegetal – como frutas, hortícolas, leguminosas, cereais integrais, frutos secos e sementes – reduzindo ou eliminando produtos de origem animal.
A evidência científica demonstra que dietas plant-based bem planeadas estão associadas a benefícios relevantes para a saúde, incluindo a melhoria do perfil lipídico, a redução da inflamação sistémica, um menor risco cardiovascular e a diminuição da incidência de cancro total. A Direção Geral da Saúde (DGS) reforça que, dietas vegetarianas adequadamente planeadas são saudáveis, seguras e nutricionalmente adequadas em todas as fases da vida, podendo desempenhar um papel na prevenção e no tratamento de doenças crónicas.
Contudo, estas vantagens dependem de um planeamento cuidado, uma vez que a exclusão parcial ou total de alimentos de origem animal pode aumentar o risco de insuficiência de determinados nutrientes. Entre os nutrientes que exigem maior atenção em dietas vegetarianas e veganas – como vitamina B12, ferro, zinco, cálcio, vitamina D e iodo – destacam-se os ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa (EPA e DHA), cuja presença na alimentação de origem vegetal é limitada.
ÓMEGA-3: FUNÇÕES ESSENCIAIS NA SAÚDE
Os ácidos gordos ómega-3 são gorduras polinsaturadas essenciais com múltiplas funções fisiológicas. Entre os seus efeitos mais relevantes destacam-se:
- Regulação da pressão arterial, função renal e coagulação sanguínea;
- Papel essencial do DHA no desenvolvimento visual e do sistema nervoso central, sobretudo durante a vida fetal e a primeira infância;
- Diminuição do risco cardiovascular, com reduzida inflamação sistémica e stress oxidativo;
- Possível efeito protetor em doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento;
- Potencial efeito protetor em determinados tipos de cancro (embora a evidência permaneça contraditória).
Na alimentação, é possível obter o ómega-3 sob três formas: ALA (ácido alfa-linolénico) – presente em alimentos vegetais; EPA (ácido eicosapentaenóico) e DHA (ácido docosahexaenóico) – encontrados principalmente em peixes gordos e algas.
FONTES DE ÓMEGA-3 NA ALIMENTAÇÃO PLANT-BASED
Nas dietas plant-based, o ómega-3 presente deriva essencialmente do ALA, encontrado em alimentos como:
- Sementes de linhaça (moídas);
- Sementes de chia;
- Sementes de cânhamo;
- Nozes;
- Óleos vegetais (linhaça, cânhamo, colza).
RECOMENDAÇÕES DE INGESTÃO DE ALA
Algumas entidades internacionais (FNB/IOM) recomendam a seguinte ingestão diária de ALA: 1,6g para homens com mais de 14 anos e 1,1g para mulheres da mesma faixa etária. Outras –FAO/WHO – apontam para 0,5 a 2% do VET, para todos os adultos.
Até ao momento, não existem recomendações específicas para a população vegetariana. Porém, alguns autores sugerem que os vegetarianos devem duplicar a ingestão habitual de ALA. O desafio surge porque o ALA necessita de conversão para EPA e DHA, as formas metabolicamente ativas com efeitos fisiológicos mais expressivos.
A conversão endógena do ALA é limitada: apenas 5–12% do ALA é convertido em EPA e menos de 1% em DHA. Esta conversão pode ser ainda mais comprometida por fatores dietéticos, como a ingestão de ácidos gordos trans e o consumo excessivo de álcool e cafeína, bem como por deficiência proteica ou insuficiência de vitaminas e minerais cofatores. Adicionalmente, fatores não alimentares, como a genética, o envelhecimento, a presença de doenças crónicas e o tabagismo, podem reduzir significativamente a eficiência deste processo.
QUANDO CONSIDERAR SUPLEMENTAÇÃO?
Apesar de determinadas estratégias dietéticas poderem otimizar a conversão do ALA, a síntese endógena de EPA e DHA permanece limitada, o que justifica que a suplementação possa ser considerada. Neste enquadramento, a suplementação com óleo de microalgas constitui uma estratégia eficaz para assegurar níveis adequados destes ácidos gordos essenciais. As microalgas representam a fonte primária de EPA e DHA na natureza, permitindo a obtenção destas formas biologicamente ativas de origem vegetal, sustentável e isento de contaminantes.
A evidência demonstra que a suplementação com microalgas aumenta de forma consistente os níveis plasmáticos de EPA e DHA em poucas semanas, com eficácia comparável ao óleo de peixe. De forma geral, a literatura sugere que 200–300 mg/dia de EPA + DHA provenientes de microalgas podem ser suficientes para garantir adequação nutricional em padrões alimentares exclusivamente vegetais, devendo a sua utilização ser ajustada às necessidades individuais.
Em resumo: uma alimentação plant-based bem estruturada, complementada quando necessário com EPA e DHA provenientes de microalgas, permanece completa, equilibrada e plenamente capaz de suportar a saúde e o bem-estar ao longo da vida.

Bolinhos de feijão-preto, quinoa e nozes com molho tahini, laranja e ómega-3
Por Catarina Queiroz. Criadora gastronómica. @encherobandulho
Ingredientes para os bolinhos
- 500g de feijão-preto cozido
- 150g de quinoa tricolor cozida
- 100g de arroz integral cozido
- Punhado de nozes previamente lavadas e tostadas
- Punhado de salsa fresca picada
- 50g de tomate seco cortado em cubos
- Azeite q.b.
- 1 colher de sopa se sal grosso
- 1/2 colher se sopa de alho moído
- 1/2 colher de sopa de pimentão-doce fumado
- Pitada de pimenta-caiena
- Água q.b.
Preparação
- Triturar o feijão-preto grosseiramente num processador de alimentos. Picar grosseiramente as nozes. Numa taça grande, envolver todos os ingredientes até formar uma massa consistente. Se necessário para ajudar a ligar melhor os ingredientes, adicionar um pouco de água.
- Colocar água fria numa taça e começar a moldar os bolinhos com as mãos sempre molhadas (para evitar que a massa agarre nas mãos). Repetir até terminar a massa.
- Levar ao forno, pré-aquecido, durante 10 minutos, a 200 graus.
Ingredientes para o molho
- 1 colher de sopa de tahini
- 6 colheres de sopa de sumo de laranja
- Pitada de sal
- Pitada de pimenta
- Fio de azeite virgem extra
- 1 colher de chá de vinagre balsâmico
- 1 colher de chá de geleia de arroz
- 5 ml de óleo ómega-3 NORSAN VEGAN
Preparação
- Colocar todos os ingredientes numa taça e emulsionar bem.
Sugestão de apresentação
Salada quente de bulgur: contém espargos e abóbora hokkaido assados e romã). Acompanha com os bolinhos regados com o molho final.
Bons cozinhados!

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